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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

BALANÇO DO MÊS

O sonho durou pouco: dólar tem a maior alta de abril, enquanto Ibovespa amarga uma das maiores perdas; veja os melhores e piores investimentos do mês

Maré vira, e aversão a risco global derruba ativos mais arriscados, fortalecendo a moeda americana

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
29 de abril de 2022
18:57 - atualizado às 19:08
Dólar em alta
Com a alta do dólar e queda dos ativos de risco, abril foi o mês dos conservadores. - Imagem: Shutterstock

Apesar da Selic de dois dígitos, a inflação elevada - no Brasil e no mundo - e uma guerra no leste europeu capaz de jogar o preço das commodities lá para cima e pesar ainda mais sobre a inflação, a bolsa brasileira começou o ano de 2022 numa improvável toada positiva. O dólar, por sua vez, chegou a se desvalorizar mais de 15% ante o real, e nas mínimas, chegou aos R$ 4,60.

Mas a alegria do pobre investidor brasileiro durou pouco: passado o primeiro trimestre, a maré virou, o Ibovespa passou a cair, e a direção do dólar apontou de novo para cima. Ao que parece, os mercados de ações e câmbio brasileiros foram capazes de resistir até a uma guerra, mas não à postura mais dura do banco central americano contra a inflação. E também fomos lembrados de que a pandemia de covid-19 ainda está por aí e cobrando o seu preço.

Como resultado, o dólar deu a volta por cima e teve o melhor desempenho de abril, entre os ativos acompanhados pelo Seu Dinheiro, com uma alta de 3,81%, a R$ 4,94, na cotação à vista, e 3,84%, a R$ 4,92, na cotação PTAX. No ano, porém, a moeda americana ainda acumula perda de 11,36%, na cotação à vista, e 11,84%, na PTAX.

O Ibovespa, por sua vez, teve o segundo pior desempenho do mês, com queda de 10,10%, a 107.876 pontos, reduzindo a alta no ano a 2,91%. A bolsa só não se saiu pior porque o bitcoin, na sua já tradicional volatilidade, recuou cerca de 11% em reais, a R$ 192.062,03, e 15,29% em dólar, a US$ 38.564,10.

Veja na tabela a seguir quais foram os melhores e piores investimentos de abril.

Os melhores investimentos de abril

InvestimentoRentabilidade no mêsRentabilidade no ano
Dólar PTAX3,84%-11,84%
Dólar à vista3,81%-11,36%
Ouro2,40%-9,39%
IFIX1,19%0,29%
Índice de Debêntures Anbima - IPCA (IDA - IPCA)*1,15%4,53%
Índice de Debêntures Anbima Geral (IDA - Geral)*1,06%4,22%
CDI*0,97%3,23%
Tesouro Selic 20270,77%3,61%
Tesouro Selic 20250,64%3,34%
Poupança antiga**0,61%2,31%
Poupança nova**0,61%2,31%
Tesouro IPCA+ 2026-0,38%3,93%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2032-0,76%-
Tesouro Prefixado 2025-0,91%-0,36%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040-1,98%0,72%
Tesouro IPCA+ 2035-2,62%-1,36%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2033-2,62%-
Tesouro Prefixado 2029-2,73%-
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055-3,50%-1,47%
Tesouro IPCA+ 2045-5,96%-6,54%
Ibovespa-10,10%2,91%
Bitcoin-10,99%-25,37%
(*) Até dia 28/04. (**) Poupança com aniversário no dia 28.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase, Inc..

Não foi só na bolsa brasileira que o clima azedou em abril. O movimento de aversão a risco foi global, afetando outras bolsas e ativos de risco, como as criptomoedas.

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Basicamente três fatores pesaram: a indicação do Federal Reserve, o BC americano, de que o aperto monetário neste ano vai ser mais forte do que o sinalizado anteriormente; a continuidade da guerra na Ucrânia, sem sinais de acordo de paz próximo; e os surtos de covid-19 na China, que têm levado a restrições e à paralisação de uma série de atividades econômicas no país.

Mas todos esses fatores têm em comum ela, a inflação. A guerra entre Rússia e Ucrânia segue pressionando os preços das commodities para cima; por outro lado, apesar de os lockdowns na China reduzirem a demanda - o que é particularmente ruim para as empresas brasileiras que exportam para lá -, eles também pressionam os preços globais, porque continuam desorganizando as cadeias produtivas.

Esses fatores dificultam que a inflação ceda, mesmo com os juros em alta - os índices de preços divulgados mais recentemente no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo, não mostram sinais de arrefecimento.

Diante dessa situação, o Fed se viu obrigado a adotar um discurso mais duro contra a alta de preços. Neste último mês, os dirigentes do Fed defenderam mais de uma alta de 50 pontos-base nas taxas de juros, podendo começar por um aumento de 75 ponto-base na próxima reunião.

O aperto monetário talvez maior que o esperado levou as bolsas a caírem e o dólar a se fortalecer globalmente, inclusive ante outras moedas fortes. O real, desta vez, não conseguiu continuar se valorizando na contramão do mundo, e o fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa brasileira em abril foi negativo em mais de R$ 5 bilhões.

As ações das exportadoras de commodities brasileiras agora se veem num cabo de guerra, com a pressão inflacionária advinda da guerra na Ucrânia de um lado e a pressão desinflacionária oriunda da queda da demanda chinesa, do outro.

A alta de juros nos EUA tende a atrair recursos alocados em mercados de risco para os seguros, e agora mais rentáveis, títulos americanos, fortalecendo a cotação do dólar ante as demais moedas.

Nesta matéria, publicada na última quinta-feira (28), minha colega Jasmine Olga explica com mais detalhes os motivos da queda do Ibovespa e da alta do dólar em abril, bem como o que esperar daqui para frente.

É importante notar que o desempenho positivo do ouro neste mês se deveu mais à alta do dólar - afinal, o metal precioso é denominado na moeda americana - do que à valorização do ativo em si.

Em dólar, o ouro se desvalorizou em abril. Embora o cenário inflacionário tenda a beneficiar a cotação desta commodity, a perspectiva de alta forte nos juros americanos tende a fazer com que os investidores em busca de proteção prefiram os títulos públicos americanos ao metal, que não paga juros, como os Treasuries.

Os melhores desempenhos do Ibovespa em abril

EmpresaCódigoDesempenho
SulAméricaSULA1138,58%
CPFL EnergiaCPFE312,24%
PetroRioPRIO312,10%
Eletrobras PNAELET611,23%
3R PetroleumRRRP39,68%
CieloCIEL39,32%
Eletrobras ONELET38,29%
MinervaBEEF36,56%
Petrobras ONPETR32,89%
brMallsBRML32,69%
Fonte: B3/Broadcast

Os piores desempenhos do Ibovespa em abril

EmpresaCódigoDesempenho
ViaVIIA3-28,78%
LocawebLWSA3-28,71%
Magazine LuizaMGLU3-28,45%
InterBIDI11-28,25%
Natura &CoNTCO3-28,12%
BRFBRFS3-26,95%
AmericanasAMER3-26,62%
Rede D'OrRDOR3-26,52%
HapvidaHAPV3-26,18%
MéliuzCASH3-25,78%
Fonte: B3/Broadcast

Alta dos juros novamente sacrifica títulos prefixados e indexados à inflação

Embora o mercado aposte que o ciclo de aumento de juros no Brasil esteja chegando ao fim, as estimativas para a intensidade das próximas e derradeiras altas continuam a aumentar.

Se em março o mercado esperava uma Selic terminal de 12,25%, agora a expectativa é de que ela pare de subir quando chegar a 13,25% - mas já tem banco estimando Selic de 14% no fim do ano.

Mesmo que o Brasil tenha se adiantado no aperto monetário para combater a inflação, a perspectiva de uma escalada de juros rápida e forte nos EUA acaba pressionando os juros brasileiros ainda mais para cima.

Os contratos de juros futuros, com isso, tiveram novas altas durante o mês de abril, sacrificando mais uma vez o retorno dos títulos públicos prefixados e atrelados à inflação.

Esses papéis se desvalorizam quando a estimativa para os juros é de aumento. Assim, suas remunerações, para novos investimentos, ficam mais gordas; mas quem já os tinha na carteira, tendo comprado a taxas de rentabilidade menores, vê os preços de mercado dos seus títulos caírem.

A rentabilidade, porém, é garantida no vencimento - quem carrega o papel até o fim do prazo recebe exatamente a remuneração contratada; apenas quem o vender antes do vencimento, a preço de mercado, corre o risco de realizar esses prejuízos.

Por outro lado, quem investiu em debêntures, mesmo aquelas atreladas à inflação, e em títulos públicos indexados ao CDI e à Selic, conseguiu terminar abril com rentabilidades em torno de 1%, e com pouco risco. O mês foi dos conservadores.

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