Recessão na Europa já é realidade? Novo corte de gás de Putin piora a situação no continente
Moscou decidiu cortar o fornecimento de gás natural para a Europa a partir de hoje. Os fluxos para a Alemanha, que já estavam em 40% da capacidade, caíram para 20%

Se a expectativa de muitos turistas brasileiros ao viajar para um lugar novo é finalmente poder ver a neve cair — coisa que só vemos aqui em situações climáticas excepcionais e relativamente preocupantes —, a Europa parece um destino adequado para o fim do ano. Afinal, com os novos apertos no gás anunciados por Vladimir Putin, o continente pode estar prestes a enfrentar um longo e congelante inverno.
Olhando por cima, pode até parecer que o presidente russo é indeciso. Afinal, celebrando uma festa julina um tanto quanto caótica, a brincadeira favorita de Putin é a “vou cortar o gás… é mentira”.
Porém, analisando de perto, o aperto no fornecimento de gás na realidade pode ser uma forma muito bem pensada de iniciar uma guerra energética, numa retaliação da Rússia aos países que apoiam a Ucrânia e às sanções cada vez mais severas do Ocidente contra Moscou.
E, para a infelicidade da União Europeia, a última segunda-feira amargou os humores amigáveis do comandante russo — e ele decidiu cortar o fornecimento de gás natural para a Europa a partir de hoje.
O Kremlin afirma que a interrupção é o resultado de questões de manutenção e sanções ocidentais.
Putin vai fechar a torneira do gás
A produtora estatal russa de energia Gazprom disse que as exportações da commodity pelo gasoduto Nord Stream 1 — que leva gás da Rússia para a Alemanha — cairá para cerca de um quinto da capacidade total.
Leia Também
O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China
Tony Volpon: Buy the dip
Desse modo, os fluxos para a Alemanha, que já estavam no nível baixo de 40% da capacidade, caíram para 20%. Já a previsão é de entrega de apenas 33 milhões de metros cúbicos da capacidade de 160 milhões de metros cúbicos por dia.
Segundo a Gazprom, o motivo da redução do fornecimento do gás é a manutenção de uma turbina ao longo do oleoduto.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o corte de Putin equivale a uma “guerra do gás” com a Europa.
Já para o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, a justificativa de que a redução do fluxo seria por conta de uma manutenção "era uma farsa”.
Putin, é manutenção ou guerra energética?
Ainda não está claro se Putin realmente fechou as torneiras de vez para a Europa ou se existem chances de que a Rússia retome os fluxos após concluir a manutenção da turbina do gasoduto Nord Stream 1.
“É um pouco confuso se isso será uma pequena restrição de fornecimento enquanto a turbina consertada volta a funcionar ou se isso nunca será resolvido e viveremos com apenas 20% de suprimentos por um tempo considerável”, disseram analistas do Deutsche Bank em relatório.
O banco considera que Moscou provavelmente procura garantias mais claras sobre isenções de sanções no futuro.
“Isso provavelmente será difícil de alcançar e os russos sabem disso. Portanto, parece que a política russa estará no controle aqui por enquanto.”
O que o corte de gás da Rússia significa para a Europa
A situação deixou a Europa inteira em estado de alerta, uma vez que coloca o continente cada vez mais perto de uma recessão.
Para economistas do Citi, a possibilidade de uma recessão na região agora parece “clara”.
O bloco econômico, que já enfrenta um furioso dragão da inflação, uma guerra na Ucrânia e uma cadeia de suprimentos defasada após a pandemia, agora também se preocupa com uma batalha econômica.
O corte de gás natural é uma ameaça entre os dois lados. Por um lado, a Europa quer reduzir a dependência da commodity russa e já fechou um acordo na semana passada para reduzir o consumo de gás em 15%. A negociação ainda é uma forma de sancionar Putin.
Por outro, a Rússia consegue utilizar o gás como uma arma contra a Europa e aumentar a pressão contra os países europeus para voltar atrás com as duras sanções devido aos conflitos na Ucrânia.
A decisão de Putin em fechar a torneira para a União Europeia pode golpear diretamente o PIB do bloco econômico, que encolheria até 1,5% durante o inverno.
Além disso, uma menor oferta do gás natural implica em uma alta generalizada nos preços dos combustíveis.
É importante destacar que a população europeia já enfrenta há algum tempo uma disparada nos preços de energia, o que forçou os formadores de políticas a criarem medidas de emergência para lidar com a situação.
Europa e Alemanha em recessão
Apesar de a situação preocupar a Europa como um todo, a Alemanha tem um motivo a mais para estar aflita.
“Temos uma situação séria. É hora de todos entenderem isso”, afirmou o ministro da Economia alemão, Robert Habeck, à emissora ARD.
Isso porque a medida de Putin impacta diretamente o reabastecimento dos estoques de gás para fornecer às famílias europeias combustível para manter as luzes acesas e as casas aquecidas durante o inverno.
“A Alemanha tem a maior população da Europa, é a maior economia, é o maior consumidor de gás, é o maior importador individual de gás russo e tem nove fronteiras terrestres. Então, o que quer que aconteça lá se espalha para o resto do continente”, disse Henning Gloystein, diretor de energia, clima e recursos do Eurasia Group, em entrevista à CNBC.
Racionamento de gás na Alemanha
Há alguns meses, quando surgiram os primeiros temores de que a Rússia fecharia a torneira para a Europa, a Alemanha estipulou um plano de emergência de gás de três etapas para preparar o país para um possível choque de oferta.
Antes de a Rússia reduzir o fluxo de gás, o país se encontrava na segunda fase do plano. Para estrategistas do Citi, com o nível anterior de 40% da capacidade, a Alemanha seria capaz de sobreviver ao inverno, apesar de poder precisar de um racionamento leve.
Porém, para analistas do Eurasia Group, o novo corte do combustível provavelmente deve forçar a Alemanha a passar para o nível três.
Na terceira e última fase, o governo e o regulador alemão Bundesnetzagentur devem iniciar o racionamento de gás — e decidir como será feita a distribuição do combustível em todo o país.
Desse modo, no terceiro nível, a Alemanha deverá priorizar o fornecimento de gás a residências alemãs e serviços como hospitais, o que ainda coloca em risco a produção de produtos como fertilizantes, produtos farmacêuticos e cosméticos.
Os economistas do Citi dizem que, com a capacidade de 20%, o país “provavelmente precisaria de um racionamento notável, a menos que cortassem as exportações de gás, o que seria uma coisa muito delicada de se fazer politicamente”.
De acordo com o ministro alemão Habeck, caso a última fase seja acionada, “certas cadeias de produção na Alemanha ou na Europa simplesmente não seriam mais fabricadas''.
Indústrias em perigo na Europa
Com a nova medida de Putin, os governos da União Europeia concordaram ontem em iniciar o racionamento de gás natural no próximo inverno no continente.
Os ministros de energia do bloco aprovaram na terça-feira um projeto de lei para diminuir a demanda por gás em 15% até o outono e na próxima primavera.
“O racionamento, que afetará especialmente indústrias intensivas em energia, como fabricantes de automóveis, empresas químicas e mineração de criptomoedas, não pode ser descartado”, disse Simon Tucker, chefe de energia, serviços públicos e recursos da Infosys Consulting.
Para os economistas do Citi, a redução de 15% acordada entre os membros da UE pode ser difícil de aplicar na realidade.
“À medida que os planos de racionamento de energia para o inverno forem acordados, esperamos que as condições financeiras mais apertadas na Europa gerem uma reação muito pior na economia real. O inverno está batendo à porta da Europa”, disse a casa em relatório.
*Com informações de CNBC
Nova taxa de visto para o Reino Unido vai deixar sua viagem mais cara; veja preços e como pedir online
ETA é obrigatório para todos os brasileiros que querem passar até 6 meses em algum dos países
Claude Monet: os 12 melhores museus para ver as obras do artista (um deles fica no Brasil)
Pintor francês, um dos expoentes do Impressionismo, tem obras por toda a Europa e até aqui no Brasil – mas Louvre não está na lista
Kraken adquire NinjaTrader por US$ 1,5 bilhão e avança no mercado de futuros e derivativos
O acordo marca a entrada da exchange cripto no mercado de futuros e derivativos nos EUA, ampliando sua base de usuários e fortalecendo a conexão com mercados tradicionais
Ainda sobe antes de cair: Ibovespa tenta emplacar mais uma alta após decisões do Fed e do Copom
Copom elevou os juros por aqui e Fed manteve a taxa básica inalterada nos EUA durante a Super Quarta dos bancos centrais
O que é bom dura pouco: Putin responde Trump com um novo ataque
Um dia depois de conversar com o presidente norte-americano sobre um cessar-fogo na Ucrânia, Rússia usa drones e atinge áreas civis e um hospital
O upgrade da Air France: primeira classe ganha pijamas Jacquemus, transfer Porsche e mais
Após investir 5 bilhões de euros, companhia francesa acirra a competição com British Airways e Lufthansa para conquistar o turista de luxo; voo ‘mais barato’ sai a partir de R$ 35 mil
De volta à Terra: Ibovespa tenta manter boa sequência na Super Quarta dos bancos centrais
Em momentos diferentes, Copom e Fed decidem hoje os rumos das taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos
O canto da sereia (de Trump) é irresistível até para Putin
O russo conversou com o republicano por telefone e deu o primeiro passo na direção de um cessar-fogo na Ucrânia, mas fez um alerta
Não é um pássaro (nem um avião): Ibovespa tenta manter bom momento enquanto investidores se preparam para a Super Quarta
Investidores tentam antecipar os próximos passos dos bancos centrais enquanto Lula assina projeto sobre isenção de imposto de renda
Amigos & rivais: a ligação de Trump para Putin e a visita de Xi Jinping a Washington
Se a vida imita a arte, o republicano é a prova disso: está tentando manter os amigos perto e os inimigos ainda mais próximos
As múltiplas frentes de batalha de Donald Trump
Disputas comerciais, batalha contra os serviços públicos, participação indireta em conflitos no Oriente Médio e tentativa de paz pela força na Ucrânia fazem parte das várias guerras nas quais o republicano se meteu
Barcelona ou Madrid: qual cidade da Espanha tem mais a sua cara?
De um lado, a energia vibrante e descolada de Barcelona; de outro, o charme clássico e cosmopolita de Madrid: as duas cidades mais populosas da Espanha têm identidades diferentes; aqui, fizemos um guia para entender qual combina mais com seu perfil
A terceira grande guerra bate à porta: Trump vai abrir?
Presidente norte-americano discursa no Departamento de Justiça dos EUA e fala que uma guerra global agora não teria precedentes porque seria patrocinada por armas nucleares
Frenetic trading days: Com guerra comercial no radar, Ibovespa tenta manter bom momento em dia de vendas no varejo e resultado fiscal
Bolsa vem de alta de mais de 1% na esteira da recuperação da Petrobras, da Vale, da B3 e dos bancos
Trump golpeia, Otan se esquiva — mas até quando?
Mark Rutte, chefe da aliança transatlântica, esteve na Casa Branca nesta quinta-feira (13) para tentar convencer os EUA a se manterem na linha de frente da luta pela Europa
Nem Trump para o Ibovespa: índice descola de Nova York e sobe 1,43% com a ajuda de “quarteto fantástico”
Na Europa, a maioria da bolsas fechou em baixa depois que o presidente norte-americano disse que pode impor tarifas de 200% sobre bebidas alcoólicas da UE — as fabricantes de vinho e champagne da região recuaram forte nesta quinta-feira (13)
Trump vai deixar seu vinho mais caro? Como as tarifas de 200% sobre as bebidas europeias nos EUA podem impactar o mercado brasileiro
Mal estar entre os EUA e a União Europeia chega ao setor de bebidas; e o consumidor brasileiro pode ‘sentir no bolso’ essa guerra comercial
Tony Volpon: As três surpresas de Donald Trump
Quem estudou seu primeiro governo ou analisou seu discurso de campanha não foi muito eficiente em prever o que ele faria no cargo, em pelo menos três dimensões relevantes
X, rede social de Elon Musk, fica fora do ar — e dessa vez a culpa não é de Moraes
Os problemas começaram por volta das seis horas da manhã (horário de Brasília), com usuários reclamando que não conseguiam carregar o aplicativo ou o site do antigo Twitter
Hegemonia em disputa: Ibovespa tenta manter bom momento em semana de IPCA, dados de emprego nos EUA e balanços
Temporada de balanços volta a ganhar fôlego enquanto bolsas têm novo horário de funcionamento, inclusive no Brasil