O curioso caso do trader de manchetes: até onde vale a pena investir rápido sem aprofundar seus conhecimentos?
Antes de operar com base em notícias de última hora, aprofunde-se. Use as manchetes para se informar de fato e expandir seu entendimento da conjuntura e dos ativos que acompanha

Os últimos dias devem ter sido ocupados para o Trader de Manchetes. Primeiro, a B3 informou que havia divulgado dados inflados sobre o fluxo estrangeiro na Bolsa: para o ano de 2022, a entrada estava superestimada em 40%.
O Trader de Manchetes, um dos primeiros a ver essa notícia, vendeu suas ações brasileiras logo na abertura do pregão seguinte.
Depois, o governo sinalizou que pretende aumentar a carga tributária dos bancos. O Trader de Manchetes, então, aproveitou logo a primeira oportunidade para montar vendas a descoberto em Itaú, Santander e Bradesco.
Rapidez do Trader de Manchetes x pensamento de segundo nível
Esse personagem, embora tenha seus méritos pela rapidez com que consome informação nova, parece ignorar um exercício imprescindível ao investidor de ações: o pensamento de segundo nível, conceito batizado por Howard Marks.
A noção de second level thinking prega que não adianta estar certo sobre um ativo; para que você ganhe dinheiro, é preciso ainda que esta certeza não esteja refletida nos preços de tela.
A questão é que enquanto o Trader de Manchetes ainda está lendo a matéria, já tem gente (e robôs) se preparando para agir de acordo com a informação nova logo na abertura do pregão.
Leia Também
Com tantos seres inteligentes acompanhando os mesmos ativos, é difícil que sua análise seja superior à deles a ponto de seu movimento na abertura superar o deles no quesito inteligência.
Isso é mais verdade ainda para ativos muito acompanhados pelo mercado, como é o caso das empresas que compõem o Ibovespa, incluindo os grandes bancos.
Vantagens de milissegundos
O Trader de Manchetes, por mais que tenha feito de tudo para chegar na frente, acabou tendo suas ordens processadas depois dos robôs operados pelos fundos quantitativos.
Antes que o navegador do Trader carregasse o home broker, o maior fundo quantitativo do país já havia assegurado sua consistente vantagem de milissegundos, conquistada pelos investimentos que fez em capacidade computacional.
Tomemos como exemplo a manchete sobre fluxo gringo: é claro que seria melhor caso a entrada de recursos estrangeiros tivesse sido dos R$ 90 bilhões originais, em vez do número revisado, de R$ 65 bilhões.
Entretanto, agora já é tarde demais para agir sobre essa informação – talvez já fosse tarde demais um milissegundo depois de publicada.
Manchetes e o fluxo estrangeiro na B3
Não digo isso para apregoar um boicote aos jornais, muito menos aos jornalistas.
O que tento propor, aqui, é uma outra abordagem: usar as manchetes para se informar de fato, usando aquele conhecimento para expandir seu entendimento da conjuntura e dos ativos que acompanha.
Ainda sobre o dado de fluxo estrangeiro na B3: o fato é que a entrada líquida de recursos ainda é positiva, e muito. R$ 65 bilhões não são um número desprezível.
Para os curiosos sobre o que causou a revisão do valor, a B3 vinha somando no fluxo as operações de empréstimos de ações na tela, uma modalidade de trade disponibilizada aos clientes em outubro de 2020.
Entretanto, a instituição considerou que essas operações não configuram fluxo de fato, e optou por retirá-las da conta.
Os números dos anos de 2020 e de 2021, portanto, também precisam ser revisados (para baixo também), e a B3 disse que os republicará em breve.
De todo modo, a consequência geral é a mesma de antes: em 2022, os gringos entraram pesado na bolsa brasileira.
- MUDANÇAS NO IR 2022: baixe o guia gratuito sobre o Imposto de Renda deste ano e evite problemas com a Receita Federal; basta clicar aqui
Imposto sobre os bancos
No caso do imposto sobre os bancos, o panorama muda, sim, para essa categoria – mas não muito.
O Congresso aprovou uma lei que perdoa certas dívidas do Refis, programa de financiamento de impostos, devidas por CNPJs enquadrados no Simples Nacional e na categoria de Microempreendedores Individuais.
Essa regra implica uma renúncia fiscal da ordem de R$ 500 milhões, o que obriga o Ministério da Economia a criar um outro mecanismo que aumente a arrecadação na mesma proporção.
A solução esboçada, então, é aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos.
A mudança no imposto é tão grande assim?
Antes que o dedinho nervoso abra o home broker para vender logo os bancos, vamos entender a magnitude dessa mudança.
Somente somando os lucros líquidos de Itaú, Bradesco e Santander, chegamos em R$ 110 bilhões em lucros antes de impostos em 2021.
Para compensar a perda de arrecadação de R$ 500 milhões, somente considerando esses 3 bancos, um aumento de meio ponto percentual no CSLL já seria mais que suficiente.
Se hoje a alíquota é de 20%, ela iria, então, para 20,5%. Detalhe que a taxa que vigorou de março a dezembro do ano passado foi de 25%.
Lucro para os acionistas
Pode ser que o governo aproveite a oportunidade para já deixar uma gordura, aumentando a alíquota um pouquinho mais que o necessário.
O Ministério da Economia fala em levar a taxa para, no máximo, 23% -- ainda assim, abaixo do patamar de 2021.
Tudo considerado, então, trata-se de uma melhora marginal, de fato, no cenário tributário para os bancos.
São, no mínimo, 2 pontos percentuais a mais de lucro para o acionista, na comparação com o ano passado. Será que essa melhora marginal está no preço?
Antes de operar com base nas manchetes, aprofunde-se. Você quer entender aquilo que o consenso ainda não reflete.
Por favor, não seja o Trader de Manchetes.
Um abraço,
Larissa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita
Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%
O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde
Para o investidor brasileiro, o “buy the dip” não só sustenta uma razão própria como pode funcionar também como instrumento de diversificação, especialmente quando associado às tecnologias de ponta
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
É hora de comprar a líder do Ibovespa hoje: Vamos (VAMO3) dispara mais de 17% após dados do 4T24 e banco diz que ação está barata
A companhia apresentou os primeiros resultados trimestrais após a cisão dos negócios de locação e concessionária e apresenta lucro acima das projeções
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Felipe Miranda: Dedo no gatilho
Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Sem OPA na Oncoclínicas (ONCO3): Empresa descarta necessidade de oferta pelas ações dos minoritários após reestruturação societária
Minoritários pediram esclarecimentos sobre a falta de convocação de uma OPA após o Fundo Centaurus passar a deter uma fatia de 16,05% na empresa em novembro de 2024
Ação da Petz (PETZ3) acumula queda de mais de 7% na semana e prejuízo do 4T24 não ajuda. Vender o papel é a solução?
De acordo com analistas, o grande foco agora é a fusão com a Cobasi, anunciada no ano passado e que pode ser um gatilho para as ações
Hora de comprar: o que faz a ação da Brava Energia (BRAV3) liderar os ganhos do Ibovespa mesmo após prejuízo no 4T24
A empresa resultante da fusão entre a 3R Petroleum e a Enauta reverteu um lucro de R$ 498,3 milhões em perda de R$ 1,028 bilhão entre outubro e dezembro de 2024, mas bancos dizem que o melhor pode estar por vir este ano
Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços
Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção
Deixou no chinelo: Selic está perto de 15%, mas essa carteira já rendeu mais em três meses
Isso não quer dizer que você deveria vender todos os seus títulos de renda fixa para comprar bolsa neste momento, não se trata de tudo ou nada — é até saudável que você tenha as duas classes na carteira
Nova York vai às máximas, Ibovespa acompanha e dólar cai: previsão do Fed dá força para a bolsa lá fora e aqui
O banco central norte-americano manteve os juros inalterados, como amplamente esperado, mas bancou a projeção para o ciclo de afrouxamento monetário mesmo com as tarifas de Trump à espreita
A bolsa da China vai engolir Wall Street? Como a pausa do excepcionalismo dos EUA abre portas para Pequim
Enquanto o S&P 500 entrou em território de correção pela primeira vez desde 2023, o MSCI já avançou 19%, marcando o melhor começo de ano na história do índice chinês