🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

A simplicidade é a maior das sofisticações na hora de investir

Para a tristeza dos estudiosos das Finanças, num daqueles paradoxos do conhecimento, quanto mais nos aprofundamos, parece que cavamos cada vez mais no subterrâneo

12 de setembro de 2022
18:55 - atualizado às 12:50
Investidor olha para tela de cotações e gráficos da bolsa | Opções, ações, Armínio Fraga dividendos
Imagem: Shutterstock

“Quando a morte veio buscá-lo, Thomas Buddenbrook ficou confuso e desesperado. Nada do que acreditava o consolava: nem a religião, que há muito tinha deixado de satisfazer às suas necessidades metafísicas, nem seu ceticismo e sua inclinação pelo materialismo de Darwin. Nada, nas palavras de Mann, conseguiu oferecer ao doente uma só hora de calma, ao se aproximar dos olhos penetrantes da morte.”

Recorro a Irvin Yalom e sua “Cura de Schopenhauer” para começar a semana. Ah, sim, também a música “I still haven’t found what I’m looking for”, de Bono Vox — que parece uma canção de amor, mas faz é uma canção sobre a fé. Em que acreditar depois de ter percorrido tudo e ainda não ter encontrado algo que ressone dentro de você? Poderia ainda ser uma versão mais brasileira: “Ideologia, eu quero uma pra viver”.

Esse sincretismo meio maluco me veio à cabeça enquanto lia Howard Marks, em mais um de seus brilhantes memorandos. Na semana passada, ele publicou: “The illusion of knowledge” (A ilusão do conhecimento).

Duas passagens sintetizam a ideia central do texto. 

A frase de Daniel J. Boorstin: “o maior inimigo do conhecimento não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento”, que poderia ser vista como uma variação da proposta de Nassim Taleb: “não ter mapa é melhor do que dispor de um mapa errado.”

E alguns parágrafos extraídos de artigo do historiador Niall Ferguson na Bloomberg: “considere por um momento o que está implícito quando propomos a pergunta: 'a inflação fez seu pico?’ Não estamos apenas perguntando sobre a oferta e demanda de 94 mil commodities diferentes, produtos manufatureiros e serviços. Estamos também questionando a respeito da trajetória futura da taxa básica de juros nos EUA, que, apesar da política de forward guidance, está longe de ser certa. Estamos perguntando sobre a sustentabilidade da fortaleza do dólar, à medida que isso tem segurado o preço dos produtos importados. 

Leia Também

Mas tem mais. Estamos, ao mesmo tempo, implicitamente perguntando quanto tempo vai durar a guerra na Ucrânia, dado que a ruptura nas cadeias produtivas causada desde fevereiro pela invasão russa exacerbou de maneira significativa a inflação de energia e os preços dos alimentos. Estamos perguntando se os produtores clássicos de petróleo, como a Arábia Saudita, vão atender aos pedidos do Ocidente por aumento da produção de óleo.

Provavelmente, deveríamos nos perguntar sobre os impactos sobre o mercado de trabalho das novas subvariantes da ômicron – dados do Reino Unido indicam que a BA.5 é 35% mais transmissível do que sua antecessora BA.2, que, por sua vez, era 20% mais transmissível do que a ômicron original.

Boa sorte ao adicionar todas essas variáveis ao seu modelo. Na realidade, é tão impossível ter certeza sobre o futuro da inflação quanto sobre o futuro da guerra na Ucrânia e a trajetória da pandemia.”

A ideia da impossibilidade de se fazer previsões fora de ambientes de laboratório e fora do Hard Science (ciências naturais ou exatas) não é propriamente nova. Não precisamos ir muito longe: Sextus Empiricus, homenageado em nosso batismo, escrevera “Contra os professores”. A realidade nunca poderá caber numa planilha ou num modelo econométrico. Por mais sofisticados que sejam, os modelos somente poderão contar com conhecimento sobre o presente e o passado, enquanto as decisões envolvem o futuro, que ainda está para acontecer, sempre permeado por uma série de coisas novas.

Até aí, nada muito novo, além da habilidade quase sem precedentes de Howard Marks de descrever o fenômeno em linguagem popular e capaz de nos entreter. Irvin Yalom está para a psiquiatria assim como Howard Marks está para a economia e finanças. 

Agora, sejamos muito sinceros: sem a capacidade de enxergar minimamente o futuro, sobra pouca coisa da literatura acadêmica ou prática para nos iluminar na gestão dos investimentos.

Pensemos no value investing clássico, que se assenta na ideia de que, ao comprar ações, adquirimos pedaços de empresas, de tal modo que essas compras devem ser feitas por preços inferiores a seus valores intrínsecos. O diabo é que este valor intrínseco, por mais sofisticados, diligentes e apoderados de eventual margem de segurança que estejamos, sempre estará sujeito a hipóteses sobre o futuro. O que seria um modelo de fluxo de caixa descontado, formulado originalmente por John Burr Williams mas apropriado por Buffett e sua turma, senão um conjunto de hipóteses sobre o comportamento futuro?

