Esquenta dos mercados: Exterior morno antes da fala de Powell mantém foco da bolsa brasileira em dados da inflação
Ainda hoje, Roberto Campos Neto deve se reunir com servidores do Banco Central, descontentes com o reajuste de apenas um setor do funcionalismo público

O tema mais frequente nos elevadores de prédio em São Paulo envolve o tempo. “Esse clima doido, não é?”, pergunta um vizinho antes do térreo. E o mau tempo não é só do lado de fora, mas dentro das paredes da bolsa brasileira no centro da cidade.
O clima eleitoral já se instaurou no debate público brasileiro, com altas possibilidades de pancadas no principal índice da bolsa — e um furo no teto (de gastos) pode gerar uma dor de cabeça nos investidores sem igual.
As pautas eleitorais já começam a se sobrepor ao debate sobre as contas públicas, com reajuste de servidores e greves da Receita e do Banco Central em constante ameaça de paralisação das atividades. O risco fiscal, com um “jeitinho” no programa de refinanciamento de pequenas e médias empresas (Refis), também não deve agradar.
Enquanto o tempo fecha por aqui, lá fora os ventos são amenos antes da fala de Jerome Powell, presidente do Fed, ao Congresso. O chefe do BC americano deve dar maiores detalhes sobre a alta dos juros, que tem gerado temores no mercado nos últimos pregões.
Esse medo foi suficiente para pressionar as bolsas de Nova York e o pessimismo respingou no Ibovespa, que recuou 0,75%, aos 101.945 pontos, depois de ter chegado a perder 1,64% na mínima, aos 101.037 pontos, no pregão da última segunda-feira (10). Já o dólar à vista fechou em alta de 0,76%, a R$ 5,6743, mas chegou a bater R$ 5,6924 na máxima do dia.
Pegue seu guarda-chuvas e prepare-se para a sessão desta terça-feira (11):
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Powell em foco
O presidente do maior Banco Central do mundo, Jerome Powell, testemunhará ao Congresso americano após ser reconduzido ao cargo de chefia do Federal Reserve.
Em seu discurso, Powell deve dizer quais as ferramentas que o BC americano utilizará para apoiar a economia dos EUA em um momento de inflação recorde e retomada da economia. O chefe da autoridade monetária ainda deve responder a comentários sobre a alta nos juros ainda em março.
Risco político-fiscal
Os debates envolvendo o refinanciamento de dívidas de pequenas e médias empresas (o chamado Refis) seguem como ponto de preocupação dos investidores. Na semana passada, o presidente da República, Jair Bolsonaro, vetou integralmente o projeto de lei que abriria mão de R$ 50 bilhões em dívidas do Simples Nacional e MEIs.
Contudo, esse não foi o fim da discussão. O presidente voltou a falar sobre o Refis em entrevista à Jovem Pan, em que afirmou buscar uma solução que “agrade 75% desses empreendedores”.
Bolsonaro atribuiu o veto à necessidade de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), entretanto não descartou instaurar um programa parecido com o Refis por meio de uma portaria, sem dar maiores detalhes sobre o tema. Este pode ser um aceno do presidente à categoria, em meio a uma crise de popularidade antes das eleições de 2022.
Panos quentes
O reajuste de servidores públicos também permanece em foco na pauta nacional. O assunto espinhento leva em conta o aumento salarial apenas para policiais federais, o que gerou reação do funcionalismo, com ameaças de paralisação da Receita Federal e do Banco Central.
Ainda hoje, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deve se reunir com representantes de sindicatos para amenizar a crise.
Inflação de 2021: IPCA desacelera?
Ainda no cenário doméstico, hoje é o dia da divulgação da inflação oficial para 2021. De acordo com a mediana das projeções de especialistas ouvidos pelo Broadcast, o indicador deve avançar 0,65%, frente a uma alta de 0,95% no mês anterior.
Com isso, o IPCA acumulado em 2021 deve encerrar em 10,00% na mediana das projeções.
A desaceleração da alta de preços deve sentir alívio no corte de preços da gasolina nas refinarias em meados de dezembro. Além disso, é esperado que a bandeira tarifária da conta de luz recue após as chuvas que preencheram os reservatórios, o que deve refletir no IPCA nos próximos meses.
Voos cancelados
A crise da covid-19 deve afetar especialmente os setores ligados ao turismo, em especial as áreas da bolsa brasileira.
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), as empresas têm buscado medidas paliativas para o cancelamento de voos devido a alta de casos de influenza e covid na tripulação. Em 2021 foi aprovada uma lei de flexibilização nas regras de alterações de passagem, cancelamentos, reembolsos e créditos.
Contudo, a medida parou de valer em 1º de janeiro deste ano, o que tem gerado confusão nos aeroportos.
Em um levantamento feito pelas próprias companhias, estima-se que mais de 500 tenham sido cancelados ou remarcados desde quinta-feira e que ao menos 646 voos devem ser cancelados de domingo até o fim da semana.
Fique de olho hoje em: Azul (AZUL4) e Gol (GOLL3).
Bolsas pelo mundo
As principais bolsas da Ásia encerraram o pregão desta terça-feira em queda, de olho nas falas de Jerome Powell de hoje e com o avanço da pandemia no radar. Os dados de inflação da China serão conhecidos hoje à noite no Brasil.
As bolsas da Europa buscam recuperação e sobem após a abertura antes da fala de Powell sobre os juros.
Por fim, os futuros de Nova York também sobem antes da fala de Powell ao Senado.
Agenda do dia
- OCDE: CPI de novembro (8h)
- IBGE: IPCA de dezembro e de 2021 (9h)
- Estados Unidos: Presidente do Fed, Jerome Powell, participa de audiência de nomeação do Senado (12h)
- Banco Central: O presidente do BC, Roberto Campos Neto, e a diretora Carolina de Assis Barros (Administração) têm reunião fechada com sindicatos de servidores do banco (14h)
- China: CPI e PPI de dezembro (22h30)
Veja também - Ações do Banco do Brasil (BBAS3) têm potencial para disparar 70% a partir deste ano e Bradesco (BBDC4) pode subir até 49%
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Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.