Por que você deveria ter as ações (ou BDRs) da Amazon entre as maiores posições do seu portfólio
Muita coisa precisa dar errado para que, em longo prazo, esse seja um ponto de entrada ruim para as ações ou BDRs da Amazon (AMZO34)

Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia.
Depois de estressar os números de Apple e Microsoft em colunas passadas, volto a falar das Big Techs, revisando seus números sob a perspectiva de "valuation".
Hoje, quero falar sobre a Amazon (AMZO34), que considero a melhor alternativa de investimento entre as maiores empresas de tecnologia do mundo.
Por mais que eu não quisesse atribuir esse significado direto à coluna, o texto de hoje pode ser resumido na seguinte mensagem:
Você deveria ter, neste momento, as ações (ou BDRs) da Amazon entre as maiores posições do seu portfólio pessoal.
Abaixo, explico o porquê.
Leia Também
Como avaliar uma empresa tão complexa como a Amazon?
Diferente de outras empresas, a Amazon é um conjunto de negócios com "economics" bastante diferentes: e-commerce e infraestrutura em nuvem não têm nada a ver um com o outro em termos de necessidade de capital, perfil de crescimento, rentabilidade e afins.
Uma alternativa a casos de empresas com esse tipo de complexidade é o método de avaliação conhecido como "soma das partes".
Neste método, avaliamos isoladamente cada um dos negócios da companhia, atribuindo múltiplos, margens e perfil de crescimento particulares a cada unidade de negócio.
Ao final, somamos as partes para encontrar o que deveria ser o valor "justo" do todo.
No caso da Amazon, fiz essa avaliação segmentando as seguintes categorias:
- E-commerce 1P: que consolida as vendas diretas da Amazon.
- E-commerce 3P: que consolida as vendas do marketplace, ou seja, dos sellers que vendem seus produtos através da Amazon.
- Subscrição: em que agrego os serviços prestados pela Amazon aos sellers, como o famoso "fulfillment by Amazon" e agora o nascente "Buy with Prime".
- Advertising: que agrega as receitas com anúncios dentro do marketplace para, por exemplo, impulsionar produtos, campanhas ou promoções específicas.
- AWS: que consolida os números da gigante de infraestrutura em nuvem.
Uma customização
Abaixo, realizo o exercício de soma das partes sob uma perspectiva diferente.
Ao invés de projetar o valor "justo" de cada segmento da Amazon com números que considero aderentes e potencialmente explicativos do seu crescimento, busco resolver um problema diferente.
Realizo o exercício para responder à seguinte pergunta:
Em que precisamos acreditar para que o atual valor de mercado da Amazon, em torno de US$ 1,2 trilhão, seja o seu valor "justo"?
Ou seja, quais deveriam ser os múltiplos e perfil de crescimento das 5 unidades que descrevi acima para que as ações da Amazon estivessem cotadas, hoje, no seu valor justo?
Destrinchando os números da Amazon
Para que o seu valor de mercado fosse "justo" precisamos acreditar que o ritmo de crescimento do E-commerce 1P, em torno de 19,5% ao ano nos últimos 3 anos (acelerado pela pandemia), fosse igual a zero até 2030, e que as margens do segmento fossem de apenas 1%.
Também precisaríamos acreditar que o marketplace, a grande "engine" do crescimento do e-commerce, crescesse nos próximos 9 anos num ritmo médio de apenas ⅓ do crescimento dos últimos três, com margens próximas a apenas 10%.
Em subscrição, onde os mais de US$ 100 bilhões investidos nos últimos 24 meses deverão trazer um enorme crescimento, precisaríamos assumir que o ritmo dos últimos 3 anos (em torno de 30% ao ano), desacelerasse para 15% e que também não houvesse nenhuma melhora de margens.
Na parte de anúncios, onde a Amazon já é o maior player do mercado digital, depois de Google e Facebook, precisaríamos assumir um crescimento de 30% ao ano (contra quase 50% ao ano nos últimos 3 anos) e margem operacional de 25%.
Em comparação, a margem operacional do Google é mais do que o dobro.
Na AWS, que consideramos um dos negócios mais seculares, lucrativos e de alto crescimento do mercado, precisaríamos assumir um crescimento de 15% ao ano. Trata-se de uma enorme desaceleração frente ao ritmo dos últimos anos.
No último resultado da Amazon, divulgado há poucos dias, a AWS ainda crescia mais de 30%.
Consolidando as premissas que justificam um valor "justo" para a Amazon: zero crescimento no e-commerce por praticamente 10 anos, crescimento muito abaixo do esperado em Ads com margens terríveis, retorno pífio dos investimentos na sua infraestrutura e uma desaceleração relevante da AWS.
Mas isso não é tudo.
O grande "de-rating"
Às premissas acima, temos que somar mais uma. Atribuímos um múltiplo de terminal de 15 vezes o valor da firma (EV) sobre o EBIT, que é um múltiplo para empresas maduras e baixo de crescimento.
Como vemos no gráfico abaixo, esse múltiplo embute um desconto de quase 85% em relação ao atual.
Em resumo: considero que, neste momento, o "valuation" atual das ações da Amazon embute uma desastre operacional de longo prazo, um pessimismo imenso com os investimentos realizados nos últimos anos, além de um enorme "de-rating".
Não à toa, as ações da Amazon deram um enorme salto após os resultados do 2T22, em que a melhora operacional foi apenas marginal.
Muita coisa precisa dar errado para que, em longo prazo, esse tenha sido um ponto de entrada ruim para as ações da Amazon.
Obs: todos os dados usados nesta coluna são referentes ao fechamento da última segunda-feira, 01 de agosto de 2022.
Contradições na bolsa: Ibovespa busca reação em dia de indicadores de atividade no Brasil e nos EUA
Investidores também reagem ao andamento da temporada de balanços, com destaque para o resultado da Casas Bahia
Computação na nuvem pode gerar lucro de até US$ 1,2 trilhão para as empresas nos próximos anos — ETF do setor entra no radar do BTG Pactual
Apesar de o segmento estar crescendo, não são todos os ETFs que brilham na bolsa, mas há um fundo que chamou a atenção do banco de investimentos
As Sete Magníficas viraram as Sete Malévolas: Goldman Sachs corta projeções para a bolsa dos EUA
O banco reduziu as previsões para o S&P 500, o índice mais amplo da bolsa de Nova York, citando preocupações com o grupo formado por Amazon, Alphabet, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla
Dinheiro é assunto de mulher? A independência feminina depende disso
O primeiro passo para investir com inteligência é justamente buscar informação. Nesse sentido, é essencial quebrar paradigmas sociais e colocar na cabeça de mulheres de todas as idades, casadas, solteiras, viúvas ou divorciadas, que dinheiro é assunto delas.
Governo brasileiro mira big techs e prepara taxação para subsidiar internet no país
O objetivo, segundo o governo, é que os recursos sejam usados para subsidiar o acesso à internet pelas pessoas carentes
Uma renda nem tão fixa assim: Ibovespa reage a balanços enquanto investidores monitoram Trump e decisão de juros na Inglaterra
Itaú reporta lucro líquido maior do que se esperava e anuncia dividendos extraordinários e recompra de ações multibilionária
Medo do DeepSeek? Google e Amazon anunciam novidades no Gemini e na Alexa para acirrar a competição com a IA chinesa
Big techs aceleram a corrida da inteligência artificial e prometem novos produtos e serviços para não ficarem para trás
Os “mais endinheirados” do mundo: Fortunas dos ultra-ricos somam quase US$ 2 trilhões; veja quem está no top 10
Neste início de 2025, quatro americanos lideram a lista das pessoas mais ricas do planeta
Não é o fim da história: rede de livrarias físicas abre 13 novas lojas no Brasil em 2024 e ‘desafia’ a dominância da Amazon
Em um cenário de preços competitivos no e-commerce e diminuição da leitura entre brasileiros, esta varejista tem conseguido ‘remar contra a maré’
Mensagem certa à pessoa certa: Magazine Luiza (MGLU3) renova plataforma de retail media e já recebe 430 milhões de visitas mensais
Novo sistema permite gestão de campanhas em tempo real, segmentação de iniciativas e outras vantagens aos 360 mil vendedores do marketplace do Magazine Luiza
Os bilionários ficaram mais ricos em 2024: Elon Musk ganha R$ 561 bilhões no ano e se isola como maior ricaço do planeta; confira o ranking completo
Atualmente, as riquezas das 10 pessoas mais ricas do mundo valem, juntas, em torno de US$ 1,9 trilhão (R$ 11,7 trilhões)
A energia ‘queridinha’ das big techs para alimentar a inteligência artificial é sustentável e eficiente, mas perigosa
Grandes nomes como Google, Meta, Microsoft e Amazon estão criando uma nova tendência na indústria
Por trás do lançamento do Haul, nova aposta da Amazon que vende tudo a menos de US$ 20 para concorrer com a Temu e a Shein nos EUA
Área exclusiva para dispositivos móveis foi lançada em novembro e é voltada para produtos com preços extremamente baixos
Bolsa em tempos de turbulência: BTG Pactual recomenda 5 ações e 3 fundos imobiliários defensivos para investir em 2025
Risco fiscal e alta da taxa básica de juros devem continuar afligindo os mercados domésticos no próximo ano, exigindo uma estratégia mais conservadora até na bolsa
Um passeio no Hotel California: Ibovespa tenta escapar do pesadelo após notícia sobre tamanho do pacote fiscal de Haddad
Mercado repercute pacote fiscal maior que o esperado enquanto mundo político reage a atentado suicida em Brasília
Amazon vai ‘bater de frente’ com a Nvidia? Big tech investe pesado para criar chips de inteligência artificial; entenda o motivo
Através da subsidiária Annapurna Labs, empresa de Jeff Bezos está construindo infraestrutura de IA ‘do zero’
Jeff Bezos está ‘se livrando’ de ações da Amazon? Veja quanto o bilionário fundador da big tech já vendeu desde julho
Apesar de ter vendido bilhões de dólares em ações nos últimos meses, Jeff Bezos continua sendo o maior acionista da Amazon
Com iPhone 16 na lista: Black Friday 2024 começa mais cedo, com lojas antecipando descontos; veja os preços
Data oficial da Black Friday neste ano é 29 de novembro, mas o varejo tenta se antecipar com descontos que vão do celular às blusinhas
Amazon (AMZO34): ‘a tendência é de lucros maiores no futuro’, diz analista
Balanço da Amazon do 3º trimestre de 2024 superou as expectativas do mercado, e analista acredita que empresa é “uma das melhores ações internacionais para investir”
O payroll vai dar trabalho? Wall Street amanhece em leve alta e Ibovespa busca recuperação com investidores à espera de anúncio de corte de gastos
Relatório mensal sobre o mercado de trabalho nos EUA indicará rumo dos negócios às vésperas das eleições presidenciais norte-americanas