Ibovespa inicia semana no vermelho e fecha no menor patamar dos últimos 30 dias; dólar também segue em queda, a R$ 4,64
A liquidez reduzida pela semana mais curta e o desempenho negativo das bolsas de NY são dois dos fatores que atrapalharam o índice hoje

Não é sempre que a Páscoa cai perto da data que relembra a memória de Tiradentes. Mas, em algumas ocasiões, os dois feriados são separados por poucos dias úteis. Neste ano, por exemplo, os mais sortudos poderão até erguer uma “ponte” e garantir miniférias.
Já quem tem patrões menos flexíveis ou trabalha em serviços essenciais precisará encontrar disposição para vencer a combinação de preguiça pós e pré-feriado e chegar ao final de mais uma semana.
- MUDANÇAS NO IR 2022: baixe o guia gratuito sobre o Imposto de Renda deste ano e evite problemas com a Receita Federal; basta clicar aqui.
Esse é o caso do Ibovespa, que não emendou as datas comemorativas e voltou às negociações nesta segunda-feira (18). E o dia não foi fácil para o principal índice acionário brasileiro: ele firmou-se em queda logo após a abertura.
A liquidez reduzida pela semana mais curta e o desempenho negativo das bolsas de Nova York não ajudaram nas cotações. Outras rasteiras vieram da alta das commodities — o petróleo encerrou o dia em alta e o preço do barril se aproximou dos maiores níveis em três semanas — e da greve dos servidores do Banco Central.
Com isso, o Ibovespa encerrou a sessão com um recuo de 0,43% e desceu mais um nível na linha de pontuações. O patamar de encerramento, aos 115.687,25 pontos, é o menor desde o dia 18 de março, quando o índice também ficou abaixo dos 116 mil pontos.
O dólar também seguiu sua trajetória de queda hoje e fechou o dia com um recuo de 1,02%, cotado em R$ 4,64. Para quem já se pergunta se “vai ter Disney”, temos uma boa notícia: especialistas apostam em uma queda ainda maior.
Leia Também
Benjamin Mandel, ex-JP Morgan e Citi e atualmente gestor da Itaú Asset, calcula que a moeda norte-americana estaria 15% mais cara do que o normal. Para o economista, o dólar deve chegar a R$ 4,00 no longo prazo.
Já os juros futuros, que passaram a maior parte da manhã em alta, inverteram o sinal e encerram as negociações no campo negativo.
Na esteira da queda do dólar, os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) anotaram quedas. Veja os percentuais abaixo, com os dados sobre o ajuste da última quinta-feira (14):
- DI para janeiro/2023: 13,05% (ante 13,113%);
- DI para janeiro/2024: 12,675% (ante 12,803%);
- DI para janeiro/2025: 12,05% (ante 112,156%);
- DI para janeiro/2027: 11,77% (ante 11,86%).
Inter (BIDI11) retoma planos de mudança para o exterior e é destaque da sessão
Entre as maiores altas do dia, o destaque ficou com o Inter (BIDI11), que dominou a ponta positiva do Ibovespa na maior parte da sessão. Por trás do desempenho digno de nota está a retomada dos planos do banco de listar suas ações nos Estados Unidos.
No feriado da Sexta-Feira Santa, às 23h20, o banco comunicou ao mercado que enviou um aditivo ao regulador do mercado financeiro americano, a SEC, com novos termos para seguir com uma reorganização societária que objetiva levar suas ações para a Nasdaq.
"Essa reestruturação já era esperada e nós acreditamos que irá apoiar os preços das ações do banco (que sofreram um sell-of nos últimos meses", disse o banco UBS BB em nota enviada a clientes.
O UBS BB recomenda compra das ações do Inter e tem o preço-alvo estipulado em R$ 42. O valor representa um potencial de valorização de 154% em relação ao fechamento do último pregão.
Vale lembrar que em dezembro do ano passado o conselho de administração do Inter decidiu não seguir com a reorganização societária. Isso aconteceu porque mais de 10% da base acionista não topou trocar as ações por BDRs e preferiu o cash-out, ou seja, receber o valor correspondente em dinheiro.
