Ibovespa sustenta leve alta apesar do dia negativo em NY; dólar sobe forte e fecha em R$ 5,43, maior cotação em mais de cinco meses
Em um dia marcado pelo cabo de guerra entre varejistas e empresas ligadas às commodities, o índice rondou a estabilidade, enquanto a moeda norte-americana engatou uma nova alta

Duas pequenas criaturas estiveram sobre os ombros do Ibovespa durante esta terça-feira (12). De um lado, um anjo sussurrava promessas de que a taxa Selic deve parar de subir em agosto. Do outro, um demônio dizia que a recessão econômica está rodando o globo e, em breve, deve bater na nossa porta.
Atentos às palavras do anjo, os investidores voltaram-se para as varejistas, duramente penalizadas pela alta dos juros. Puxado pelo Magazine Luiza (MGLU3), o setor disparou em bloco em um movimento de 'caça à barganhas".
Já a previsão do demônio — que fez questão de relembrar que uma nova onda de casos de covid-19 colocou diversas cidades chinesas em lockdown — caiu como uma bomba entre as produtoras de commodities, que já vinham enfraquecidas pelo tombo do minério de ferro e do petróleo no mercado internacional.
As siderúrgicas reverteram parte da queda ao longo do pregão e Vale (VALE3) e outros nomes do setor ficaram no terreno dos ganhos. Já as petroleiras amargaram performances negativas, com a 3R Petroleum (RRRP3) liderando as perdas do dia.
Em Wall Street, os seres sobrenaturais também disputavam para ver quem iria influenciar mais o rumo dos negócios e as bolsas por lá operaram sem direção única ao longo da sessão.
No final da tarde, contudo, o pessimismo e o tombo do setor elétrico falaram mais alto e os três principais índices dos Estados Unidos fecharam com perdas de 0,63% a 0,95%.
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Por aqui, a batalha entre o bem e o mal também foi definida tarde. Faltando poucos minutos para o fechamento dos negócios, o celestial cansou de conversa, pegou emprestada a espada do arcanjo Miguel e derrubou o demônio dos ombros do índice brasileiro. O Ibovespa terminou o dia com ganho de 0,06%, aos 98.271 pontos.
Já o dólar à vista aproveitou o clima de cabo de guerra e emendou mais uma forte alta. Com os investidores buscando proteção, a moeda norte-americana chegou a valer mais do que o euro pela primeira vez em 20 anos e subiu 1,27%, cotada em R$ 5,4391. Esse é o maior valor de fechamento desde 26 de janeiro.
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O que mexeu com os mercados lá fora?
Os principais mercados de ações da Europa e os índices futuros de Wall Street amanheceram no vermelho hoje. Nos Estados Unidos, a espera pelos novos dados sobre a inflação em junho, que serão conhecidos amanhã (13), alimentou a aversão ao risco.
O índice já se encontra nos níveis mais elevados em 40 anos. Em maio, a inflação avançou 8,6% no acumulado em 12 meses nos Estados Unidos.
E a expectativa dos analistas é de que a leitura referente a junho venha ainda mais elevada — e quem garante que todos os tons de pessimismo tomem o mercado é o governo dos Estados Unidos.
A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, afirmou que o governo norte-americano espera uma leitura "altamente elevada" do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de junho.
O índice deve ser impulsionado principalmente pelos preços elevados de combustível no período. Em julho, os preços da gasolina no país recuam 7% "em relação ao pico de junho".
Além disso, investidores ao redor de todo o globo acompanham o avanço da covid-19 na China. Uma nova sub variante da ômicron é o motivo da nova onda de casos que colocou diversas cidades chinesas em lockdowns.
Ainda que Pequim tenha anunciado medidas de contenção de danos à economia, os investidores estão céticos quanto a sua eficácia no momento.
Europa sem gás
A manutenção programada do gasoduto Nord Stream 1 também pesa, especialmente para a Europa. A interrupção do fornecimento de gás para as atividades de manutenção alimenta temores de que a Rússia possa prolongar o trabalho e atrasar ainda mais o fornecimento de gás para a Alemanha.
Com o bloco econômico imerso em preocupações energéticas ligadas ao fornecimento do gás russo, o euro chegou a atingir a paridade com o dólar, movimento que não era visto desde 2002.
O temor de uma recessão na Europa aumentou nas últimas semanas devido à crescente incerteza sobre o acesso do bloco a importações de gás natural e petróleo.
PEC dos benefícios e Ibovespa
Por aqui, o Ibovespa ainda contou com a face brasileira da crise para afetar os negócios. A PEC dos benefícios — que também recebe os nomes de PEC Kamikaze e PEC dos Combustíveis — foi novamente destaque do dia.
A votação no plenário da Câmara, marcada para hoje, é o grande foco dos investidores. A aprovação do texto que instaura uma série de benefícios fora do teto de gastos pode ser o fim de um capítulo do sofrimento dos investidores.
Acontece que a PEC foi inflada e modificada para durar até o final do ano, mas com gastos que, somados, chegam a R$ 38,7 bilhões fora da regra que limita as despesas do governo.
Burlar o teto de gastos é extremamente mal visto pelos investidores porque aumenta o chamado risco Brasil. Por outro lado, a aprovação da proposta traz um alívio porque impede o aumento ainda maior dos gastos públicos.
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Sobe e desce do Ibovespa
Em meio a esse cenário, os investidores buscaram ações descontadas hoje. E o setor de varejo, que concentra boa parte das pechinchas da B3, foi o grande destaque positivo.
Veja abaixo as maiores altas:
CÓDIGO | NOME | COTAÇÃO | VARIAÇÃO |
MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 2,94 | 11,79% |
VIIA3 | Via ON | R$ 2,55 | 9,44% |
AMER3 | Americanas ON | R$ 16,90 | 8,26% |
AZUL4 | Azul PN | R$ 12,41 | 7,82% |
NTCO3 | Natura ON | R$ 14,68 | 7,70% |
Na outra ponta do Ibovespa, as ações ligadas às commodities sofreram com as perspectivas de recessão e com a queda brusca do petróleo no mercado internacional. Confira as maiores quedas do dia:
CÓDIGO | NOME | COTAÇÃO | VARIAÇÃO |
RRRP3 | 3R Petroleum ON | R$ 30,27 | -6,49% |
PCAR3 | GPA ON | R$ 16,66 | -3,36% |
CRFB3 | Carrefour Brasil ON | R$ 16,70 | -2,91% |
ALPA4 | Alpargatas PN | R$ 19,29 | -2,28% |
B3SA3 | B3 ON | R$ 10,53 | -2,23% |
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