Vem dividendos por aí? BR Properties (BRPR3) avalia pagamento de proventos aos acionistas após levantar R$ 5,9 bilhões com venda de portfólio
A prioridade é utilizar o dinheiro levantado para reduzir a dívida da companhia, mas ainda deve sobrar recursos para outros usos

Arrecadar R$ 5,9 bilhões com venda de imóveis em um momento desafiador para o mercado imobiliário brasileiro já foi um feito e tanto da BR Properties (BRPR3). Mas a companhia pode surpreender ainda mais os acionistas com um pagamento extraordinário de dividendos.
Em teleconferência nesta quinta-feira (19) marcada para esclarecer e detalhar a venda de cerca de 80% de seu portfólio para a Brookfield, os executivos da empresa brasileira confirmaram que parte do valor obtido com a transação pode ser destinado à distribuição de proventos.
A notícia, porém, não ajudou a alimentar o apetite pelas ações, que corrigiram parte dos ganhos registrados na última quarta-feira (18).
Com o vazamento do acordo pouco antes do fim do pregão, os papéis BRPR3 subiram 5,65% ontem. Hoje eles encerraram o dia com um recuo de 4,73%, a R$ 9,26.
A possível divisão do pão bilionário
Segundo o presidente da BR Properties, Martin Jacó, a prioridade é utilizar o dinheiro levantado para reduzir a dívida da companhia. Atualmente, a empresa tem cerca de R$ 2,15 bilhões em endividamento líquido e conta com R$ 860 milhões em caixa.
Mas, como essa foi a maior transação de venda direta de ativos comerciais dos últimos anos no Brasil, ainda deve sobrar dinheiro para outros usos. O montante é 36% superior ao valor de mercado da empresa na Bolsa no fechamento anterior ao anúncio — cerca de R$ 4,4 bilhões.
Leia Também
Além do possível pagamento de dividendos, a BR Properties considera utilizar parte da soma para financiar empreendimentos atualmente em desenvolvimento e fortalecer o caixa.
Detalhes da transação
Vale relembrar que o fundo canadense Brookfield pagará cerca de R$ 5,9 bilhões por 12 imóveis comerciais da empresa em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília — incluindo a Torre B do JK Iguatemi, o mais famoso deles.
De acordo com os termos da negociação, a companhia receberá 70% da soma total no fechamento da aquisição de cada um dos imóveis. Os 30% restantes serão pagos 12 meses após essa data.
A transação já foi aprovada pelo conselho de administração da BR Properties, segundo a ata da reunião realizada ontem. Mas, antes da conclusão, ainda precisará passar pelo crivo dos acionistas e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Árabes de saída da BR Properties (BRPR3)
Além de representar um movimento importante no atual cenário macroeconômico brasileiro, a transação marca a saída de boa parte do capital do fundo soberano de Abu Dhabi (ADIA) da empresa.
O ADIA investiu no ativo há seis anos, por meio do GP Capital Partners VI — que detém 60% da empresa —, mas já vinha dando indícios de que pretendia se desfazer de seu portfólio no país.
Antes de receber a proposta da Brookfield, os gestores consideraram duas opções: fechar o capital da BR Properties ou vender os ativos separadamente.
A primeira alternativa foi descartada porque exigiria a injeção de capital na empresa. Já a segunda demandaria um grande esforço de negociação e poderia terminar com ofertas apenas para os principais imóveis da carteira.
É importante destacar que, durante o primeiro trimestre, as ações da companhia operaram com um desconto de 41% em relação ao Valor Patrimonial Líquido (NAV). Ou seja, as cotações ficaram bem abaixo do valor intrínseco do negócio.
Por isso, a transação com o fundo canadense chegou na hora certa para arrematar, de uma só vez, boa parte do portfólio. Agora, restarão duas torres e cinco galpões logísticos a serem considerados próximos planos do fundo de Abu Dhabi.
Segundo o presidente da BR Properties, a empresa está aberta a novos negócios: “nosso portfólio sempre esteve apto a receber propostas que, se fizerem sentido para a companhia e seus acionistas, serão analisadas.”
Sobre as perspectivas para o futuro da empresa, Martin Jacó reforçou que os próximos passos serão decididos com os acionistas. “Hoje o mais importante é manter os olhos na bola: nos concentrarmos no fechamento do deal e, paralelamente, pensarmos em qual será o melhor curso junto ao conselho”, declarou.
Analistas avaliam venda e traçam cenários para a BR Properties (BRPR3)
Além do mercado, os analistas também reagiram à transação bilionária hoje. Após analisar os termos da venda, o Bank of America, por exemplo, optou pela manutenção da recomendação negativa para os papéis BRPR3, com preço-alvo de R$ 9. O valor projeta uma queda de 3,6% nos próximos meses.
O banco de investimentos justifica a decisão com três conclusões de sua análise:
- o upside da transação é possivelmente limitado;
- as perspectivas ainda são desafiadoras para o segmento de escritórios;
- e há risco de um possível rebaixamento de risco da carteira graças a maior concentração — um escritório no Rio de Janeiro agora representa 70% do portfólio — e menor liquidez.
Já os analistas do JP Morgan afirmam que a transação é positiva para a empresa porque implica em um prêmio de 54% em relação ao Valor da Empresa (EV) por metro quadrado.
O banco de investimentos também calcula que, após saldar sua dívida líquida, a BR Properties ainda terá caixa para uma generosa distribuição de dividendos. “A transação abre espaço para um potencial provento de R$ 3,7 bilhões, ou R$ 7,95 por ação, assumindo que a empresa distribuiria todo o caixa excedente em um cenário otimista”.
Porém, como o destino dos R$ 5,9 bilhões ainda não está definido, os analistas emitem um alerta que, apesar de não fazer parte do cenário base do JP Morgan, deve ser considerado pelos investidores.
Caso a companhia opte por distribuir 100% da soma, os investidores “podem acabar com uma empresa 70% menor em termos de Área Bruta Locável (ABL) de escritórios e com capitalização de mercado e liquidez de ações limitadas”.
Por isso, o JP Morgan também mantém a recomendação de venda para as ações BRPR3 e preço-alvo de R$ 7,00 por papel — nesse caso, a projeção de queda é ainda maior, de 25%.
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Como declarar imóveis no imposto de renda 2025, incluindo compra, venda e doação
A posse de imóveis ou a obtenção de lucro com a venda de um imóvel em 2025 podem obrigar o contribuinte a declarar; mas qualquer um que entregue a declaração deve informar a posse ou transações feitas com bens imóveis
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Em busca de zerar a vacância do fundo imobiliário, VPPR11 anuncia mais um contrato de locação de imóvel em Alphaville
Este é o segundo anúncio de locação de ativos do VPPR11 nesta semana. O FII recentemente lidou com a substituição da gestora XP Asset para a V2 Investimentos
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Após mudança de nome e ticker, FII V2 Prime Properties ganha novo inquilino em imóvel em Alphaville — e cotistas comemoram
A mudança do XP Properties (XPPR11) para V2 Prime Properties (VPPR11) veio acompanhada de uma nova gestora, que chega com novidades para o bolso dos cotistas
Após problema com inadimplência, inquilina encerra contrato de locação do FII GLOG11 — mas cotistas (ainda) não vão sentir impactos no bolso
Essa não é a primeira vez que o GLOG11 enfrenta problemas de inadimplência com a inquilina: em 2023, a companhia deixou de pagar diversas parcelas do aluguel de um galpão em Pernambuco
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
RBR Properties (RBRP11) encerra contrato de locação por inadimplência de inquilino — e os cotistas vão sentir os impactos no bolso
Após uma série de atrasos dos aluguéis em 2024 e uma nova inadimplência em fevereiro, o fundo anunciou a rescisão do contrato de locação de um dos principais ativos do portfólio
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
TIM (TIMS3) anuncia pagamento de mais de R$ 2 bilhões em dividendos; veja quem tem direito e quando a bolada cai na conta
Além dos proventos, empresa anunciou também grupamento, seguido de desdobramento das suas ações
Correios decidem encerrar contrato de locação com o FII TRBL11; fundo imobiliário indica que vai acionar a Justiça
A estatal havia aberto o processo administrativo para a rescisão do contrato de locação com o TRBL11 em dezembro. Com a decisão, os Correios estabeleceram um prazo para a desocupação do galpão