Hapvida (HAPV3) decepciona e tomba 17% hoje, mas analistas creem que o pior já passou — e que as ações podem subir mais de 100%
Os números do primeiro trimestre foram pressionados pela onda da variante ômicron, alta sinistralidade e baixo crescimento orgânico, mas analistas seguem confiantes na Hapvida

Desde que estreou na bolsa, em 2018, a operadora de saúde Hapvida (HAPV3) tem mantido uma estratégia agressiva de expansão e investido pesado na aquisição de companhias capazes de fortalecer o sistema verticalizado de saúde.
O movimento mais ousado foi a compra do Grupo NotreDame Intermédica, principal concorrente da companhia, em uma operação que criou a maior operadora de saúde do país.
Se durante o auge da pandemia do coronavírus a queda dos custos com tratamentos eletivos e a rápida expansão por meio de aquisições levou os papéis às máximas, a Hapvida hoje encontra dificuldades para empolgar os investidores na bolsa.
Na noite de ontem (16), a empresa apresentou os seus números dos primeiros três meses do ano e hoje as ações despencaram cerca de 17%.
Assim como os investidores, os analistas que cobrem as ações da companhia reagiram mal aos números.
O resultado foi pressionado não só pelas condições macroeconômicas adversas – como inflação alta e queda no poder aquisitivo das famílias –, mas também pela última onda do coronavírus no país e as despesas com aquisições passadas.
Leia Também
Se no passado recente o crescimento inorgânico sustentou o otimismo, a dificuldade da empresa em aumentar organicamente sua base de clientes pressiona os resultados, mesmo que novas vidas tenham sido adicionadas por meio de sinergia com as empresas adquiridas.
A queda das ações hoje não entrega o quadro completo. Mesmo com um dos piores resultados dos últimos tempos, o mercado ainda está otimista com o potencial dos papéis.

Hapvida (HAPV3): os números
Consolidando pela primeira vez os números da operação da NotreDame Intermédica, a Hapvida teve um prejuízo líquido de R$ 182 milhões no primeiro trimestre do ano, com lucro líquido ajustado de R$ 78,1 milhões, um recuo de 70% frente ao mesmo período do ano passado.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 284,4 milhões, queda de 39,1%. A companhia teve uma despesa líquida de R$ 171,5 milhões, bem superior aos R$ 29,8 milhões registrados um ano antes.
Pressionada pela onda da variante ômicron que atingiu o país no início do ano, a sinistralidade da companhia foi de 72,9%. Segundo a companhia, o indicador seria de 67,1% se fossem excluídos os efeitos do coronavírus, despesas médicas das operadoras recém-adquiridas e o reajuste dos planos individuais.
O que pensam os analistas
Um dos primeiros apontamentos feitos pelos analistas dos bancos Safra e BTG Pactual é sobre a dificuldade de análise dos números mostrados pela empresa e os resultados anteriores e projeções, já que a Hapvida não divulgou uma simulação de como seria essa comparação com a entrada dos resultados do Grupo NotreDame Intermédica
Sem uma diretriz pró-forma, os analistas apontam que as conclusões podem ser imprecisas. Ainda assim, os números foram considerados fracos.
Se não fosse pela adição de vidas com a compra da CCG, a Hapvida teria reportado uma queda na sua base de beneficiários. A inflação que pressiona os custos e despesas ainda não é totalmente coberta pelo reajuste dos planos individuais e o cenário macroeconômico complicado limita o crescimento. Além disso, a alta sinistralidade colabora para a pressão nas margens.
Mas, aparentemente, o pior já passou. Para os próximos meses, a expectativa é que a Hapvida volte a mostrar uma recuperação das suas margens. O Banco Safra reforça que uma recuperação do valor dos papéis só deve ocorrer com uma expansão orgânica satisfatória.
A companhia tem recomendação de compra do Banco Safra, Credit Suisse, XP Investimentos, BTG Pactual e Bradesco BBI.
Os analistas do Credit apontam que o modelo verticalizado, com a operadora fornecendo todos os serviços de saúde essenciais, tem terreno para crescer em um cenário economicamente restrito, com a Hapvida na frente dos seus competidores e o modelo acumulando vantagens diante das pressões inflacionárias.
Os analistas do Safra veem as ações com menos riscos de queda nos próximos meses, já que os prognósticos são positivos e devem sustentar o preço dos papéis no futuro. Para o banco, as ações possuem um potencial de alta de 70%.
O BTG Pactual também acredita que o resultado do primeiro trimestre não conta a história completa. “Trata-se de um período de transição. As consolidações são recentes, com as sinergias que ocorrerão, os números devem melhorar”. O banco de investimentos, no entanto, reduziu o seu preço-alvo para o fim de 2022, agregando uma redução do ritmo de crescimento – a R$ 12, com 53% de potencial de alta .
As projeções do Itaú BBA e do Morgan Stanley também estão mais conservadoras após a decepção do primeiro trimestre, mas o banco brasileiro aponta que as ações podem mais que dobrar de valor assim que a lucratividade voltar a crescer - no fechamento de ontem, as ações estavam cotadas a R$ 7,84, e o preço-alvo da instituição é de R$ 17. Já o banco americano vê o momento atual como um bom ponto de entrada para os papéis.
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024
Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan
O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra
Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março
A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%
Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital
O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online