Putin sabotou a Europa? UE promete retaliação a danos em dois gasodutos russos com suspeita sobre causa de vazamento
Gasodutos Nord Stream 1 e 2 começaram a vazar em três pontos diferentes na costa dinamarquesa — e a Europa e a Rússia afirmam não poder descartar sabotagem como a causa dos danos

Os temores de que Vladimir Putin teria iniciado uma guerra energética parecem cada vez mais próximos de se concretizar. A Rússia, que havia interrompido indefinidamente o fornecimento de gás para a Europa, agora tem uma nova justificativa para não voltar a abrir a torneira para o continente no inverno: os principais gasodutos russos estão com graves vazamentos.
Criados para transportar gás natural de Moscou para o continente europeu, os gasodutos Nord Stream 1 e 2 começaram a vazar em três pontos diferentes na costa dinamarquesa nesta segunda-feira (26).
Acontece que, para a União Europeia, um duto de 15 centímetros de espessura ter três vazamentos sozinho em menos de 24 horas era, no mínimo, suspeito — e o continente prometeu que, caso confirmada a sabotagem, haverá retaliação.
O vazamento de gás na Europa
O vazamento de gás foi percebido na segunda-feira (26) após a pressão dos gasodutos Nord Stream 1 e 2 cair no Mar Báltico, região próxima à costa da Dinamarca.
Autoridades na Dinamarca e na Suécia registraram fortes explosões nas áreas dos vazamentos de gás, de acordo com informações do Centro Nacional de Sismologia da Suécia da Universidade de Uppsala.
Foram detectadas três fugas de gás nos oleodutos, sendo duas nos tubos do Nord Stream 1, próximo à Suécia, e outro escape no Nord Stream 2, a sudeste da ilha dinamarquesa de Bornholm.
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A Nord Stream AG, operadora da rede de dutos, afirmou no dia seguinte que três linhas subaquáticas do sistema de gasodutos Nord Stream sofreram danos "sem precedentes" em um dia.
O problema é que esse tipo de vazamento em oleodutos submarinos, como é o caso do russo Nord Stream, são raros, de acordo com a Eurasia Group, companhia de consultoria e análise de riscos políticos.
“Há três vazamentos e, portanto, é difícil imaginar que possa ser acidental. Estas são ações deliberadas, não um acidente”, disse a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, após investigações iniciais.
A conclusão das autoridades europeias até agora? Os danos foram um “ato deliberado”, ou seja, os estragos nos gasodutos foram propositais. A Otan também estudou o caso, e a avaliação foi a mesma: sabotagem.
Até mesmo a Rússia de Vladimir Putin disse que uma sabotagem não pode ser descartada como a causa dos danos. “Obviamente, o cano foi danificado de alguma forma. Qual foi a causa – antes que os resultados da investigação apareçam – nenhuma versão pode ser excluída”, disse o porta-voz russo, Dmitry Peskov.
Quem é o culpado pelos vazamentos dos gasodutos da Rússia na Europa?
A União Europeia iniciou nesta quarta-feira as investigações sobre o que aconteceu com os dois gasodutos russos, e ainda avalia exatamente o que aconteceu.
Em um comunicado em nome de todos os 27 membros, o chefe de política externa da UE, Josep Borrell, disse na quarta-feira que o bloco estava “profundamente preocupado” com os danos.
O diplomata-chefe da UE ainda alertou que o bloco tomará medidas de retaliação para qualquer ataque deliberado à infraestrutura de energia da região.
“Qualquer interrupção deliberada da infraestrutura energética europeia é totalmente inaceitável e será recebida com uma resposta robusta e unida”, disse Josep Borrell.
Os primeiros-ministros da Dinamarca e da Suécia se recusaram a especular sobre os possíveis motivos ou quem poderia ter sido responsável pelos vazamentos no Nord Stream 1 e 2. Porém, os chefes de governo pediram uma investigação completa.
“Todas as informações disponíveis indicam que esses vazamentos são resultado de um ato deliberado. Apoiaremos qualquer investigação destinada a obter total clareza sobre o que aconteceu e por que, e tomaremos outras medidas para aumentar nossa resiliência na segurança energética”, informou a União Europeia, em nota.
Uma guerra energética de Putin
A Alemanha, um dos países mais afetados pelos cortes de gás da Rússia, alegou preocupação de que a súbita perda de pressão em ambos os oleodutos pudesse ser resultado de um “ataque direcionado”.
Para as autoridades alemãs, o envolvimento da Rússia nos danos ao Nord Stream “não poderia ser excluído”.
Vale destacar que Berlim não está envolvida na investigação conduzida pela Dinamarca e Suécia.
Em resposta, Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin, afirmou que a acusação de envolvimento da Rússia nos ataques aos gasodutos é "previsivelmente estúpida e absurda", uma vez que a Rússia não teria motivos para sabotar os oleodutos.
Na visão de Simone Tagliapietra, membro sênior do grupo de pesquisa Bruegel, os vazamentos “marcam um novo nível de guerra híbrida” na guerra energética de Putin contra a Europa.
“Isso marca um novo nível do jogo. Não devemos minimizar o risco de ver ataques híbridos em nossa própria infraestrutura de energia, sejam ataques físicos ou cibernéticos… Precisamos aprender e nos adaptar muito rapidamente.”
A crise energética na Europa
Os vazamentos no Nord Stream 1 e 2 acontecem enquanto a Europa luta contra o relógio para encontrar gás suficiente para substituir as fontes russas antes de um possível inverno congelante no continente.
A Europa enfrenta hoje a pior crise energética em décadas, uma vez que a Rússia vive há algum tempo em um verdadeiro “vai-não-vai” em relação ao fornecimento de gás natural.
Isso porque Moscou é responsável por 40% de todo o gás consumido na Europa e de até 60% em países como a Alemanha. Com os cortes, o continente europeu enfrenta o risco de apagões, racionamento e uma recessão.
Recentemente, o país de Vladimir Putin cortou indefinidamente o fornecimento de gás pelo principal gasoduto da Europa, o Nord Stream 1, alegando que as sanções econômicas impostas pelo Ocidente para punir o país eram as responsáveis.
O que acontece com a Europa agora?
Os vazamentos recentes não devem afetar diretamente os fluxos de gás russos, afinal, nenhum dos oleodutos estava em operação no momento dos escapes.
No caso do Nord Stream 1, os fluxos estavam interrompidos desde o começo deste mês.
Enquanto isso, o novo gasoduto Nord Stream 2 nunca foi inaugurado oficialmente, uma vez que a Alemanha se recusou a aprovar suas operações comerciais após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Porém, de acordo com analistas consultados pela CNBC, os recentes vazamentos nos dois principais gasodutos para a Europa acabam com quaisquer expectativas restantes de que a Rússia retomará o fornecimento de gás através do Nord Stream 1 antes do inverno.
“Isso tornaria realidade o pior cenário para o qual os governos europeus se prepararam durante todo o verão: um mercado de gás europeu sem gás russo”, explicou a analista Natasha Fielding, da Argus.
Os gasodutos russos e norueguês
Antes das investigações sobre os vazamentos nos gasodutos, na noite de terça-feira, a Gazprom, produtora estatal de gás da Rússia, revelou que poderia apertar ainda mais a torneira do gás para a Europa.
Desta vez, a produtora ameaçou cortar os suprimentos que ainda transitam pela Ucrânia.
A postura mais dura de Moscou seria adotada caso a estatal de gás ucraniana Naftogaz continuasse o processo de arbitragem contra a Gazprom na Suíça.
Vale destacar que os vazamentos no Nord Stream 1 aconteceram no mesmo dia da inauguração de um gasoduto que levará gás norueguês da Dinamarca à Polônia pela primeira vez.
“O vazamento no Nord Stream 2 está muito próximo do novo tubo que trará gás norueguês para a Polônia pela primeira vez... Então, há algum simbolismo pesado”, disse Tom Marzec-Manser, da consultoria de energia ICIS.
Um dos principais oficiais militares da Noruega alertou que a Dinamarca precisava levar a sério a ameaça à sua infraestrutura de energia.
“O suprimento de gás da Noruega é provavelmente o maior e mais estrategicamente importante alvo de sabotagem em toda a Europa no momento”, anunciou o tenente-coronel Geir Hågen Karlsen à emissora estatal NRK.
O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, afirmou que não havia “nenhuma ameaça específica” contra a Noruega.
*Com informações de CNBC e Financial Times
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