Você deveria investir nos robôs que querem te substituir?
Os robôs colocam em risco a minha própria profissão; mas se o aspecto humano é um pouco assustador, a oportunidade de investimentos parece simplesmente imensa

Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia. Nas últimas semanas, tenho passado muito tempo debruçado sobre "robôs" dos mais diversos tipos.
Dos algoritmos que automatizam tarefas repetitivas, como processos cotidianos de um departamento financeiro (um "contas a pagar" da vida) aos robôs mecânicos que cada vez mais substituem os humanos em tarefas simples, porém repetitivas e cansativas, como carregar e descarregar caminhões e fritar batatas.
A guerra na Ucrânia trouxe de vez a desglobalização para a pauta de governos e empresas. Nesse caminho, de repatriar cadeias logísticas e produtivas para o Ocidente, os robôs terão um papel imprescindível.
Arrisco dizer até mais: a velocidade com que veremos (e se veremos) EUA e Europa trazerem de volta para si a produção de bens e serviços hoje terceirizados para países asiáticos (como China e Vietnã) é completamente dependente do desenvolvimento dos robôs.
O que os robôs são capazes de fazer hoje e você não sabia?
A missão de um robô qualquer é executar uma tarefa repetitiva com maior precisão e velocidade do que um humano.
Um entusiasta dirá que os robôs liberam o tempo das pessoas para se dedicarem a tarefas mais interessantes e produtivas do que, por exemplo, apertar os mesmos botões ou lançar milhares de notas fiscais.
Leia Também
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde
Os críticos dirão que os robôs apenas destroem empregos, afinal, eles não ficam cansados, não ficam doentes e não exigem direitos trabalhistas.
- MUDANÇAS NO IR 2022: baixe o guia gratuito sobre o Imposto de Renda deste ano e evite problemas com a Receita Federal; basta clicar aqui.
Entusiastas e críticos dos robôs estão igualmente corretos!
Como exemplo, posso citar a empresa de tecnologia UiPath, listada na Nasdaq sob o ticker "PATH" e na B3 através do BDR "P2AT34".
A UiPath é uma empresa de softwares, que vende a clientes corporativos uma ferramenta de criação de BOTs.
Sua ideia é justamente automatizar trabalhos de escritórios repetitivos; o exemplo anterior do contas a pagar que eu mencionei é perfeito, mas serve também campos como atendimento ao cliente e muitas rotinas corporativas como preencher sistemas, validar e-mails, fazer check-list de contratos padronizados…
O mais interessante é como a UiPath vende o seu produto.
Os clientes corporativos podem contratar dois tipos de "bots" diferentes: o que eles chamam de "autônomos" ou "assistidos".
Numa abordagem assistida, o "bot" automatiza apenas parte do trabalho, enquanto uma pessoa segue o tempo todo validando o trabalho do bot, e muitas vezes enviando trabalho para ele.
Um "bot" como esse custa às empresas entre 1,2 mil e 3 mil dólares por ano, e cumpre a promessa dos entusiastas: ele libera o funcionário para tarefas mais interessantes e produtivas.
Já um "bot" autônomo é capaz de substituir o trabalho de uma pessoa, ou às vezes de várias pessoas que executam a mesma tarefa, e custa em torno de 8 mil dólares ao ano.
De acordo com o site oficial do "Social Security Administration" nos EUA, o salário médio do americano, em 2019, era em torno de 55 mil dólares.
Por maior que seja a variância (muitos americanos ganham mais de 100 mil dólares e outros muitos ganham menos que 20 mil dólares), eles tem algo em comum: são mais caros que um robô da UiPath.
Um "bot" autônomo cada vez mais cumpre a promessa dos críticos: enquanto alguns funcionários terão tempo livre para atividades mais produtivas, outros perderão sim seus empregos.
'Robôs' as a service
Citei a UiPath e seus algoritmos, mas quando falamos em "robôs", o imaginário popular automaticamente nos remete à ficção científica, aos robôs mecânicos capazes de executar tarefas pesadas.
Na semana passada, a Bloomberg publicou artigo interessantíssimo intitulado "Como os robôs por assinatura permitem às empresas automatizar a um custo baixo''.
Espero que eles não briguem comigo, mas coloco abaixo o trecho mais interessante, traduzido.
As ênfases em negrito foram adicionadas por mim.
"(...) uma tendência nascente é a oferta de robôs como serviço - semelhante aos modelos de assinatura oferecidos pelos fabricantes de software, em que os clientes pagam taxas de uso mensais ou anuais em vez de comprar os produtos - está abrindo oportunidades até mesmo para pequenas empresas.
Esse modelo financeiro foi o que levou a Thomson a adotar a automação. A empresa tem robôs em 27 de suas 89 máquinas de moldagem e planeja adicionar mais. Ela não pode comprar os robôs, que podem custar 125.000 dólares cada, diz o CEO Steve Dyer. Em vez disso, a Thomson paga pelas máquinas instaladas por hora, a um custo inferior ao da contratação de um funcionário humano — se for possível encontrar um, diz ele. “Nós simplesmente não temos as margens para gerar o tipo de capital necessário para sair e fazer esses investimentos amplos e abrangentes”, diz ele. “Estou pagando de 10 dólares a 12 dólares por hora por um robô que está substituindo uma posição que eu estava pagando de 15 a 18 mais benefícios adicionais” (...)."
Na mesma matéria, a Bloomberg lista dados e gráficos comprovando a crescente entrada de robôs na força de trabalho.
Daí, extrapolo para dois exemplos, num universo vasto:
- (i) Em 2025, a Mercedes Benz terá seus carros autônomos rodando pelo mundo inteiro, com sistemas de pilotagem autônoma desenvolvidos pela Nvidia: o que será dos motoristas de táxi e aplicativos?
- (ii) Compare um centro de distribuição de empresas brasileiras em Cajamar ou Guarulhos com os centros de distribuição da Amazon: quantas pessoas você vê nesse vídeo?
Excitante ou amedrontador?
Algumas pessoas ficarão animadas com tudo o que eu escrevi acima; outras ficarão genuinamente amedrontadas.
Como investidor, tenho minha posição: acredito que há uma marcha inexorável da tecnologia e uma tendência clara ao aumento dos robôs nas mais diversas áreas.
Em alguns anos, profissões que hoje julgamos tão comuns deixarão de existir.
A minha própria profissão, de analista de investimento, é uma das que estão em risco: um algoritmo ("bot") é capaz de consumir mais informações financeiras em um único dia do que eu sou capaz de fazê-lo em 1 ano.
Caso isso aconteça, eu estarei livre para "buscar outras atividades mais produtivas", seja lá o que isso significa.
Se o aspecto humano é um pouco assustador, a oportunidade de investimentos parece simplesmente imensa. Se eu tiver que perder meu emprego para um robô, certamente será menos doloroso se ele me fizer rico no meio do caminho.
O cavalo de Tróia está de volta: golpes bancários com o malware disparam no mundo em 2024; saiba como se proteger
No Brasil, os fraudadores utilizam programas maliciosos, os chamados malwares, para simular transações de pagamentos
Computação na nuvem pode gerar lucro de até US$ 1,2 trilhão para as empresas nos próximos anos — ETF do setor entra no radar do BTG Pactual
Apesar de o segmento estar crescendo, não são todos os ETFs que brilham na bolsa, mas há um fundo que chamou a atenção do banco de investimentos
SXSW 2025: única empresa latina premiada no ‘Oscar da inovação’ é brasileira
Premiação do South by Southwest reconhece em áreas como inteligência artificial (IA), saúde e biotecnologia e empoderamento comunitário
Decisão polêmica: Ibovespa busca recuperação depois de temor de recessão nos EUA derrubar bolsas ao redor do mundo
Temores de uma recessão nos EUA provocaram uma forte queda em Wall Street e lançaram o dólar de volta à faixa de R$ 5,85
Essa nova tecnologia chinesa muda tudo o que sabemos até agora sobre inteligência artificial — e não é o DeepSeek
Criada pela startup chinesa Monica, a nova IA está disponível apenas para convidados no momento
Dinheiro é assunto de mulher? A independência feminina depende disso
O primeiro passo para investir com inteligência é justamente buscar informação. Nesse sentido, é essencial quebrar paradigmas sociais e colocar na cabeça de mulheres de todas as idades, casadas, solteiras, viúvas ou divorciadas, que dinheiro é assunto delas.
Como acompanhar o SXSW 2025, o maior evento de inovação do mundo — de graça, traduzido e sem estar no Texas
Michelle Obama é uma das palestrantes mais esperadas da programação; veja como acessar os painéis com tradução em português
Mata-mata ou pontos corridos? Ibovespa busca nova alta em dia de PIB, medidas de Lula, payroll e Powell
Em meio às idas e vindas da guerra comercial de Donald Trump, PIB fechado de 2024 é o destaque entre os indicadores de hoje
SXSW 2025, um guia de sobrevivência: IA, psicodelia e a deep tech além do hype
A convite do Seu Dinheiro, Diego Aristides, que acompanha a SXSW há anos, comenta os principais temas e painéis para ficar de olho no maior encontro de inovação do mundo; no centro do debate, o impacto real da deep tech para além do hype
Polêmico leilão de arte com inteligência artificial (IA) da Christie’s arrecada mais do que o projetado; veja a obra mais cara
Por bem ou por mal, a IA invadiu até mesmo o mundo da arte de “alto calibre”
Os carros e as inovações que você precisa conhecer: 10 destaques automobilísticos da maior feira de tecnologia do mundo
Carros voadores, painel com holografia e até uma cidade que parece saída de uma história de ficção científica foram as atrações do segmento automotivo da CES 2025
Nada de ‘xing ling’: Xiaomi lança novo smartphone para bater de frente com a Samsung em meio à alta de 300% das suas ações
Empresa chinesa está ingressando no segmento mais premium de celulares e visa a tirar participação de mercado da concorrente coreana
Entre a crise e a oportunidade: Prejuízo trimestral e queda no lucro anual da Petrobras pesam sobre o Ibovespa
Além do balanço da Petrobras, os investidores reagem hoje à revisão do PIB dos EUA e à taxa de desemprego no Brasil
Do varejo à nuvem: como o Magazine Luiza (MGLU3) quer diversificar seus negócios e crescer em um mercado dominado por big techs
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Christian “Kiko” Reis, diretor do Magalu Cloud, afirma que a empresa quer capturar oportunidades no setor em expansão com serviços mais baratos que os das empresas tradicionais
Um olhar pelo retrovisor: Ibovespa tenta manter alta com investidores de olho em balanços e Petrobras em destaque
Além dos números da Petrobras, investidores repercutem balanços da Ambev, do IRB, da Klabin e da WEG, entre outros
Procuramos independência: Ibovespa tenta se recuperar de queda em dia de IPCA-15, balanços e Haddad
IRB e Vivo divulgam resultados por aqui; lá fora, investidores concentram o foco no balanço da Nvidia
O urso de hoje é o touro de amanhã? Ibovespa tenta manter bom momento em dia de feriado nos EUA e IBC-Br
Além do índice de atividade econômica do Banco Central, investidores acompanham balanços, ata do Fed e decisão de juros na China
Adeus, ChatGPT? Elon Musk anuncia novo chatbot de IA e promete ser o ‘mais inteligente do mundo’
O anúncio acontece em uma crescente concorrência de empresas no mercado de tecnologia, também de olho no ChatGPT, da Open IA, e na chinesa DeepSeek
Totvs (TOTS3) impressiona com salto de 42% do lucro no 4T24 — mas a joia da coroa é outra; ação sobe forte após o balanço
Os resultados robustos colocaram os holofotes na Totvs nesta quinta-feira (13): os papéis da companhia figuram entre as maiores altas do dia, mas quem roubou a cena foi um segmento da companhia
Da ficção científica às IAs: Ibovespa busca recuperação depois de tropeçar na inflação ao consumidor norte-americano
Investidores monitoram ‘tarifas recíprocas’ de Trump, vendas no varejo brasileiro e inflação do produtor dos EUA