🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Troca de comando na Petrobras (PETR4) gera incômodo e derruba os papéis, mas mercado não acredita em ‘canetada’ do governo para reduzir preços

Para analistas consultados pelo Seu Dinheiro, a volatilidade gerada é desnecessária e atrapalha, mas pode ser difícil para o governo Bolsonaro mudar a política de preços da noite para o dia

Jasmine Olga
Jasmine Olga
24 de maio de 2022
14:01 - atualizado às 17:41
dividendos petrobras petr4
Imagem: Adobe Stock/Shutterstock/Montagem Giovanna Figueredo

No Brasil, a cultura futebolística está em toda parte – no senso de patriotismo, no vocabulário da população, na incorporação dos jogos ao calendário oficial e, aparentemente, até na forma como o governo federal encontrou para conduzir as estatais, em especial, a Petrobras (PETR4). 

Assim como nos principais times brasileiros, a rotatividade no comando máximo da petroleira é bastante elevada e, para tentar acalmar a torcida, o último ocupante do cargo não durou mais do que dois meses. 

Na noite de ontem, o Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou a demissão de  Mauro Ferreira Coelho do cargo de CEO da estatal e indicou um desconhecido do mercado para o cargo –  Caio Mario Paes de Andrade, chefe da Secretaria Especial de Desburocratização e membro do conselho de administração da EMBRAPA e da Pré-Sal Petróleo (PPSA). 

Se eleito pelo conselho – e existem dúvidas que colocam sua nomeação em risco –, Paes de Andrade será o terceiro presidente a ocupar a cadeira em 2022. 

Mudanças no comando de uma estatal sempre são delicadas, principalmente quando os interesses do controlador esbarram com os dos acionistas minoritários da companhia, o que leva a uma reação negativa do mercado. 

Hoje, as ações de PETR3 e PETR4, negociadas na B3, operaram em forte queda. Por volta das 12h45, o recuo era de 4,12% e 4,76%, respectivamente. Uma perda de R$ 22 bilhões em valor de mercado em apenas algumas horas. 

Leia Também

Uma queda dessa magnitude incomoda, mas mostra que o mercado já se encontra um pouco menos sensibilizado com as trocas de comando constantes promovidas pelo governo de Jair Bolsonaro. 

Prova disso é que as ações PETR3 acabaram fechando o dia com baixa menor, de 2,85%, a R$ 34,40, enquanto PETR4 recuou 2,92%, a R$ 31,60.

Quando Roberto Castello Branco foi o primeiro presidente da estatal a ser demitido pela gestão Bolsonaro, em fevereiro de 2021, os papéis da companhia recuaram cerca de 20%. Por que tamanha diferença nas reações?

Petrobras (PETR4) e o mercado

De lá pra cá, os investidores chegaram a algumas conclusões importantes – embora o governo seja o acionista controlador da Petrobras (PETR4), existem entraves legais para impedir (ou dificultar) a indicação de nomes de profissionais sem experiência no setor,  e uma mudança na política de preços da companhia não é tão simples quanto uma canetada. 

Para os analistas do Morgan Stanley, o governo manda uma mensagem importante para a população em ano eleitoral – a de que está preocupado e buscando alternativas para resolver a forte inflação que atinge o preço de combustíveis e alimentos –, mas nada além disso, já que é difícil imaginar o que pode ser feito de diferente. 

A volatilidade desnecessária causada pelo governo, no entanto, incomoda, assim como a falta de estabilidade na gestão para dar sequência aos planos de longo prazo da companhia.

Eduardo Cubas, sócio e head de alocação da Manchester Investimentos, avalia que a troca de comando tão recorrente machuca muito qualquer plano de crescimento, um fator muito visado por investidores que possam vir a escolher a Petrobras como uma opção para se ter na carteira.  

Na opinião de quase todos os analistas, o mais indicado é a exposição do seu portfólio a outros players do setor – como a PRIO (PRIO3), a antiga PetroRio –, mas é inquestionável que as ações da estatal estão baratas diante dos resultados que vêm sendo apresentados e o balanço robusto. 

As dificuldades seguem escoradas na sinalização de que o governo não deve desistir de mudanças até conseguir o que quer. Para Victor Benndorf, da Benndorf Consultoria, a atual gestão só não vai além nas mudanças porque não possui capital político para isso, mas uma possível eleição de Lula pode mudar o quadro. 

Uma chegada incerta

A indicação de uma mudança tão drástica é preocupante, mas o mercado tem lá suas dúvidas sobre as chances de Caio Mario Paes de Andrade assumir, de fato, a presidência da companhia. 

Há dois meses, Adriano Pires e Rodolfo Landim desistiram de suas indicações para o conselho de administração da Petrobras (PETR4) após constatarem impeditivos para assumirem os cargos — e o mesmo pode ocorrer agora. 

Paes de Andrade não tem a experiência mínima no setor de óleo e gás exigida pela Lei das Estatais ou na diretoria de empresas do porte da Petrobras. 

Além disso, a queda de Mauro Ferreira Coelho exigirá que um novo conselho de administração seja eleito. Ou seja: ainda que o nome de Andrade seja aceito, mudanças não devem acontecer da noite para o dia. 

“Não dá para mudar a política de preços na base da canetada. O Conselho tem que decidir. Dos 11 membros, seis são representantes do governo, mas não vai acontecer tão rápido. Devemos ver uma maior defasagem nos reajustes de preço enquanto isso” - Fred Nobre, líder de análise da Warren Investimentos

O espaço para manobra

Os analistas do Itaú BBA apontam, no entanto, que existe um espaço para que ajustes sejam feitos. 

Historicamente, a Petrobras já tem feito reajustes mais espaçados e menores do que o mercado considera saudável para manter a paridade internacional com o barril de petróleo. Com isso, o recuo recente do valor do diesel e da gasolina no mercado internacional podem ser utilizados como justificativa da nova gestão para um corte – ainda que não exista uma margem real para essa redução. 

*Colaboraram com essa matéria Victor Benndorf, da Benndorf Consultoria, Fred Nobre, da Warren Investimentos e Rodrigo Boselli é gestor e sócio da 3R Investimentos

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
O QUE ESPERAR?

Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%

4 de abril de 2025 - 10:45

Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell

4 de abril de 2025 - 8:16

Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem

SEXTOU COM O RUY

Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa

4 de abril de 2025 - 6:03

O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso

UM DIA PARA ESQUECER

Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump

3 de abril de 2025 - 19:01

Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro

NO OLHO DO FURACÃO

Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora

3 de abril de 2025 - 15:05

Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados

DÓLAR HOJE

Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte

3 de abril de 2025 - 13:13

A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%

3 de abril de 2025 - 10:50

O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais

3 de abril de 2025 - 8:14

Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA

DERRETENDO

Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara

2 de abril de 2025 - 20:10

Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?

2 de abril de 2025 - 20:00

As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?

PERDEU, DÓLAR

Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência 

2 de abril de 2025 - 13:35

Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade

DIA 72

Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA

1 de abril de 2025 - 19:32

Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas

AÇÕES EM QUEDA FORTE

Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano

1 de abril de 2025 - 17:29

No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa

conteúdo EQI

Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário

1 de abril de 2025 - 12:00

O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump

1 de abril de 2025 - 8:13

Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump

BALANÇO DO MÊS

Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio

31 de março de 2025 - 19:08

Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam

BULL & BRISKET MARKET

Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado

31 de março de 2025 - 18:50

Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump

31 de março de 2025 - 8:18

O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”

MERCADOS HOJE

Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump

28 de março de 2025 - 14:15

Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA

28 de março de 2025 - 8:04

O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar