Ibovespa é atropelado por fuga de risco global e afunda 10% no mês; dólar volta a encostar em R$ 5
O mês de abril interrompeu o que vinha sendo um ano positivo para o Ibovespa, mas as bolsas em Nova York também viveram momentos complicados

Abril acabou, mas não vai deixar saudades – nem aqui e nem em Wall Street. De cabo a rabo, o mês que passou foi marcado por tensão e perdas para a bolsa brasileira. Não por acaso o principal índice da B3 teve o pior resultado mensal desde o pico da pandemia e as bolsas americanas tiveram um desempenho só comparado à crise de 2008.
Com a economia chinesa mais uma vez afetada pelo coronavírus e a imposição de isolamentos populacionais severos, e os sinais cada vez mais claros de que o Federal Reserve deve mais uma vez acelerar o ritmo da elevação dos juros americanos, os investidores voltaram a ter calafrios.
O mercado brasileiro já estava até desacostumado a atravessar um período tão árduo. Depois de três meses de abundância de dinheiro gringo entrando no país, chegou a hora de acompanhar o restante das bolsas globais nas preocupações.
- MUDANÇAS NO IR 2022: baixe o guia gratuito sobre o Imposto de Renda deste ano e evite problemas com a Receita Federal; basta clicar aqui.
Com menos investimento estrangeiro e dúvidas sobre como as exportadoras de commodities vão se comportar diante de uma possível desaceleração chinesa, o Ibovespa recuou 10,10% no mês, diminuindo os ganhos do ano para meros 2,91%.
O dólar, que nas últimas semanas tinha feito o investidor sonhar com cifras cada vez mais baixas, também não aguentou o ritmo alucinante de queda e subiu 3,81% no mês, voltando a encostar na casa dos R$ 5.
Entre um morde e assopra e outro do cenário macroeconômico, a temporada de balanços também puxa os investidores de volta à realidade. Enquanto algumas big techs trouxeram euforia para a bolsa, outras fizeram com que o Nasdaq, já baqueado pela iminente elevação de juros nos EUA, sofresse com verdadeiros banhos de sangue.
Leia Também
Hoje, a recuperação na cotação do minério de ferro e do petróleo fez que o Ibovespa sonhasse com um fim de abril mais agradável, mas o principal índice da bolsa brasileira foi atropelado pela queda de mais de 4% do índice de tecnologia de Nova York e de desempenhos igualmente ruins do S&P 500 e do Dow Jones.
Na B3, a queda foi de 1,86%, aos 107.876 pontos – a mínima do dia. O dólar à vista, depois de oscilar entre perdas e ganhos ao longo de todo o dia, fechou em leve alta de 0,06%, a R$ 4,9427. No mercado de juros, a antecipação pelas reuniões de política monetária da semana que vem falou mais alto, com um movimento de leve alta.
CÓDIGO | NOME | ULT | FEC |
DI1F23 | DI jan/23 | 13,03% | 13,04% |
DI1F25 | DI Jan/25 | 12,04% | 12,03% |
DI1F26 | DI Jan/26 | 11,89% | 11,84% |
DI1F27 | DI Jan/27 | 11,85% | 11,83% |
A dúvida de milhões
A guerra na Ucrânia está longe de ser superada e a prorrogação do conflito ainda pode gerar muitos desdobramentos negativos para a economia europeia e global, mas o olhar dos investidores não esteve voltado para o leste europeu nas últimas semanas. O grande temor do mercado reside na China.
O país tem adotado uma política severa de contenção para o coronavírus e voltou a impor um isolamento social severo nas principais cidades do país. A economia, que já demonstrava sinais de desaquecimento, voltou a sofrer e a preocupação com a demanda por produtos e commodities pesou sobre o valor das ações e dos ativos.
O governo chinês, no entanto, colocou panos quentes nos temores que cercam a paralisação dos seus principais centros financeiros. Ainda assim, nem todo mundo está confiante de que as medidas adotadas para suportar a economia chinesa consigam mitigar totalmente os efeitos negativos de uma desaceleração econômica.
Sobe e desce do Ibovespa
O fechamento da venda de 90% da fatia da Petrobras no campo de Albacora Leste para uma subsidiária da PetroRio fez com que a PRIO3 fosse a ação com melhor desempenho na semana.
A transação está avaliada em US$ 2,2 bilhões. Deste total, US$ 292,7 milhões serão pagos na data de celebração do contrato e outros US$ 1,66 bilhão no fechamento. Além disso, até US$ 250 milhões virão de pagamentos contingentes, que dependem das cotações futuras do Brent.
Na sequência, o setor de shoppings e a Embraer se beneficiaram de balanços corporativos bem recebidos pelo mercado. Confira as maiores altas da semana:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
PRIO3 | PetroRio ON | R$ 26,70 | 9,07% |
RRRP3 | 3R Petroleum ON | R$ 46,23 | 6,37% |
MULT3 | Multiplan ON | R$ 24,65 | 4,76% |
IGTI11 | Iguatemi ON | R$ 20,99 | 3,86% |
EMBR3 | Embraer ON | R$ 14,21 | 3,72% |
Com o forte recuo das ações no Nasdaq e o avanço dos juros, o setor de consumo e tecnologia foi mais uma vez muito impactado. Confira também as maiores quedas do Ibovespa no período:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VARSEM |
HAPV3 | Hapvida ON | R$ 8,77 | -13,43% |
MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 4,88 | -12,07% |
BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 15,17 | -11,85% |
SOMA3 | Grupo Soma | R$ 12,08 | -11,57% |
RAIL3 | Rumo ON | R$ 16,37 | -10,40% |
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita
Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%
O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde
Para o investidor brasileiro, o “buy the dip” não só sustenta uma razão própria como pode funcionar também como instrumento de diversificação, especialmente quando associado às tecnologias de ponta
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Dólar atinge o menor patamar desde novembro de 2024: veja como buscar lucros com a oscilação da moeda
A recente queda do dólar pode abrir oportunidades estratégicas para investidores atentos; descubra uma forma inteligente de expor seu capital neste momento
É hora de comprar a líder do Ibovespa hoje: Vamos (VAMO3) dispara mais de 17% após dados do 4T24 e banco diz que ação está barata
A companhia apresentou os primeiros resultados trimestrais após a cisão dos negócios de locação e concessionária e apresenta lucro acima das projeções
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Felipe Miranda: Dedo no gatilho
Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.