Esquenta dos mercados: Dia mais importante de Jackson Hole se junta a dados de inflação e pressiona bolsas internacionais; Ibovespa reage à sabatina de Lula
Sem maiores indicadores para o dia, os investidores acompanham a participação de Roberto Campos Neto e Paulo Guedes em eventos separados

A sexta-feira chegou. Finalmente. Mas calma. Essa celebração nada tem a ver com a véspera do sábado. Hoje é o dia do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em Jackson Hole. A expectativa com a fala manteve os mercados financeiros em compasso de espera durante a maior parte da semana — e, nesta sexta-feira (26), as bolsas de valores amanheceram com um claro tom de cautela.
O simpósio de banqueiros centrais de Jackson Hole é acompanhado com atenção pelos participantes do mercado. Eles costumam analisar todas as vírgulas, caras e bocas na busca por sinalizações sobre os próximos passos das autoridades monetárias globais.
No ano passado, por exemplo, os analistas nem precisaram se esforçar tanto. Na ocasião, Powell afirmou que a inflação global seria um fenômeno transitório. Ao que tudo indica, somente ele não sabia que estava errado. Faz parte.
Agora, com os preços em disparada e o mercado de trabalho aquecido, o Fed está engajado em um agressivo aperto monetário. E a dúvida dos participantes do mercado é se o banco central dos Estados Unidos está ciente de que o remédio que cura é o mesmo que envenena.
Um eventual exagero na dose pode fazer com que a desaceleração econômica se transforme em recessão mais adiante.
Dando um salto do exterior para terras brasileiras, o mercado local deve reagir à sabatina de ontem à noite do candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Leia Também
Entretanto, caso não surja nenhum gatilho que justifique um descolamento, o Ibovespa deve acompanhar as bolsas estrangeiras pelo menos até a fala de Powell.
No último pregão, dominado pela cautela, o Ibovespa avançou 0,56%, aos 113.531 pontos e o dólar à vista encerrou a sessão em leve alta de 0,02%, a R$ 5,1121.
Confira o que movimenta as bolsas, o dólar e o Ibovespa nesta sexta-feira:
Jackson Hole e o fim (?) da pressão nas bolsas
O grande problema é que Jerome Powell nutre certo gosto por não entregar o que se espera dele. Que o digam os repórteres que acompanham as entrevistas coletivas concedidas depois das decisões de juro do Fed.
E é isso o que está deixando os analistas com a pulga atrás da orelha antes do discurso de Powell em Jackson Hole hoje. Especula-se que, ao invés de trazer mais clareza, Powell mantenha a mensagem de combate incansável ao dragão da inflação.
Reviravolta nas cartas
O que talvez mude é o tom. Nas horas que antecedem a fala, a expectativa é de um linguajar mais duro — ou, no jargão do mercado tradicional, mais hawkish.
E é por isso que os índices futuros de Nova York sinalizam abertura em queda na sessão desta sexta-feira. Na Europa, as bolsas operam em leve baixa e o euro encontra dificuldade para manter a paridade com o dólar.
Espera-se que Powell enfatize que o Fed recorrerá a todos os recursos à disposição para extinguir o incêndio inflacionário. Mas não só. Ele também deve apontar que, depois que o Fed encerrar o aperto monetário, as taxas permanecerão onde estiverem.
Onde entram as bolsas nesse cenário
Isso desafia a expectativa dos analistas de que o Fed comece a afrouxar a política monetária em 2023.
De qualquer modo, falta pouco para saber o que passa pela cabeça do presidente do banco central norte-americano.
A propósito, também na manhã de hoje, será conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos Estados Unidos referente a julho, também chamado de PCE, na sigla em inglês. Trata-se do indicador favorito dos diretores do Fed para direcionar a política monetária.
Ibovespa em reação ao cenário local
Sem maiores indicadores locais para o dia, os investidores acompanham as falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento pela manhã. Também permanece no radar a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em duas reuniões no Rio Grande do Sul.
O índice local deve ser guiado majoritariamente pelo exterior, mas nada impede que os investidores sintam alguns solavancos com a repercussão da entrevista do ex-presidente Lula no Jornal Nacional.
Os pontos que interessam
Para o investidor em bolsa, o candidato pelo PT afirmou que reduziria a inflação “como fez em 2003”, ano de seu primeiro mandato. Lula reforçou ainda que “há três palavras certas para governar o País: credibilidade, previsibilidade e estabilidade".
Ainda sobre sua campanha, Lula defendeu a escolha de Geraldo Alckmin (PSDB) como seu vice. "Alckmin vai me ajudar, tenho 100% de confiança. A experiência dele de governador de São Paulo e mais anos de vice de Mário Covas vai me ajudar a consertar esse País", afirmou.
Confira os melhores momentos da fala do candidato à presidência aqui no Seu Dinheiro.
Do outro lado da mesa
Enquanto Lula discursava na TV, o atual presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL) realizou sua tradicional live de quinta-feira pelas redes sociais.
O presidente subiu o tom contra o ministro Alexandre de Moraes, que agora preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em live, o candidato à reeleição pediu explicações sobre a operação da Polícia Federal contra empresários acusados de defender um golpe de Estado caso Lula vença nas urnas em outubro.
A ação foi autorizada por Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsa hoje: agenda do dia
- Estados Unidos: PCE e Núcleo do PCE (9h30)
- Estados Unidos: Presidente do Fed, Jerome Powell, discursa em Jackson Hole (11h)
- Banco Central: Investimento direto no país (9h30)
- Banco Central: Presidente do BC, Roberto Campos Neto, profere palestra online no evento '1618 Spring Investment Meeting', da 1618 Investimentos (9h30)
- Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, palestra na Associação da Classe Média (ACLAME), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul (10h30)
- Receita Federal: Arrecadação federal em julho (11h)
- Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, tem reunião-almoço com empresários do agronegócio em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul (13h)
- Aneel: Anúncio da bandeira tarifária para setembro (sem horário específico)
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3
A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Itaú BBA revela as ações com baixa volatilidade que superam o retorno do Ibovespa — e indica seis papéis favoritos
O levantamento revelou que, durante 13 anos, as carteiras que incluíam ações com baixa volatilidade superaram a rentabilidade do principal índice da bolsa brasileira
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita
Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%
O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje