Criptomoedas ou ouro? Com estas stablecoins você pode colocar dinheiro nos dois; entenda como funcionam as moedas lastreadas no metal precioso
Aqui nós te damos algumas dicas de como evitar fraudes e guardar sua carteira digital (wallet) e aumentar a segurança dos seus investimentos

“Incerteza” é a palavra da vez para o mercado internacional. E quando ela começa a aparecer no noticiário, os investidores tentam refúgio em ativos seguros, como petróleo, ouro e títulos do Tesouro. Mas existe uma classe de criptomoedas que colocou uma alternativa a mais para os investidores: as stablecoins.
Esta reportagem faz parte de uma série especial sobre as stablecoins, as criptomoedas com lastro em ativos reais. A nossa primeira matéria foi sobre como esse mercado reagiu à destruição do protocolo Terra (LUNA) e a criptomoeda estável da rede Terra Network, a TerraUSD (UST).
As moedas mais comuns são lastreadas no dólar americano, mas existem stablecoins em outras moedas. No entanto, hoje nós trataremos de criptomoedas com lastro em commodities. Mais especificamente, as stablecoin em ouro.
Essa é uma das maneiras de investir no metal precioso, indicado pelo nosso colunista, Matheus Spiess, economista da Empiricus, como uma proteção contra o fim dos estímulos à economia.
Enquanto as stablecoins em dólar chegaram a perder paridade com o dólar, essas criptomoedas lastreadas em ouro mal sentiram o abalo: os gráficos seguiram o preço do ouro mesmo durante os piores dias da crise com a Terra:



O ajuste do ouro aconteceu após o metal precioso se aproximar das máximas históricas — ainda que a crise da Terra (LUNA) tenha começado no mesmo dia 7 de maio, um evento não tem relação com o outro.
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Para entender como elas funcionam, como investir e o que levar em conta para se proteger, eu conversei com William Ou, CEO da Token.com Brasil, empresa especializada em tokenização de ativos, sobre essa classe de investimentos — e os riscos dela.
Como funciona uma stablecoin em ouro
Como o próprio nome já diz, essas moedas estáveis não sofrem oscilações típicas do mercado de criptomoedas, por estarem relacionadas a ativos menos voláteis.
Vamos usar como exemplo o Tether (USDT), a terceira maior criptomoeda do mundo. Para cada token (criptomoeda) emitido, a empresa por trás da emissão dessa stablecoin — a Tether Holdings — tem que ter um dólar.
Isso significa que a companhia tem estocado US$ 49 bilhões porque existem 49 bilhões de tether em circulação no mercado.
Com o ouro não é diferente: as duas maiores stablecoins em ouro do mundo, a Paxos Gold (PAXG) e a Tether Gold (XAUT), afirmam que possuem o equivalente a uma onça-troy (31,10 gramas) do metal precioso — que custa cerca de US$ 1.850 — para cada token emitido.
Mas como garantir que isso é verdade?
Ouro de verdade? Sim
Para garantir que possuem a quantidade de ouro necessária para emitir a criptomoeda, essas empresas passam constantemente por auditorias que confirmam a existência daquele metal em seus cofres.
No caso da Paxos, a empresa é auditada pela consultoria Withum, que confirmou a existência do ouro no último relatório da companhia. O mesmo acontece com a Tether Holdings, que foi inspecionada pelo MHA Cayman da última vez, mas também é assessorada pela londrina Moore.
Ambas confirmaram que as reservas de ouro da Paxos e da Tether Holdings são equivalentes à quantidade de stablecoins emitidas. E sim: você pode receber a sua barra de ouro se comprar com eles.
“Se você requisitar a entrega física do ouro para a TG Commodities Limited, a empresa providenciará seu trânsito seguro para o endereço de entrega na Suíça especificado por você”
diz uma publicação das perguntas mais frequentes da Tether Holdings
O crescimento das stablecoins em ouro
Em meio a uma demanda crescente por ativos seguros, o ouro disparou e chegou perto de atingir os US$ 2 mil a onça-troy. O motivo foi o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, que também fez disparar o petróleo naquele período.
As stablecoins de ouro, por sua vez, também viram essa procura crescer no mercado de criptomoedas.