Em muitas situações, diferenças entre value e value trap (um caso realmente de valor, barato; e uma armadilha de valor, algo apenas aparentemente barato) serão conhecidas somente a posteriori – depois, claro, vai ficar óbvio e seu cunhado vai lhe perguntar: “como você não percebeu antes?”

As adjetivações e os rótulos na Faria Lima e no Leblon vão pelo mesmo caminho. O persistente não é nada além de um teimoso que deu certo, uma pessoa com quem a distribuição de probabilidades acabou sendo generosa. Quantos teimosos ficaram pelo caminho? E quantos foram agraciados com os louros da vitória pela deusa Fortuna?

“Ah, mas a antifragilidade talebiana resolveu esse problema pra gente.” Na teoria, até o socialismo funciona. Como escreveu um pobre autor em “Princípios do Estrategista" (o prefácio é muito bom!; pausa dramática para a sabedoria popular: o saco é o corrimão do sucesso): “as ideias do Taleb são tão boas que se rendessem dinheiro era sacanagem”. No dia a dia, principalmente no Brasil, o hedge é caro, não há opções líquidas fora do dinheiro, tem squeeze, preço exagerado das opções, dificuldades de sizing e timing e por aí vai.  Boa parte dos fundos de tail hedging perde dinheiro.

Então nos resta o factoring investing! Pronto, matou! Como não sabemos o futuro e o mercado é um bocado eficiente, distribuímos nosso dinheiro de maneira diversificada por vários prêmios de risco ao redor do mundo. Por construção, na média vamos ganhar dinheiro. De novo, faz sentido, mas o diabo está nos detalhes. Na hora da crise, quando você mais precisa do dinheiro, as correlações históricas são quebradas. Tudo anda na mesma direção. Não há real diversificação. E se não há diversificação adequada, não pode haver factoring investing. O método só funciona a partir dessa premissa.

Para a tristeza dos estudiosos das Finanças, num daqueles paradoxos do conhecimento, quanto mais nos aprofundamos, parece que cavamos cada vez mais no subterrâneo, nos aproximando, não de uma verdade ontológica capaz de bater o mercado, mas do niilismo de “Memórias do Subsolo” de Dostoiévksy. Será que há algo a se fazer?

É curioso como, depois de tanta pesquisa e sofisticação, aquela proposta original de Harry Markowitz, o pai dessa história toda de gestão de portfólio de maneira sistematizada e, portanto, “além do bem e do mal", apelando para uma escolha de bom senso e intuitiva, ainda encontra grande ressonância: na dúvida, compra-se metade em ações, metade em renda fixa. 

A simplicidade é a maior das sofisticações.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
NOVAS FRONTEIRAS

De Minas para Buenos Aires: argentinos são a primeira frente da expansão do Inter (INBR32) na América Latina

11 de março de 2025 - 16:15

O banco digital brasileiro anunciou um novo plano de expansão e, graças a uma parceria com uma instituição financeira argentina, a entrada no mercado do país deve acontecer em breve

FII DO MÊS

XP Malls (XPML11) é desbancado por outro FII do setor de shopping como o favorito entre analistas para investir em março

10 de março de 2025 - 6:13

O FII mais indicado para este mês está sendo negociado com desconto em relação ao preço justo estimado para as cotas e tem potencial de valorização de 15%

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Mata-mata ou pontos corridos? Ibovespa busca nova alta em dia de PIB, medidas de Lula, payroll e Powell

7 de março de 2025 - 8:12

Em meio às idas e vindas da guerra comercial de Donald Trump, PIB fechado de 2024 é o destaque entre os indicadores de hoje

O QUE COMPRAR

Debêntures da Equatorial se destacam entre as recomendações de renda fixa para investir em março; veja a lista completa

6 de março de 2025 - 16:08

BB e XP recomendaram ainda debêntures isentas de IR, CRAs, títulos públicos e CDBs para investir no mês

SIMULAMOS!

Vencimento de Tesouro Selic paga R$ 180 bilhões nesta semana; quanto rende essa bolada se for reinvestida?

