Rodolfo Amstalden: Entre a hipérbole e o eufemismo
Se estamos prestes a cometer um erro grave, e parcialmente cegos em relação a isso, o mercado fornecerá rapidamente um simulacro dos resultados desse erro: desvalorização cambial, alta dos juros futuros, queda da Bolsa

Sabemos que o mercado é bom em adiantar expectativas.
Conforme a HER (Hipótese de Expectativas Racionais), os diversos agentes que atuam no mercado se utilizam das melhores informações disponíveis para calcular os efeitos futuros a partir das causas presentes.
Por exemplo:
- uma PEC de Transição com estouro de até R$ 150 bilhões, por dois anos, é entendida como tolerável diante das circunstâncias atuais.
- outra PEC com estouro de R$ 200 bilhões ultrapassa os limites do razoável, comprometendo a convergência dos nossos índices de endividamento.
Essa capacidade de adiantar o futuro ultrapassa o pragmatismo do apreçamento, pois produz também virtudes éticas altamente instrutivas, úteis do ponto de vista social-econômico.
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Se estamos prestes a cometer um erro grave, e parcialmente cegos em relação a isso, o mercado fornecerá rapidamente um simulacro dos resultados desse erro: desvalorização cambial, alta dos juros futuros, queda da Bolsa.
Nesse sentido, não há qualquer dissonância entre o que o mercado gosta e o que é bom para o povo brasileiro.
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Contudo, precisamos reconhecer que a formação de expectativas não se dá de forma estritamente racional - conforme prega a HER -, mas visando sobretudo a sobrevivência.
Entre pensar corretamente e sobreviver, o mercado prefere sobreviver.
Em termos práticos, isso nos leva a uma importante assimetria.
Quando se trata de adiantar expectativas ruins, o mercado exagera para baixo, graças à predominância da aversão ao risco. No limite, é melhor passar um recado tenebroso para uma notícia desagradável do que passar um recado desagradável para uma notícia tenebrosa.
Por outro lado, ao adiantar expectativas boas, o mercado precifica com eufemismos, em vez de exagerar para cima. Na dúvida, é melhor comemorar o gol depois que a bola entrar e o VAR validar.
Dito isso, surgem oportunidades de compra a partir das diferenças entre adiantar o futuro pela razão e adiantá-lo por preceitos de sobrevivência.
Na média, notícias ruins geralmente não se provam tão ruins assim, e notícias boas podem se provar ainda melhores quando efetivamente confirmadas.
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