SOBE E DESCE DO IBOVESPA
Além do Inter, veja quais foram as maiores altas do Ibovespa hoje:
TICKER | EMPRESA | COTAÇÃO | VARIAÇÃO |
BIDI11 | BANCO INTER UNT | R$ 17,26 | +4.42% |
LWSA3 | LOCAWEB ON | R$ 8,39 | +4.22% |
BBAS3 | BANCO DO BRASIL ON | R$ 36,50 | +3.69% |
IGTI11 | IGUATEMI UNT | R$ 20,95 | +3.10% |
FLRY3 | FLEURY ON | R$ 15,88 | +2.52% |
Confira também as maiores baixas:
TICKER | EMPRESA | COTAÇÃO | VARIAÇÃO |
ENEV3 | ENEVA ON | R$ 14,90 | −4.24% |
GOLL4 | GOL PN | R$ 15,89 | −3.11% |
SUZB3 | SUZANO S.A. ON | R$ 52,10 | −2.82% |
CSNA3 | SID NACIONAL ON | R$ 24,75 | −2.71% |
ECOR3 | ECORODOVIAS ON | R$ 7,34 | −2.65% |
Foco nas greves e no Banco Central
Os servidores do BC permanecem em greve nesta semana, o que atrasa mais uma vez a divulgação da pesquisa Focus — que traz as projeções do mercado para a economia —, além da publicação da balança comercial e da prévia do PIB, o IBC-Br.
Quem deve se juntar aos servidores do BC são os funcionários do Tesouro, que devem parar suas atividades na quarta-feira (20), e os auditores da Receita Federal. Estes últimos repudiaram o reajuste de 5%, que não repõe as perdas inflacionárias.
Ao mesmo tempo, o funcionalismo público segue na briga. Mesmo servidores da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) entendem que o presidente da República, Jair Bolsonaro, descumpriu acordos com representantes da categoria, que marcaram uma assembleia extraordinária para esta terça-feira (19).
Bolsonaro havia prometido um reajuste para sua base de apoio — os policiais federais — o que gerou descontentamento das demais categorias. Entretanto, o Orçamento para este ano já estava limitado, e o chamado “pacote de benesses” do presidente encontra resistência da equipe técnica da Economia.
Além disso, o Ministério ainda deve conceder uma coletiva de imprensa sobre o Projeto de Lei Orçamentária (PLDO) para o ano que vem. Nas projeções, o déficit fiscal deve ficar em R$ 25,5 bilhões neste ano.
FMI e Livro Bege monopolizam atenção das bolsas no exterior
O Fundo Monetário Internacional começa sua reunião de primavera na próxima terça-feira (19), com a participação de grandes representantes dos BCs mundiais. Entre eles, Jerome Powell, do Federal Reserve, Christine Lagarde, do BCE, e o próprio Roberto Campos Neto, da autoridade brasileira.
Na esteira dos acontecimentos, o FMI deve debater temas como o novo cenário internacional, com a retomada das atividades, inflação disparada e encarecimento do crédito nos países. A guerra da Ucrânia deve permanecer como pano de fundo e são esperados comentários de autoridades sobre o conflito.
Ainda permanece no radar a temporada de balanços nos Estados Unidos. Nomes conhecidos como o Bank of America, Johnson & Johnson, Tesla e Netflix devem divulgar seus dados do terceiro trimestre deste ano.
Por fim, a divulgação do Livro Bege, a publicação do Federal Reserve que traz perspectivas para a economia dos EUA, deve acontecer na próxima quarta-feira (20).
O tom mais agressivo (hawkish, no jargão do mercado) do Fed contra a inflação chegou a assustar os investidores em Wall Street. A alta contratada de 50 pontos-base nos juros para a próxima reunião não deve ser o fim do aperto monetário do maior BC do mundo.
A redução do balanço patrimonial — em outras palavras, a retirada de estímulos da economia, ou tapering — também deve acelerar nos próximos meses.
Vale lembrar que a injeção de dinheiro do Fed na economia impulsionou o desempenho de ativos de risco nos últimos dois anos, como ações e criptomoedas. Com isso, é esperado que esses investimentos sintam a volta das “vacas magras” no cenário internacional.
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3
A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam