Copom cumpre o esperado e mantém a Selic em 13,75% ao ano — mas há preocupação com o cenário fiscal
Como já era esperado pelo mercado, a Selic se manteve estável em 13,75% ao ano, mas o BC deixou um recado para os riscos no radar

A última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central teve um roteiro previsível para o mercado financeiro — a estabilidade da taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano e um tom mais duro do BC brasileiro com relação ao risco fiscal futuro, o que levou a uma revisão das expectativas de inflação.
A decisão, divulgada há pouco, foi unânime. Essa foi a terceira reunião consecutiva em que o Copom decidiu pela manutenção da taxa básica de juros no patamar atual. Você pode conferir o comunicado completo aqui.
O ciclo de alta da Selic chegou ao fim em setembro, após um ano e meio de ajuste na taxa básica de juros — bem antes do movimento visto em economias mais desenvolvidas, como Estados Unidos e União Europeia. Em 2022 foram cinco elevações — de 1,5 p.p. em fevereiro, três de 1,0 p.p. em março, maio e junho e uma alta final de 0,5 p.p. em agosto.
- Selic a 13,75%: onde investir? Esta corretora ofereceu diversos títulos de renda fixa com retorno bruto superior a 100%. Um deles, por exemplo, pagava 109,13% em cinco anos. É mais do que o dobro do seu investimento, com a garantia do FGC de até R$ 250 mil por CPF. Essa oferta já foi… mas não se preocupe. Agora, todos os dias úteis, ela vai revelar gratuitamente uma nova oferta de renda fixa em um grupo exclusivo no Whatsapp. Libere seu acesso ao Grupo 'VIP' de investidores aqui.
O encerramento do aperto monetário coincide com o arrefecimento visto no principal indicador de inflação do país — o Índice de Preços no Consumidor Amplo (IPCA) está acumulado em 6,47% nos últimos 12 meses, longe do pico de 12,13% visto em abril.
Apesar disso, no comunicado, o BC apontou que, embora tenha se registrado queda recente em itens afetados por medidas tributárias, a inflação ao consumidor segue elevada, e a subjacente está acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta de inflação.

O que aconteceu desde a última reunião
Essa foi a primeira reunião do Comitê de Política Monetária desde a definição da eleição presidencial, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no fim de outubro.
Leia Também
De lá para cá, as perspectivas do mercado com relação ao risco fiscal se deterioraram de forma expressiva — os investidores deixaram de projetar um corte nos juros já no primeiro semestre de 2023, pelo contrário. Os temores levaram a curva de juros a precificar um novo aumento na Selic, acima da casa dos 14% ao ano.
O “x” da questão para os investidores foram os planos do governo eleito para financiar uma elevação nos gastos públicos de forma a honrar algumas das promessas prioritárias feitas por Lula — como a reestruturação do Bolsa Família e a elevação do benefício que vinha sendo pago.
Desde a primeira semana do governo de transição, a equipe de Lula deixou claro que iria tentar ampliar o teto de gastos por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mas até que se tivesse uma ideia concreta sobre qual seria o tamanho do cheque, o mercado financeiro temeu pelo pior.
O teto de gastos, que precisou ser contornado nos últimos anos por conta das despesas geradas pela pandemia do coronavírus, parecer ter sido oficialmente aposentado, sem uma nova âncora fiscal dando garantias de que as contas públicas ficarão sob controle pelos próximos anos — principalmente quando não se sabe quem será o responsável por conduzir o Ministério da Economia no terceiro mandato de Lula.
A tensão que reinou ao longo de novembro ainda deixa resquícios no ar, mas os últimos dias trouxeram algum alívio. O texto que foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) foi reduzido em R$ 30 bilhões, com o custo total ficando em R$ 168 bilhões por dois anos — um prazo menor do que o inicialmente requisitado.
Além disso, os senadores decidiram que uma nova âncora fiscal deve ser apresentada por meio de lei complementar até agosto do próximo ano.
- Quer ter acesso a títulos de renda fixa ‘premium’? Você pode receber as melhores ofertas diariamente, direto no seu WhatsApp, assim que elas ficarem disponíveis. É totalmente gratuito. CADASTRE-SE AQUI
O texto agora está sendo analisado pelo Congresso e precisa ser aprovado nas duas casas legislativas em dois turnos. Nesta quarta-feira (07), a pauta está sendo discutida no Senado e deve ser votada ainda hoje.
Ao longo do último mês, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, chegou a comentar a reação negativa do mercado aos ruídos políticos. Campos Neto lembrou que o equilíbrio fiscal é primordial para a boa resposta da política monetária e condução da inflação em direção à meta, mas apontou que pode ser cedo para determinar de que forma o novo governo deve conduzir as contas públicas.
O recado do Copom
Devido ao grande grau de incerteza visto nos mercados no último mês, principalmente a volatilidade da curva de juros, todos esperavam um recado mais duro do BC sobre a situação fiscal — e não foram decepcionados.
Ao citar os riscos que podem pressionar ainda mais os indicadores de inflação, os diretores do Copom salientaram a forte incerteza sobre o futuro arcabouço fiscal do país e estímulos fiscais que possam estimular a demanda agregada. De acordo com o comunicado, "a conjuntura, particularmente incerta no âmbito fiscal, requer serenidade na avaliação dos riscos".
"O Comitê acompanhará com especial atenção os desenvolvimentos futuros da política fiscal e, em particular, seus efeitos nos preços de ativos e expectativas de inflação, com potenciais impactos sobre a dinâmica da inflação prospectiva".
Mostrando como a movimentação recente preocupa, houve uma revisão para cima das projeções de inflação — 6% em 2022, 5% em 2023 e 3% em 2024. No boletim Focus, esses mesmos vencimentos apresentam expectativa de 5,9%, 5,1% e 3,5%, respectivamente.
A primeira percepção do mercado parece ser a de que os dirigentes do BC devem esperar sinais mais concretos para sinalizar uma mensagem mais contundente sobre a trajetória fiscal, mas o texto do comunicado se mostrou marginalmente mais duro do que os últimos.
O comunicado também trouxe um reforço de que o horizonte relevante para a política monetária é de 18 meses (seis trimestres). Ou seja, 2023 e 2024.
Entre os outros riscos destacados pelo BC estão uma persistência das pressões inflacionárias globais, enquanto uma queda adicional das commodities internacionais e uma desaceleração mundial maior do que a esperada compõem os riscos de baixa.
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China
A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Boletim Focus mantém projeção de Selic a 15% no fim de 2025 e EQI aponta caminho para buscar lucros de até 18% ao ano; entenda
Com a Selic projetada para 15% ao ano, investidores atentos enxergam oportunidade de buscar até 18% de rentabilidade líquida e isenta de Imposto de Renda
Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024
Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan
O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra
Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março
A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%
Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda
Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é
O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital
O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado
Para o BTG Pactual, essa mineradora conseguiu virar o jogo em suas finanças e agora oferece um retorno potencial atraente para os investidores; veja qual é o papel
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita
Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%
O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje
CEO da Americanas vê mais 5 trimestres de transformação e e-commerce menor, mas sem ‘anabolizantes’; ação AMER3 desaba 25% após balanço
Ao Seu Dinheiro, Leonardo Coelho revelou os planos para tirar a empresa da recuperação e reverter os números do quarto trimestre