Metaverso: mais macaco do que galho e o risco de uma bolha
A quantidade de mundos virtuais, os metaversos, não para de crescer. Resta saber quem vai usar estes espaços em muitos projetos sem uso prático

Foi em 1978 que Charles Kindleberger publicou o seu "Manias, pânicos e crashes", um livro que se tornaria praticamente canônico quando o assunto são bolhas e crises financeiras.
Dentre as mais difundidas pelo livro, está a "bolha das tulipas". Segundo a história (que hoje sabemos não estar exatamente correta), os holandeses do século 17 entraram em uma febre para colecionar tulipas.
Nesta febre, um bulbo de tulipas chegava a ser negociado por o equivalente a uma mansão, ou toneladas de grãos.
Estudos mais recentes mostram que há uma completa lacuna de casos realistas na época, sem qualquer sobressalto em casos de falência, mas que o conceito da "tulipamania" na verdade foi difundido no século 19 por grupos religiosos moralistas que atribuíam o caso a um dilema moral do capitalismo (não custa lembrar que os holandeses inventaram a bolsa de valores e o mercado financeiro moderno).
Outros casos, estes com comprovações maiores, como a bolha da Companhia do Mississipi, na França do século 18, infelizmente ganharam menor atenção.
Neste caso, John Law, um escocês radicado na França, criou uma bolha especulativa ao ganhar do rei francês o direito de emitir ações de sua empresa que poderiam ser convertidas em títulos públicos, e possuíam o mesmo valor.
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Na prática, Law ganhou o poder de criar dinheiro. O resultado? A maior bolha financeira do século e uma das maiores da história.
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Como identificar uma bolha?
Para tristeza de quem estuda o assunto, causos moralistas sobre a natureza humana e sua "ganância" se destacam frente aos casos realistas.
Ainda assim, é possível dizer que hoje sabemos bastante sobre bolhas e crises, exceto um detalhe: prever a próxima.
Nossos Jon Laws modernos, os dirigentes dos bancos centrais, possuem dezenas de modelos dos mais inovadores possíveis, mas a sensação é a de que, de certa forma, estamos tentando sair de uma bolha neste modelo.
Vivemos em um momento onde os Estados modernos estão no ápice do endividamento, com apenas os EUA devendo US$ 30 trilhões. Qualquer subida de juro pode tornar a situação ainda mais complicada.
Neste jogo de adivinhação entre os BCs que sabem ser preciso elevar os juros e o mercado a espera de quanto será a dose, a tal bolha que se criou graças ao dinheiro com juro zero vai desinflando.
Empresas de tecnologia já perderam ao menos US$ 2,6 trilhões em valor de mercado, tudo pela expectativa de que o custo do dinheiro irá subir.
Em outro mercado, muito mais novo, a situação parece controversa.
As criptomoedas têm sofrido com o cenário de techs em baixa, como é o caso do bitcoin e do próprio ethereum.
Ambos seguem espremidos por um sinal de que a liquidez irá cair no mundo, o que coloca à prova suas teses de investimento como ativos anti-inflacionários.
Em setores mais "hypados", porém, a situação é distinta.
Nos últimos meses a expectativa por tecnologias futuristas, como o metaverso, tem impulsionado alguns segmentos de cripto, como é o caso das NFTs.
A maior das coleções na área, a do Bored Ape, segue chamando atenção, em especial pelos famosos que adquirem a coleção, como é o caso do Neymar.
Produtos físicos relacionados aos Apes têm chamado a atenção numa busca por justificar a marca e o hype que se criou em torno da coleção.
Já no mundo nativo dos Bored Ape, o digital, a Yuga Labs, criadora da coleção, emplacou um feito controverso. O seu metaverso, que deve contar com 100 mil NFTs, foi recordista de vendas, com mais de $300 milhões negociados em um único dia.
Na outra ponta, o excesso de demanda provocou custos imensos em taxas de transação da rede ethereum. Na prática, o setor viu a infraestrutura da rede fraquejar.
Ainda assim, o lançamento é um feito importante para a empresa, que há poucos meses recebeu um investimento de US$ 400 milhões por parte da empresa de Venture Capital Andreessen Horowitz.
Consolida uma disputa pela criação de uma tendência que todos parecem concordar ser real, mas que pouco se sabe sobre como será de fato.
O que se sabe do metaverso
Até o momento, o metaverso é um conceito amplo, bastante distante daquele projetado por Steven Spielberg em seu filme "Jogador número 1". De fato, os gráficos de metaversos existentes hoje parecem piores do que aqueles de 15 anos atrás do Second Life.
Talvez você não se lembre, mas o Second Life chegou a ser uma "tendência". Uma espécie de Orkut com bonecos digitais mal feitos, o SL chegou a ser palco do lançamento de novelas, filmes e produtos diversos.
Sim, muito antes de Gucci e outras marcas realizarem desfiles virtuais e outras coisas do tipo que atraíram atenção da mídia e dos consumidores.
De lá pra cá, a tecnologia mudou, com o uso da blockchain, que permite ao usuário ser dono dos seus itens e "trocar de universos", mantendo suas posses. Essa é a grande promessa.
Outro ponto relevante está na criação de novos mecanismos de acesso, os tais óculos de realidade virtual.
Também nessa mesma linha já tentamos com os óculos do Google (de fato, realidade aumentada), e não parece ter pegado. Mas agora, mais de uma década depois, gigantes como Facebook e Apple parecem estar organizando melhor as ideias.
No campo cripto, há algumas alternativas de mundos digitais, como The Sandbox, uma empresa que já vale US$ 4 bilhões, ou Descentraland.
Em comum, todos buscam criar mundos digitais e se aproveitar de uma suposta escassez de terras.
Escassez tem sido a palavra chave para vender e captar. Foi este o caso de The Sandbox, Descentraland e Otherside (o metaverso dos Bored Ape). E este pode ser o maior problema em breve.
A velha especulação, agora na versão metaverso?
No fundo, os investimentos não estão ocorrendo pois se acredita que as pessoas vão usar, afinal, todo mundo sabe que os gráficos são ruins e nada atrativos para convencer alguém a realmente usar isso.
A expectativa está em atrair novos compradores no futuro e lucrar na boa e velha especulação imobiliária.
Como no Japão dos anos 80, onde apenas a terra era equivalente a 65% da riqueza do país e um metro quadrado podendo custar até meio milhão de dólares, os investidores do metaverso estão pouco preocupados em atrair usuários, e muito em atrair investidores.
E como você já deve ter sacado, os recursos disponíveis para investimentos de risco estão começando a ficar caros graças à alta de juros.
Não seria surpresa portanto se logo percebermos que as modas de criar escassez em projetos sem uso prático não devem ter vida longa. No fundo, há muito metaverso pra pouco usuário disposto a encarar o tédio virtual.
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