Outras lições de 2022: juros altos, desvalorização e dividendos — a matemática do investimento em ações
É preciso evitar ao máximo as armadilhas, especialmente daquelas ações que parecem já ter chegado no fundo do poço. O ano de 2022 fez questão de nos lembrar que o fundo do poço tem porão.

Na última coluna deste 2022, que deixará poucas saudades para quem investe em ações, vamos continuar conversando sobre as grandes lições que o ano deixou para os investidores.
Na semana passada, conversamos sobre como as previsões podem te atrapalhar, sobre a necessidade de exigir uma margem de segurança e, também, sobre as vantagens de aprender a "fazer nada" quando as oportunidades não são suficientemente atrativas.
Hoje vamos falar das outras lições que 2022 nos ensinou, e que ajudarão a nos tornar investidores ainda melhores nos próximos anos.
Lição #4: a taxa básica de juros faz uma diferença brutal
Quando começamos a investir, muitas vezes aprendemos a prestar atenção nos lucros, nas margens, no capital de giro, no endividamento, etc, mas só quando realmente mergulhamos nas entranhas do valuation é que nos damos conta de como a taxa de juros pode ajudar – ou destruir – o preço de uma ação.
Vamos usar como exemplo o banco BR Partners, um ativo que gostamos bastante e que faz parte da série Microcap Alert , e é muito sensível à variação de juros.
Um "simples" ajuste na Selic de 13,75% para 10% faria o nosso "preço-alvo" mais do que dobrar. Mas existe o outro lado da moeda: um ajuste para cima de 10% para 13,75% na taxa acaba reduzindo o preço justo em mais de 50%, um efeito que ajuda a explicar boa parte das desvalorizações na bolsa que vimos neste ano.
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Isso quer dizer que você precisa conferir o Relatório Focus para entender onde estará a taxa Selic em 2023? Você já aprendeu na Lição #1 que isso não vai adiantar nada, não é mesmo?
Não se trata de adivinhação, mas de tentar entender mais uma vez a tal da margem de segurança.
Em março de 2021, quando a Selic estava em apenas 2%, mesmo uma inflação controlada ainda deixava a assimetria desfavorável, com mais chances de o juro voltar a subir e impactar negativamente o preço das ações.
Em dezembro de 2022, com a taxa de juros próxima das máximas, não sabemos quando ela vai voltar a cair e nem até onde ela pode recuar. Mas nos níveis atuais, e pensando no longo prazo, a assimetria desta vez nos parece bem mais favorável.

Mesmo assim, antes de sair comprando algumas ações para o longo prazo por causa dessa assimetria, é preciso evitar ao máximo as armadilhas, especialmente aquelas que parecem já ter chegado no fundo do poço. O ano de 2022 fez questão de nos lembrar que o fundo do poço tem porão.
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Lição #5: fundo do poço tem porão
A Cogna parecia ter chegado ao fundo do poço quando as ações caíram de R$ 20 para R$ 5. Mas COGN3 recuou mais 60% depois disso.
Quando as ações do IRB baixaram de R$ 40 para R$ 5 por conta de fraudes contábeis, muita gente também achou que o papel tinha atingido o fundo do poço. Hoje IRBR3 negocia na casa dos centavos, mais de 80% abaixo do que parecia ser o "fundo do poço".
Os exemplos em 2022 são vários, mas você já deve ter entendido o meu ponto.
O importante aqui é entender o que essas companhias têm em comum, para evitar esse perfil quando for investir.
As empresas cujas ações se desvalorizam 70%, 80% ou até 90% em poucos meses normalmente têm em comum múltiplos caros, não são lucrativas, não distribuem dividendos e têm um elevado consumo muito caixa.
O ambiente ainda continuará muito difícil para essas empresas por mais algum tempo, e mesmo que suas ações tenham despencado, você já deve ter entendido que isso não significa que não podem cair mais.
Enquanto essas empresas sofrem, as chamadas Vacas Leiteiras se sobressaem quando o ambiente macroeconômico piora muito. Mas quem são essas empresas?
Lição #6: se o macro piorar, foque em geração de caixa e dividendos
Em quase todas as empresas que estão entre as dez maiores valorizações do Ibovespa em 2022 encontramos múltiplos baixos (margem de segurança), boa geração de caixa e ótimos dividendos distribuídos aos acionistas.
Antes de continuar, é importante dizer que essas são exatamente as características que buscamos na série Vacas Leiteiras, e não é à toa que praticamente metade dessas dez empresas que mais se valorizaram em 2022 estão na série.
Mas por que essas são características preferíveis em momentos adversos?
Para começar, os dividendos mostram um bom sinal de saúde financeira: na grande maioria dos casos, empresas que pagam muitos dividendos só fazem isso porque conseguem gerar bons resultados.
Além disso, por mais que o cenário esteja ruim, os dividendos oferecem uma espécie de "piso" para os papéis. Por exemplo, com a Selic em 14%, uma ação que negocia por R$ 100 e paga R$ 10 de dividendos (10% de yield) pode não parecer uma oportunidade imperdível para a maioria dos investidores.
Mas se essa mesma ação cai para R$ 50, o yield passaria a ser de 20%, o que certamente atrairia muitos investidores e ajudaria a estabelecer um novo fluxo comprador, que provavelmente levaria os papéis para mais próximo dos R$ 60 ou R$ 70.
Não é à toa que, mesmo em um ano muito complicado para ativos de renda variável, a carteira sugerida no Vacas Leiteiras se destacou com o melhor resultado entre as séries da Empiricus. E se 2023 continuar difícil assim, tem tudo para ser mais um ano bom para as geradoras e distribuidoras de caixa. Se quiser, você pode conferir aqui a lista completa com essas ações.
Lição #7: cash is king – especialmente rendendo 14% ao ano
Assim como foi nos dois anos anteriores, 2022 mostrou mais uma vez a importância de se ter caixa.
Inflação ainda elevada, aumento dos juros lá fora e sinais de irresponsabilidade fiscal do próximo governo são fatores que atrapalharam muito o desempenho das ações brasileiras.
Quem estava 100% investido em renda variável, além de provavelmente ter perdido uma boa grana, acabou não podendo aproveitar algumas boas oportunidades de compra que surgiram ao longo do ano, justamente porque não tinha mais dinheiro em caixa.
Mas fica pior: os brasileiros estão recebendo uma remuneração de 13,75% ao ano sem risco para deixar o dinheiro "esperando" no Tesouro Selic.
Como eu já disse várias vezes, o Tesouro Selic não é capaz de deixar ninguém rico. Por isso, se está começando com pouco e tem o objetivo de acumular um bom patrimônio, você vai precisar da assimetria das ações no seu portfólio para te ajudar a chegar lá.
Mas neste momento, com um rendimento próximo de 14% ao ano, deixar metade do seu portfólio investido em renda fixa esperando a oportunidade perfeita de aumentar a quantidade de ações na carteira me parece uma ótima estratégia.
Quem sabe as desvalorizações de 2022 não criem a oportunidade perfeita para se comprar ótimas ações por preços incríveis no ano que está para chegar. Estaremos de olho.
Antes de encerrar, desejo um excelente 2023 para você e sua família.
Um grande abraço e até a semana que vem!
Ruy
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