Segundo a pesquisa da Kaiko, durante a disparada de 9,24% do ouro do início de 2022 até o pico em fevereiro, o volume de stablecoins em ouro também disparou — com destaque especial para o PAX Gold, que teve o maior avanço.
E os números não mentem:
Símbolo | Nome | Valor de mercado | Volume negociado (24h) |
XAUT | Tether Gold | US$ 422 milhões | US$ 4,2 milhões |
PAXG | Paxos Gold | US$ 608 milhões | US$ 39,6 milhões |
Apesar de ser um investimento pouco conhecido, tanto o PAX Gold quanto o XAUT estão disponíveis nas principais exchanges do mundo, como Binance, Bybit, FTX, Bitget e Gate.io, entre outras.
Por que colocar dinheiro em criptomoedas de ouro?
Para conseguirmos comparar um investimento em barras de ouro com outro, pegamos como exemplo o SPDR Gold Shares (GLD), maior fundo negociado em bolsa lastreado em barras de ouro do mundo.
Apesar de ser um investimento altamente seguro e negociado em Wall Street, existe uma desvantagem do GLD em relação às stablecoins: as taxas do fundo. E é aí que as criptomoedas ganham vantagem.
No documento do fundo na SEC — a CVM americana —, é descrita uma taxa de 0,40% ao ano. Essa tarifa é a soma de porcentagens diárias calculadas sobre o valor do fundo no fechamento do pregão.
Por se tratar de um ativo estável, essa taxa gira em torno de US$ 70 anuais.
Já as stablecoins em ouro não têm esse tipo de cobrança. O cliente paga as taxas de negociação da corretora (exchanges) — que podem variar de uma para outra — no ato da compra e apenas isso.
No longo prazo, vale mais a pena investir nessas criptomoedas do que em um fundo lastreado em ouro, se levarmos em conta apenas esse ponto de vista.
Outra vantagem é a possibilidade de comprar uma fração de stablecoin em ouro e não uma cota inteira de um fundo — o GLD custa cerca de US$ 178,19 — ou uma onça do metal precioso — que custa cerca de US$ 1.850.
Os cuidados de investir em stablecoins de ouro
William Ou, CEO da Token.com Brasil, alerta sobre os principais riscos antes de se começar a investir em stablecoins de ouro.
“Em primeiro lugar, saiba quem é o emissor daquela criptomoeda. Em segundo, se aquele emissor é confiável; e terceiro, como você irá guardar suas chaves privadas e proteger seus investimentos”
afirma o CEO da Token.com
Recentemente, o caso da TerraUSD (UST), a stablecoin da Terra Network, a rede de uma das moedas mais promissoras do mundo, recebeu um duro golpe que respingou em todo mercado. Devido a um problema no protocolo — que também engloba a criptomoeda Terra (LUNA) —, a UST perdeu paridade com o dólar.
Esse movimento desencadeou uma série de questionamentos sobre as falhas da formação de stablecoins geridas por algoritmos. A própria secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, conhecida por seus posicionamentos duros contra as stablecoins, aproveitou a oportunidade para voltar a criticar essas criptomoedas com lastro em outras moedas.
Assim, o risco de uma desestabilização do mercado pode afetar criptomoedas geridas por código. Mesmo com uma empresa por trás, o investidor pode sentir alguns solavancos com um momento difícil para o mercado — como aconteceu nos últimos dias.
Corretoras e custódia privada
A Tether Holdings já foi multada pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC) por “omitir fatos relevantes” às autoridades americanas.
Quando questionado sobre isso, William Ou afirma que o início de vida da iFinex — controladora da Tether Holdings e da exchange Bitfinex — é realmente conturbado. Não obstante, alguns problemas foram superados e, hoje, o Tether (USDT) é a terceira maior criptomoeda do mundo.
Se você tem a sua carteira digital (wallet) privada, aplique um validador em duas etapas — que pode incluir senha, biometria ou PIN — e guarde bem as suas chaves de segurança.
Existem alguns aplicativos que fazem essa gestão de senha de maneira segura e gratuita, mas também é possível anotar em um papel — mas cuidado para não perdê-lo!
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