Temporada de balanços do segundo trimestre deve ser marcada por pressão de custos; saiba o que esperar
A safra de resultados financeiros do segundo trimestre começa nesta terça-feira (19); setores com maior peso no Ibovespa concentram as atenções

Nesta semana o mercado se prepara para o início de mais uma temporada de balanços das empresas brasileiras. As divulgações começam em meio a um clima nada amigável de inflação alta no mundo todo e de uma recessão que parece cada vez mais inevitável. E, claro, com aquele tempero brasileiro de eleições à vista, algo que deixa o horizonte um pouco mais nebuloso.
Gestores e analistas entrevistados pelo Seu Dinheiro acreditam que a atual safra de balanços tende a ser morna. Não esperam grandes surpresas negativas nem positivas. Também não imaginam grandes fatos capazes de arrastar um setor inteiro para qualquer direção que seja.
Continue a nadar...
Mas uma coisa é consenso: quem soube nadar melhor no mar da alta da inflação e for capaz de continuar assim nos meses seguintes, repassando o aumento de custos e ganhando mercado, tende a sair melhor desse período tão turbulento.
E os balanços das empresas devem trazer informações relevantes que indicam quem já está conseguindo ganhar alguma vantagem.
Pressão sobre os custos
"A grande pergunta é: 'Essa empresa vai conseguir repassar a pressão de custos para o preço final?'", questiona Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora. Ele observa que essa pressão de custos atinge todos os setores e que este ponto é o que merece grande atenção.
"A principal análise aqui é ver se as companhias terão capacidade ou não para manter margens estáveis e sem perder fatia de mercado", diz.
Leia Também
Olho nos balanços de shoppings e empresas de varejo alimentar
Entre os setores que ele acredita serem capazes de cumprir essa tarefa estão o de varejo alimentar e de shoppings centers. Afinal, todo mundo precisa consumir, seja um alimento ou uma roupa para voltar ao trabalho presencial.
E basta entrar em um supermercado para observar que os preços não param de subir e são repassados com frequência ao consumidor final, preservando as margens.
No caso dos shoppings, afirma Ricardo Peretti, as prévias operacionais do setor já anteciparam bons resultados, com melhor desempenho nas vendas e destaque para a recuperação dos aluguéis.
"O lojista aceitou pagar um aluguel mais caro porque viu suas vendas melhorarem recentemente", explica o estrategista sobre o momento melhor que o setor vive após meses de corredores mais vazios por conta da pandemia.
E os balanços dos bancos?
Mas claro que se o brasileiro está gastando, isso não quer dizer que ele tenha dinheiro de sobra. Pelo contrário. E por isso mesmo o setor bancário merece atenção nos dados referentes à inadimplência.
Ainda assim, o mercado prevê resultados sólidos para as grandes instituições financeiras, reconhecidas pela capacidade de atravessar períodos de crise com resiliência.
Na avaliação de Adriano Thiago, gestor da Tenax Capital, além de olhar os lucros dos bancos, o investidor precisa compreender também a dinâmica operacional e a "qualidade desse lucro".
"Às vezes pode ser um lucro de baixa qualidade, por isso minha orientação é avaliar como está a dinâmica de inadimplência no período", afirma.
Na semana passada, o banco Julius Baer rebaixou as ações do setor financeiro dos países desenvolvidos diante do aumento do risco de inadimplência.
Logo, se os bancos de fora já estão sentindo esse impacto, é provável que o mesmo aconteça por aqui, acredita João Abdouni, analista de investimento da casa de análises Inv.
"Já vimos isso lá fora, então mesmo que os bancos venham com um lucro bom, o aumento de provisões também deve ser acompanhado de perto, especialmente pelo peso que o setor bancário tem na bolsa brasileira", aconselha.
Empresas de saúde num cenário de pandemia
Muitas vezes a sensação é de que a pandemia acabou, mas infelizmente não foi o que aconteceu.
Para as empresas de saúde, um dos principais impactos é que agora os serviços contam tanto com a demanda de quem precisa de atendimento por conta do covid-19 quanto daquelas pessoas que interromperam tratamentos no passado diante do risco de contaminação.
"Os procedimentos eletivos que haviam sido postergados lá atrás foram retomados, enquanto uma nova onda de covid chegou ao Brasil, afetando os hospitais. E vale lembrar que o reajuste da ANS demorou para sair", conta Lucas Ribeiro, head de renda variável da Kínitro.