5 de março de 2025 - 15:47

Simulamos o retorno do reinvestimento em novos títulos Tesouro Selic e em outros papéis de renda fixa

CARTEIRA DE INVESTIMENTOS

Estrangeiro “afia o lápis”, mas ainda aguarda momento ideal para entrar na bolsa brasileira

5 de março de 2025 - 14:10

Segundo o Santander, hoje, os investidores gringos mantêm posições pequenas na bolsa, mas mais inclinados a aumentar sua exposição, desde que surja um gatilho apropriado

"ATO DE GUERRA"

Em raro comentário, Warren Buffett critica as tarifas de Trump e diz que “não é a Fada do Dente que pagará”

3 de março de 2025 - 11:38

Trata-se do primeiro comentário público de Warren Buffett acerca das políticas comerciais de Trump; veja o que o bilionário disse

INTERESSE POR TÍTULOS CRESCE

No país da renda fixa, Tesouro Direto atinge recorde de 3 milhões de investidores; ‘caixinhas’ e contas remuneradas ganham tração

20 de fevereiro de 2025 - 18:51

Os números divulgados pela B3 mostram que o Tesouro IPCA e o Tesouro Selic concentram 75% do saldo em custódia em títulos públicos federais

SD Select

Banco de investimentos antecipa pagamento de precatórios para até 5 dias úteis; veja como sair da fila de espera

14 de fevereiro de 2025 - 12:00

Enquanto a fila de espera dos precatórios já registrou atraso de até 30 anos, um banco de investimentos pode antecipar o pagamento para até 5 dias úteis; veja como

SEXTOU COM O RUY

A queda da Nvidia: por que empresas fantásticas nem sempre são os melhores investimentos

7 de fevereiro de 2025 - 6:08

Por mais maravilhosa que seja uma empresa — é o caso da Nvidia —, e por mais que você acredite no potencial de longo prazo dela, pagar caro demais reduz drasticamente as chances de você ter um bom retorno

conteúdo EQI

Onde investir R$ 10 mil? Simulador de investimentos indica as melhores oportunidades de acordo com o seu perfil

6 de fevereiro de 2025 - 8:00

Seja você conservador, moderado ou arrojado, saiba onde investir com a ajuda do simulador de investimentos da EQI Research

SILVIO SANTOS AVISOU…

Vale mais do que dinheiro: demanda por ouro bate recorde em um ano e investimentos explodem

5 de fevereiro de 2025 - 14:35

Os preços mais elevados do metal precioso, no entanto, têm afetado em cheio do mercado de joias, que deve continuar em baixa em 2025

ALOCAÇÃO DE CAPITAL

Braskem (BRKM5) quer voltar a gerar caixa — e decidiu parar de gastar dinheiro com a Oxygea; entenda a decisão da petroquímica

31 de janeiro de 2025 - 9:22

De acordo com comunicado, a suspensão dos investimentos no negócio está alinhada ao novo direcionamento estratégico da empresa

TIRO NO ALVO

Ambipar (AMBP3) alcança mercado internacional e capta US$ 400 milhões em green notes – e a empresa já sabe o que fazer com o dinheiro

29 de janeiro de 2025 - 9:46

Os green notes, ou títulos de dívida verdes, da Ambipar foram oferecidos a investidores institucionais qualificados no exterior

RANKING

O ano dos FIIs de papel? Confira os fundos imobiliários que tiveram os maiores retornos de dividendos em 2024

27 de janeiro de 2025 - 18:13

A alta dos juros prejudicou o desempenho dos fundos imobiliários em 2024, que impactaram no desempenho dos FIIs na bolsa. Assim, os ativos que tiveram grandes retornos podem se tornar dores de cabeça para os cotistas

SIMULAÇÃO

Deixando R$ 100 mil na mesa: abrir mão da liquidez diária na renda fixa conservadora pode render até 40% a mais no longo prazo

22 de janeiro de 2025 - 7:12

Simulação do banco Inter com CDBs mostra quanto é possível ganhar a mais, no longo prazo, ao se optar por ativos sem liquidez imediata, ainda que de prazos curtos

Conteúdo EQI

Renda fixa, ações, FIIs e ativos internacionais: quais são os melhores investimentos para 2025? Ferramenta dá o veredito de onde investir

19 de janeiro de 2025 - 12:00

Com as incertezas do mercado sobre quais ativos são promissores em 2025, a EQI desenvolveu uma ferramenta que ajuda o investidor a saber onde investir

NOVOS INVESTIMENTOS

Braskem (BRKM5) vai investir R$ 614 milhões para aumentar a capacidade de produção de petroquímicos; ações sobem na B3

17 de janeiro de 2025 - 12:11

Ao todo, serão sete projetos para a ampliação da atual capacidade de produção de produtos químicos na Bahia, no Rio Grande do Sul e em Alagoas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O Grand Slam do Seu Dinheiro: Vindo de duas leves altas, Ibovespa tenta manter momento em dia de inflação nos EUA

15 de janeiro de 2025 - 8:14

Além da inflação nos EUA, Ibovespa deve reagir a Livro Bege do Fed, dados sobre serviços e resultado do governo

INVESTIMENTOS

Adeus, B3? Trump, risco fiscal e Selic elevada devem manter investidor estrangeiro afastado da bolsa brasileira em 2025

11 de janeiro de 2025 - 16:15

Volatilidade e a depreciação recentes do real fizeram o investidor estrangeiro ter uma visão mais negativa do Brasil

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar