A alta estrutural do petróleo: como a questão ucraniana pode influenciar?
Tensões entre Ucrânia e Rússia podem pressionar os preços da commodity, dando uma mãozinha para o barril chegar à marca dos US$ 100

A visibilidade não poderia ser menor para nós analistas de mercado. Em especial, a incerteza em torno dos planos do Federal Reserve sobre o aperto monetário nos EUA levou Wall Street à sua pior semana desde o início da pandemia.
Ontem (24), curiosamente, o medo e a confusão dos agentes não poderiam ser maiores — depois de chegar a cair mais de 3% em NY, os índices fecharam o dia em alta.
O nervosismo e a falta de direção, contudo, não se devem somente à normalização monetária dos países desenvolvidos. Soma-se ao processo um risco geopolítico com potenciais desdobramentos graves.
Brevemente, os investidores estão começando a prestar atenção à situação na Ucrânia à medida que crescem os temores de que o presidente russo Vladimir Putin possa ordenar uma invasão.
Não é de hoje o interesse russo no país. As coisas já tinham ganhado contornos agressivos em 2014 quando a Rússia ocupou a Crimeia. Agora, a iniciativa é ainda mais ambiciosa, com Putin acumulando tropas na fronteira do país.
A situação ganhou mais dois episódios.
Leia Também
O primeiro foi durante o fim de semana, quando os Estados Unidos e o Reino Unido sugeriram a retirada de alguns funcionários e suas respectivas famílias de suas embaixadas.
O segundo se deu quando os líderes ocidentais convocaram uma reunião de emergência para discutir a situação.
Algumas autoridades do Departamento de Estado americano disseram que a decisão foi tomada com "muita cautela", mas foi o suficiente para deixar os investidores ainda mais ansiosos.
Como se não bastasse termos que nos preocupar com a inflação e a velocidade do aperto monetário do Fed, ainda precisamos ficar atentos a questões geopolíticas. O meu entendimento, porém, procura ir um pouco além.
Afinal, quem se beneficia desse processo na Ucrânia?
Teme-se que uma escalada na Ucrânia possa interromper o fluxo de fornecimento de energia para a Europa, enviando preços já elevados para a estratosfera. Duas commodities energéticas me chamam a atenção: i) o gás natural; e ii) o petróleo.
Com o segundo estou especialmente construtivo.
Nos últimos dias, a cotação do barril subiu rapidamente, com o contrato Brent, negociado em Londres e benchmark para a Petrobras, ultrapassando os US$ 85 por barril (chegamos a US$ 88 no dia 20 de janeiro). É o patamar mais elevado para a matéria-prima em sete anos.
Mesmo sem o fato novo já havia otimismo em torno do óleo, com os investidores se mostrando confiantes de que os efeitos da variante ômicron na economia global poderiam ser contidos, o que significaria que a demanda robusta por combustível provavelmente continuará. Adicionalmente, a oferta também pode ser limitada (vide Opep+), apesar dos esforços dos EUA e aliados em liberarem suas reservas.
Agora, se as tensões entre a Rússia e a Ucrânia aumentarem, a incerteza inicial sobre seu impacto nos fluxos das commodities energéticas provavelmente levaria o mercado a mais uma vez adicionar um prêmio de risco significativo aos preços do gás europeu.
Claro, um choque nos mercados de energia prejudicaria a economia da região à medida que se recupera da pandemia, mas podemos ter o gatilho que precisávamos para o petróleo no curto prazo.
Por isso, ainda acredito que seja viável um patamar de petróleo ao redor de US$ 100 até o final do ano, de maneira estrutural, para além dos choques de curto prazo. Foi o que também projetou a Agência Internacional de Energia (AIE, ou IEA na sigla em inglês), que monitora as tendências no mercado de energia para os países mais ricos.
A agência aponta um aumento da demanda global diária de petróleo de 3,3 milhões de barris em 2022, para 99,5 milhões. Caso confirmada, isso corresponderia ao recorde de demanda anterior em 2019, em níveis pré-pandêmicos.
Ou seja, mesmo em meio à transição energética pela qual devemos continuar passando durante a década até 2030 e, mais profundamente, até 2050, espera-se que a demanda por petróleo aumente em todo o mundo neste ano, liderada por países como China, Índia e Estados Unidos, levando potencialmente ao patamar mais alto de consumo da commodity.
Com isso, se analisarmos para além das pressões de curto prazo (Ucrânia, por exemplo) e acompanharmos a resposta gerenciada no fornecimento de óleo aos preços do petróleo de longo prazo, impulsionados pelo investimento de capital em projetos e taxas de declínio de extração, não vejo como muito elevada a chance de uma correção grosseira no Brent.
Há inclusive casas, como a Sanford C. Bernstein & Co. LLC, que projetam o petróleo em 2025 na casa de US$ 109 por barril em seu cenário-base.
Por isso, para aproveitar este momento ainda mais, prefiro os fluxos de caixa associados ao barril de petróleo. Isto é, comprar as empresas de exploração que conseguem gerar ainda mais caixa para seus acionistas com patamares tão elevados de preço para o barril.
Essa dinâmica é ainda mais verdadeira enquanto as maiores empresas de petróleo estão tentando descobrir como se encaixam em um futuro mais verde.
Internacionalmente, meus nomes favoritos são Chevron (NYSE: CVX) e BP (NYSE: BP). No Brasil, gosto de 3R (B3: RRRP3) e Petrobras (B3: PETR4). Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Drill, deal or die: o novo xadrez do petróleo sob o fogo cruzado das guerras e das tarifas de Trump
Promessa de Trump de detalhar um tarifaço a partir de amanhã ameaça bagunçar de vez o tabuleiro global
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024
Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan
O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra
Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março
A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%
Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros
Agenda econômica: últimos balanços e dados dos Estados Unidos mobilizam o mercado esta semana
No Brasil, ciclo de divulgação de balanços do 4T24 termina na segunda-feira; informações sobre o mercado de trabalho norte-americano estarão no foco dos analistas nos primeiros dias de abril.
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado
Para o BTG Pactual, essa mineradora conseguiu virar o jogo em suas finanças e agora oferece um retorno potencial atraente para os investidores; veja qual é o papel
TIM (TIMS3) anuncia pagamento de mais de R$ 2 bilhões em dividendos; veja quem tem direito e quando a bolada cai na conta
Além dos proventos, empresa anunciou também grupamento, seguido de desdobramento das suas ações
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita