Ações da Nike despencam mais de 10% após projeções menos animadoras; o que isso significa para a Centauro (SBFG3)?
A gigante dos tênis se viu diante de níveis de estoque excessivos — e o remédio encontrado pela empresa para tentar solucionar o problema atingiu em cheio o lucro do trimestre

Quem não gosta de promoções? Bem, para os consumidores, não há nada melhor do que uma boa liquidação para encher o carrinho. Mas, para a Nike, os preços mais baixos de seus produtos geraram uma verdadeira bola de neve catastrófica.
Isso porque, apesar de entregar dados trimestrais relativamente robustos no primeiro trimestre fiscal de 2023, as projeções da gigante dos tênis e artigos esportivos para o resto de 2022 não são exatamente animadoras.
Com níveis de estoque excessivamente altos, a empresa teve que tomar uma decisão drástica: conceder descontos em seus produtos para dar saída aos produtos. E isso, naturalmente, implica em margens menores e queda de receita.
A própria Nike deu uma estimativa ao mercado quanto aos impactos financeiros dessa situação: cerca de US$ 4 bilhões a menos na receita anual.
Isso teve um efeito nada positivo sobre as ações da gigante dos tênis, que agora rolam ladeira abaixo na bolsa de valores de Nova York (NYSE). Por volta das 13h05, os papéis NKE caíam 11,86%, negociados a US$ 84,02. A perda acelerou ao longo do dia e as ações fecharam com baixa de 12,81, a US$ 83,12.
O que afetou o resultado da Nike?
Não é novidade que as varejistas estão enfrentando dificuldades na cadeia de suprimentos — e hoje lidam com uma verdadeira bola de neve.
Leia Também
Apesar do aumento nos prazos e nos custos de envio e logística desde a pandemia, as empresas viram a demanda dos consumidores caminhar para a normalidade no último trimestre.
Isso fez com que empresas como a Nike aumentassem sua produção, de modo a encher os estoques mais rápido que de costume para atender os clientes, segundo o CFO da Nike, Matthew Friend.
Acontece que os envios das encomendas voltaram ao normal, e os pedidos de estoque feitos pela Nike, que já estavam atrasados, chegaram junto com as entregas antecipadas de novas peças.
Basicamente: a gigante dos tênis agora se vê diante de níveis de estoque excessivos e assustadores.
Os estoques da companhia chegaram a US$ 9,7 bilhões, um aumento de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior. Executivos da Nike afirmaram que, só na América do Norte, os estoques dispararam 65% em relação ao ano passado.
Aqui você já deve ter entendido a urgência da varejista de tomar medidas agressivas para tentar reduzir os estoques.
Leia também:
- Mercado adia para segunda-feira uma reação às eleições após debate sem propostas e com muito bate-boca
- EUA impõem sanções à Rússia por anexação de territórios ucranianos
As liquidações da Nike
As ações da companhia para diminuir rapidamente os estoques incluíram uma onda de promoções nos preços dos produtos.
“Decidimos pegar esse estoque e liquidá-lo de forma mais agressiva para que possamos colocar o estoque mais novo e melhor na frente do consumidor nos locais certos”, disse o CFO da Nike, Matthew Friend.
Porém, apesar de ter solucionado, em partes, a questão dos estoques gigantescos, as medidas impactaram diretamente o lucro da companhia no trimestre, e devem continuar pressionando as margens neste ano.
Entre junho e agosto deste ano, a varejista registrou um lucro líquido de US$ 1,5 bilhão, o que representa uma queda de 22% na comparação com o mesmo intervalo de 2021.
Já o lucro líquido por ação foi de US$ 0,93, acima do consenso de US$ 0,92 dos analistas consultados pela Refinitiv, mas ainda 20% menor que os US$ 1,16 reportados no mesmo período do ano passado.
Ao mesmo tempo, as despesas administrativas e de vendas aumentaram 10%, para US$ 3,9 bilhões, enquanto os custos das vendas subiram 8%, a US$ 7,07 bilhões.
Esse combinado fez com que, entre junho e agosto de 2022, a margem bruta caísse 220 pontos-base (2,2 pp) na comparação ano a ano, para 44,3%.
Outros indicadores do balanço
Apesar da queda no lucro líquido e aumento dos custos, a Nike encerrou o trimestre com uma receita acima do esperado.
A receita total da companhia chegou a US$ 12,68 bilhões, superando a projeção de US$ 12,31 bilhões dos analistas e com avanço de 4% na comparação anual.
A Nike está transformando sua estratégia de vendas há algum tempo. A empresa quer diminuir a quantidade de produtos vendidos por parceiros para impulsionar as vendas diretas aos clientes.
As vendas diretas da varejista cresceram 8% na base anual, para US$ 5,1 bilhões, enquanto as vendas da marca digital cresceram 16%. Já as vendas do negócio de atacado da Nike subiram apenas 1% entre junho e agosto.
Vale destacar que as vendas totais na China, um dos principais mercados da Nike, caíram 16% em relação ao mesmo período de 2021, para cerca de US$ 1,7 bilhão.
Isso porque a gigante dos tênis teve que paralisar seus negócios na região devido aos bloqueios causados pela covid-19.
Já as vendas totais na América do Norte, que é o maior mercado da varejista, aumentaram 13%, para US$ 5,5 bilhões no primeiro trimestre fiscal.
O que isso significa para a Centauro (SBFG3)?
Apesar das projeções mais desafiadoras da Nike, o balanço trimestral não assustou os analistas — nem em relação à própria gigante dos tênis e nem quanto ao operador da marca no Brasil, o Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro.
O Itaú BBA está otimista com as ações SBFG3 e fixou um preço-alvo de R$ 35 para os papéis até o fim de 2022.
Isso implica num potencial de alta de quase 80% em relação ao fechamento de SBFG3 no último pregão, de R$ 19,50.
A casa de análise afirma que o crescimento das operações da Nike na Ásia-Pacífico e América Latina ajuda a visão construtiva para a Fisia, subsidiária do SBF/Centauro encarregada da distribuição da Nike no Brasil.
Apesar do aumento dos custos logísticos, que pode afetar a lucratividade do SBF, os analistas acreditam que a melhoria gradual contínua na cadeia de suprimentos da Nike “deve desempenhar um papel fundamental na sustentação do forte impulso de vendas da Fisia daqui para frente”.
*Com informações de CNBC e Reuters
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Embraer (EMBR3) tem começo de ano lento, mas analistas seguem animados com a ação em 2025 — mesmo com as tarifas de Trump
A fabricante de aeronaves entregou 30 aviões no primeiro trimestre de 2025. O resultado foi 20% superior ao registrado no mesmo período do ano passado
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Nike vai recuperar o pace? Marca perdeu espaço para Adidas e On, mas pode voltar aos pés dos consumidores
Após anos de marasmo, perdendo espaço para concorrentes, empresa americana tenta recuperar influência no mercado focando em um segmento que sempre liderou
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
As 10 celebridades bilionárias mais ricas de 2025, segundo a Forbes
Em 2025, publicação listou 18 famosos que concentram um total de US$ 39 bilhões; aqui, detalhamos os 10 mais ricos
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Michael Klein eleva posição acionária na Casas Bahia (BHIA3) e dá mais um passo para retornar ao conselho da varejista
Segundo o comunicado, o aumento da posição acionária tem como objetivo viabilizar o envolvimento de Michael Klein na gestão da Casas Bahia (BHIA3)
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Shopee quer bater de frente com Mercado Livre e Amazon no Brasil — mas BTG faz alerta
O banco destaca a mudança na estratégia da Shopee que pode ser um alerta para as rivais — mas deixa claro: não será nada fácil