No fim de maio, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou um aumento de 15,5% nos planos de saúde individuais e familiares — o maior aumento desde o início da série histórica em 2000.
Para Ribeiro, mais essencial ainda é observar não apenas o registro dos últimos meses, mas principalmente o que está por vir.
"No caso do setor de saúde, já vemos os preços em recomposição, mas no geral, nem todas as empresas, seja de qual setor for, conseguem repassar essa pressão de custos generalizada. Para o investidor, o negócio é identificar quem consegue fazer isso ou não. Aí está a oportunidade", diz.
A Cielo (CIEL3) está na boca de todo mundo
Se o assunto é temporada de balanços, a Cielo (CIEL3) vai surgir entre os comentários dos especialistas.
Uma das ações com pior desempenho do Ibovespa nos últimos anos, ela parece ter deixado o pior momento para trás e a volta por cima ganha contornos cada vez melhores.
As expectativas para o balanço da companhia são altos, principalmente por conta do maior volume de transações visto no setor, algo que beneficia a Cielo, além do bom momento para o negócio de emissões da Cateno — a joint-venture com o Banco do Brasil que atua na gestão de meios de pagamento.
Veja também: Nubank virou poupança? 3 contas rendeiras que ainda pagam 100% do CDI desde o primeiro dia
"Acredito que esse possa ser um destaque positivo dessa temporada de balanços, acima do que o mercado espera", diz Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora.
Para ele, a fase em que a Cielo vinha perdendo espaço para as concorrentes é passado e investir em empresas assim acaba sendo uma proteção natural contra a inflação, uma vez que elas continuam ganhando em cima das vendas realizadas.
Na semana passada, foi a vez de o Itaú BBA reforçar suas estimativas positivas para CIEL3, da qual se espera um desempenho melhor na comparação com as concorrentes Stone e PagSeguro.
Em relatório recente, a equipe de analistas do JP Morgan também apontou que vê como ponto positivo a estabilização da participação da empresa no mercado, que perdeu espaço para as concorrentes nos últimos cinco anos.
Quando todo vento sopra a favor
E há também aquelas empresas que conseguem se sair bem em praticamente qualquer cenário, principalmente porque comercializam bens essenciais, como as empresas de energia.
Mas, além disso, o analista de investimento da Inv, João Abdouni, comenta que essas empresas também vivem um bom momento por conta das novas concessões e mudanças regulatórias do setor energético.
"A Equatorial (EQTL3) é um exemplo de empresa que conseguiu concessões e ainda está com novos projetos que ajudam a gerar mais receita e geração de caixa, vem crescendo com boa taxa de retorno e vai bem apesar do cenário adverso", explica.
Uma amostra disso foi dada na semana passada, quando a companhia anunciou sua entrada no setor de saneamento, onde será responsável pelos serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário no Amapá pelos próximos 35 anos.
Os balanços das gigantes de commodities
E, claro, não dá para terminar sem falar das empresas de commodities, que também possuem um peso grande dentro do Ibovespa. Mas aqui, segundo analistas e gestores, não deve haver grandes surpresas.
"O setor de celulose pode ser o ponto alto entre as empresas de commodities nessa temporada", aposta Ricardo Peretti, estrategista da Santander Corretora.
Em relatório, a XP aponta que as empresas do setor devem apresentar bons resultados devido ao alto nível de preços, além do efeito positivo da sazonalidade do período, com maior produção, o que ajuda na diluição dos custos fixos.
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Nike vai recuperar o pace? Marca perdeu espaço para Adidas e On, mas pode voltar aos pés dos consumidores
Após anos de marasmo, perdendo espaço para concorrentes, empresa americana tenta recuperar influência no mercado focando em um segmento que sempre liderou
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Cogna (COGN3) mostra ao investidor que terminou o dever de casa, retoma dividendos e passa a operar sem guidance
Em meio à pandemia, em 2020, empresa anunciou guidances audaciosos para 2024 – que o mercado não comprou muito bem. Agora, chegam os resultados
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Lucro do Banco Master, alvo de compra do BRB, dobra e passa de R$ 1 bilhão em 2024
O banco de Daniel Vorcaro divulgou os resultados após o término do prazo oficial para a apresentação de balanços e em meio a um negócio polêmico com o BRB
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista