Brasil vive situação esquizofrênica na economia e incerteza não vai se dissipar até eleições, diz Rodrigo Azevedo, da Ibiuna
Sócio da Ibiuna Investimentos e ex-diretor do Banco Central, Rodrigo Azevedo participou do episódio #05 do Market Makers

No Brasil de 2022, duas forças antagônicas mexem com a nossa economia.
De um lado, o Banco Central usa a taxa básica de juros para deixar a política monetária mais apertada e desacelerar a inflação.
Do outro, a corrida eleitoral estimula o governo a liberar dinheiro para conquistar votos, numa política fiscal expansionista - e inflacionária.
Nas palavras de Rodrigo Azevedo, sócio da Ibiuna Investimentos e ex-diretor do Banco Central, a situação atual do Brasil é “esquizofrênica”.
“Temos alguém pisando no freio e alguém pisando no acelerador”, afirmou Azevedo ao Market Makers desta semana.
O economista deu uma aula sobre inflação e compartilhou com os apresentadores Thiago Salomão e Renato Santiago suas táticas para aproveitar as assimetrias de juros em diversos países.
Leia Também
Ouça a íntegra da edição do podcast Market Makers:
"Leve" em Brasil
Depois de ter feito muito dinheiro com posição tomada em juros locais, hoje a carteira do Ibiuna STH hoje está “leve em Brasil”, como diz Azevedo.
E deve permanecer assim, pelo menos enquanto houver incerteza provocada pelas eleições. Mas isso não está ligado diretamente a Lula ou Bolsonaro, os líderes das pesquisas de intenção de voto para presidente.
Para Azevedo, nenhum dos candidatos hoje tem incentivo para falar em ajustes fiscais nos seus respectivos governos. Portanto, paira sobre o mercado a incerteza com o regime fiscal do próximo governo.
“Essa incerteza não vai se dissipar, pelo menos até outubro. É um desincentivo grande tomar posições nesse momento”, afirmou Azevedo.
Apesar disso, o sócio da Ibiuna ressalta que os juros no Brasil devem subir mais um pouco a fim de controlar a inflação.
Leia também:
- Envergonhada, Faria Lima se afasta de Bolsonaro, mas reluta em apoiar Lula
- Distância entre Bolsonaro e Lula é a menor em 13 meses, diz pesquisa Ipespe
Idiossincrasia brasileira
Azevedo lembra que o Brasil tem uma “memória inflacionária” muito alta, que força nosso Banco Central a subir os juros antes da maioria dos países ao menor sinal de alta de preços.
A explicação é que no Brasil existe uma idiossincrasia, que são os mecanismos formais e informais de indexação à inflação passada. Isso significa que desde contratos de aluguel até o teto de gastos são ajustados pela inflação. Por consequência, a primeira demanda salarial dos trabalhadores é a reposição da perda inflacionária.
Dessa forma, o que poderia ser um choque temporário de, por exemplo, aumento dos combustíveis, torna-se mais perene por conta do ajuste automático.
“O resultado básico é que o Banco Central tem que atuar mais cedo e de maneira mais forte do que teria numa economia que não tem isso [ajuste automático]”, disse Azevedo.
Aposta na alta de juros no exterior
Se a assimetria estimulou os gestores do Ibiuna STH a ficarem tomados em juros (apostando na alta das taxas) de países emergentes em 2021, neste ano a fotografia mudou.
Em 2022, Azevedo avaliou que os emergentes já haviam subido demais os juros, mas um conjunto de países ainda continuava com as políticas monetárias frouxas: os desenvolvidos.
Assim, a estratégia basicamente mudou para pegar a provável alta dos juros nos Estados Unidos e na Europa.
“O que a gente não imaginava é que teria uma guerra entre Ucrânia e Rússia que exacerbaria as tendências inflacionárias de maneira impensável", detalhou Azevedo.
Ele avalia que a inflação no mundo desenvolvido deve estar atingindo o pico neste momento.
“Mas a gente acha que, na hora que ela começar a cair, provavelmente vai cair mais devagar e vai se estabilizar num patamar mais alto do que o consenso de mercado acredita neste momento”, disse.
O economista da Ibiuna explicou, ainda, outras questões sobre a nossa economia que valem a pena serem ouvidas no episódio completo do Market Makers. Para ouvir, é só acessar o link abaixo:
Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda
Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom
Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros
Inocentes ou culpados? Governo gasta e Banco Central corre atrás enquanto o mercado olha para o (fim da alta dos juros e trade eleitoral no) horizonte
Iminência do fim do ciclo de alta dos juros e fluxo global favorecem, posicionamento técnico ajuda, mas ruídos fiscais e políticos impõem teto a qualquer eventual rali
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Agenda econômica: Ata do Copom, IPCA-15 e PIB nos EUA e Reino Unido dividem espaço com reta final da temporada de balanços no Brasil
Semana pós-Super Quarta mantém investidores em alerta com indicadores-chave, como a Reunião do CMN, o Relatório Trimestral de Inflação do BC e o IGP-M de março
Juros nas alturas têm data para acabar, prevê economista-chefe do BMG. O que esperar do fim do ciclo de alta da Selic?
Para Flávio Serrano, o Banco Central deve absorver informações que gerarão confiança em relação à desaceleração da atividade, que deve resultar em um arrefecimento da inflação nos próximos meses
Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços
Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção
Warren Buffett enriquece US$ 22,5 bilhões em 2025 e ultrapassa Bill Gates — estratégia conservadora se prova vencedora
Momento de incerteza favorece ativos priorizados pela Berkshire Hathaway, levando a um crescimento acima da média da fortuna de Buffett, segundo a Bloomberg
Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom
Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais
Rodolfo Amstalden: As expectativas de conflação estão desancoradas
A principal dificuldade epistemológica de se tentar adiantar os próximos passos do mercado financeiro não se limita à já (quase impossível) tarefa de adivinhar o que está por vir
A recessão nos EUA: Powell responde se mercado exagerou ou se a maior economia do mundo está em apuros
Depois que grandes bancos previram mais chance de recessão nos EUA e os mercados encararam liquidações pesadas, o chefe do Fed fala sobre a situação real da economia norte-americana
Decisão do Federal Reserve traz dia de alívio para as criptomoedas e mercado respira após notícias positivas
Expectativa de suporte do Fed ao mercado, ETF de Solana em Wall Street e recuo da SEC no processo contra Ripple impulsionam recuperação do mercado cripto após semanas de perdas
Nova York vai às máximas, Ibovespa acompanha e dólar cai: previsão do Fed dá força para a bolsa lá fora e aqui
O banco central norte-americano manteve os juros inalterados, como amplamente esperado, mas bancou a projeção para o ciclo de afrouxamento monetário mesmo com as tarifas de Trump à espreita
Sem medo de Trump: BC dos EUA banca previsão de dois cortes de juros este ano e bolsas comemoram decisão
O desfecho da reunião desta quarta-feira (19) veio como o esperado: os juros foram mantidos na faixa entre 4,25% e 4,50% ao ano, mas Fed mexe no ritmo de compra de títulos
Haddad despenca, Galípolo passa raspando, inflação em alta e economia rumo à recessão: como a Faria Lima vê o governo Lula
Segundo pesquisa Genial Quaest, para 93% dos agentes de mercado a política econômica está na direção errada — e a culpa é do presidente, não de Haddad
De volta à Terra: Ibovespa tenta manter boa sequência na Super Quarta dos bancos centrais
Em momentos diferentes, Copom e Fed decidem hoje os rumos das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos