Guedes revela conselhos para deixar o governo e justifica falas polêmicas em audiência pública
O ministro da Economia foi questionado a respeito de diversos temas ligados à pasta e sua atuação durante uma audiência conjunta de quatro comissões da Câmara.

A agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes, desta quarta-feira (4) está recheada de esclarecimentos a respeito de políticas econômicas, Orçamento, reformas e suas últimas falas polêmicas.
Guedes respondeu a perguntas dos parlamentares durante sua participação em uma audiência pública conjunta das comissões de Finanças e Tributação; Educação; Trabalho, Administração e Serviço Público; e Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
Entre os destaques da conversa, o ministro revelou que tem recebido muitos conselhos para "sair logo" do governo, mas que não concorda com as avaliações de que o poder executivo não está bem.
"Não falta gente que diz sai logo, custo está alto, governo não está bem. Não é o que eu vejo", afirmou. "Posso cair, posso ser derrubado, posso não ter performance satisfatória. Pode acontecer qualquer coisa. Mas enquanto estiver aqui, tenho que ter senso de responsabilidade e compromisso com o melhor resultado possível", completou o ministro.
Guedes citou ainda outros ministros que, na sua visão, estão fazendo um bom trabalho, como Tereza Cristina, da Agricultura, Tarcísio Freitas, da Infraestrutura, e Marcelo Queiroga, da Saúde.
"Queiroga consegue ter grau de comunicação que o Luiz Henrique Mandetta tinha, mas ao mesmo tempo capacidade logística de desentupir as coisas que o (ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello) estava tentando de todas as formas", analisou.
Leia Também
Orçamento de Guerra
Guedes, que é doutor em economia, também reforçou a importância das contrapartidas fiscais na aprovação de medidas emergenciais de enfrentamento à pandemia. Por isso, destacou ele, a relação dívida/PIB não cresceu tanto em 2020 quanto alguns economistas esperavam.
"Não há problema em aumentar endividamento quando se está em guerra. O Estado existe para a proteção do cidadão. Mas nos endividamos pagando uma parte da guerra, não estamos jogando para nossos filhos e netos os custos", afirmou.
Perguntado sobre a situação econômica neste ano, Guedes avaliou que um superávit “muito forte” deve ajudar a baixar a cotação do dólar no Brasil. De acordo com o ministro, a pasta espera um saldo positivo recorde de US$ 89,4 bilhões na balança comercial.
Guedes voltou a dizer que o governo alterou o mix de juros altos com dólar baixo. "Dissemos que iríamos mudar e os juros realmente chegaram a 2% ao ano, e o câmbio ficou mais alto um pouco. O câmbio brasileiro estava fora do lugar de equilíbrio, que é mais alto. Não é tão alto como está agora, mas todas essas incertezas, doenças, perspectiva de recessão, dúvidas sobre reformas, boatos de que toda hora o ministro pode cair. Vivemos uma fase difícil, turbulenta", apontou.
Saúde é prioridade
Apesar dos cortes no Orçamento deste ano, aprovado depois de uma longa espera e negociações com o Congresso, também terem atingido recursos para a Saúde, o ministro da Economia fez questão de enfatizar que não pode faltar dinheiro para a área, sobretudo no enfrentamento à pandemia de covid-19.
Coincidentemente, a audiência pública de Guedes ocorre em meio ao início dos depoimentos na CPI da Covid no Senado, que ouviu hoje o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
"Não vamos subir em cadáveres para fazer política. Estamos em uma guerra contra o vírus e precisamos botar a vida em primeiro lugar. Toda a ideia do governo é saúde, emprego e renda. A vacinação em massa é o grande desafio", declarou.
Guedes disse ainda ser favorável à ajuda do setor privado na ampliação de leitos. "A ideia é boa, de dar uma isenção e um incentivo qualquer para ampliarmos os leitos. Mas houve um veto jurídico. Às vezes o que é politicamente desejável fere a legislação vigente. O veto não foi do ponto de vista econômico, mas jurídico", justificou ele.
Apesar da fala, o governo precisou vetar incentivo fiscal às empresas que contratassem leitos da rede privada de saúde para atender pacientes com Covid-19 do Sistema Único de Saúde (SUS). Pelo projeto, as empresas poderiam deduzir os valores gastos do Imposto de Renda de 2021.
O limite para a renúncia fiscal seria de R$ 2,5 bilhões. "O problema é que a Lei de Responsabilidade Fiscal exige uma compensação para essa isenção. É preciso mostrar de onde vem o dinheiro. Não foi um veto sobre o conteúdo", explicou.
Reformas
Ao falar sobre as propostas que são consideradas o carro-chefe de sua administração, Guedes defendeu a reforma tributária como solução para o alto volume de desonerações e subsídios federais.
A PEC Emergencial, por exemplo, aprovada neste ano, já prevê a redução dos benefícios tributários dos atuais 4% para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em até oito anos.
"Os mais de R$ 300 bilhões (por ano) em isenções e desonerações e os quase R$ 4 trilhões em contenciosos revelam o manicômio tributário em que o Brasil se meteu. Quem tem poder político consegue isenções e desonerações. Quem tem poder econômico prefere entrar na Justiça e ao invés de pagar R$ 1 bilhão para a União, paga R$ 100 milhões para um escritório de advocacia", disse ele.
O ministro da Economia também voltou a defender a proposta de reforma administrativa enviada pelo governo ao Congresso. O projeto está sendo debatido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
"Ela garante a estabilidade para todos os servidores atuais e não acaba com a estabilidade futura. O que ela exige é que haja um sistema de avaliação e meritocracia que será criado pelos próprios funcionários públicos mais experientes", indicou Guedes na audiência pública conjunta.
Falas polêmicas
Por fim, após novas críticas de parlamentares da oposição a falas polêmicas de Guedes sobre empregadas domésticas e filhos de porteiros, o ministro se desculpou.
"Se ofendi as pessoas mais humildes inadvertidamente, só posso pedir desculpas. Nunca foi esse o objetivo. Nos exemplos que uso, tento mostrar as disfuncionalidades de uma sociedade que é desigual", alegou.
O ministro admitiu que volta e meia usa "expressões infelizes", mas voltou a reclamar que suas falas são tiradas de contexto.
Ele alegou, por exemplo, que foi mal interpretado quando disse que R$ 5 bilhões seriam suficientes para "aniquilar" a covid no começo da pandemia e ressaltou que os gastos chegaram a 8,5% do PIB. "Foi uma expressão ruim que usei para parabenizar parlamentares da oposição que se uniram no combate ao vírus”
Ele também tentou explicar a fala de que todo brasileiro quer viver por 100 anos e que o Estado não teria capacidade para acompanhar o aumento da longevidade da população. "Tiraram totalmente do contexto. Eu estava justamente defendendo voucher e mais recursos para a Saúde. Não é só o rico que tem o direito de viver 100, 120 anos", argumentou.
Parte dos deputados, porém, seguiu na linha de questionamentos sobre as polêmicas. "Como o ministro gosta de dizer, o filho do porteiro é obrigado a sair para trabalhar enquanto ministro do governo trabalha virtualmente", alfinetou o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP).
"Falei de um caso real, do filho porteiro do meu prédio que foi aprovado com média zero, houve excesso. Você não pode dar empréstimo para alguém aprovado com nota zero, tem que dar um voucher. A política está cegando as pessoas, está tudo sendo deformado", rebateu Guedes. "O Kim é jovem, não é grupo de risco e está sentado em casa ao invés de estar aqui no Congresso. Eu não estou em casa, estou no Ministério", acrescentou.
Em tom jocoso, o deputado lembrou compromissos de Guedes, como o de zerar o déficit ainda em 2019 e arrecadar R$ 1 trilhão em privatizações. "A única promessa cumprida foi quando no início do governo vossa excelência disse que, se fizesse muita besteira, o dólar bateria R$ 4. Gostaria que vossa excelência explicasse o déficit na entrega de promessas", completou o parlamentar.
Para Guedes, as promessas foram comprometidas pelo combate ao coronavírus. "É insanidade questionar onde está meu liberalismo, estamos em guerra contra o vírus. Fiz promessas baseadas em acordos políticos, mas aprendi que política tem seu próprio timing. A reforma administrativa, por exemplo, travou no executivo", finalizou ele.
* Com informações do Estadão Conteúdo
Família Trump entra no setor de mineração de bitcoin — American Bitcoin mira o topo da indústria
Donald Trump Jr. e Eric Trump ingressaram no setor de mineração de bitcoin e, em parceria com a Bitcoin Hut 8, buscam construir a maior empresa do ramo
Guido Mantega na Eletrobras (ELET3): governo indica ex-ministro da Fazenda para conselho fiscal, dizem agências
No dia anterior, a companhia e a União assinaram um termo de conciliação que limita o poder de voto dos acionistas a 10%
Eletrobras (ELET3) e União dão mais um passo em acordo ao assinar termo que limita poder de voto dos acionistas a 10%
O entendimento ainda será submetido à assembleia geral de acionistas, a ser convocada pela companhia, e à homologação pelo Supremo Tribunal Federal
O rugido do leão: Ibovespa se prepara para Super Semana dos bancos centrais e mais balanços
Além das decisões de juros, os investidores seguem repercutindo as medidas de estímulo ao consumo na China
Comissão confirma votação do Orçamento na próxima semana depois de suposto adiamento; entenda o que causou a confusão
Congresso vem sendo criticado pela demora na votação; normalmente, o orçamento de um ano é votado até dezembro do ano anterior
Rodolfo Amstalden: Para um período de transição, até que está durando bastante
Ainda que a maior parte de Wall Street continue sendo pró Trump, há um problema de ordem semântica no “período de transição”: seu falsacionismo não é nada trivial
Haddad solta o verbo: dólar, PIB, Gleisi, Trump e até Argentina — nada escapou ao ministro da Fazenda
Ele participou na noite de sexta-feira (7) do podcast Flow e comentou sobre diversos assuntos caros ao governo; o Seu Dinheiro separou os principais pontos para você
Janela de oportunidade na Eletrobras (ELET3): ação ainda não se valorizou e chance de dividendos é cada vez maior
Além da melhora de resultados, o fato de se tornar uma boa e frequente pagadora de proventos é mais um fator que deve ajudar os papéis a subir, agora que a disputa com o governo ficou para trás
Vai pingar na conta: pagamento do saldo retido do FGTS para quem aderiu ao saque-aniversário começa nesta quinta (6)
De acordo com o Ministério do Trabalho, serão liberados R$ 12 bilhões a 12,2 milhões de trabalhadores; saiba quem tem direito a receber
Sondado para a presidência, Tarcísio é candidato preferido dos paulistas para seguir governando São Paulo, mostra pesquisa
O levantamento da Genial/Quaest mostrou que 55% dos eleitores avaliam que Tarcísio de Freitas merece ser reeleito para o cargo de governador de São Paulo. A pesquisa também consultou cidadãos de outros sete estados
Reforma ministerial de Lula: demissão de Nísia Trindade da Saúde abre espaço para posto-chave do governo na relação com o Congresso
O ministro da Secretaria das Relações Institucionais (SRI), Alexandre Padilha, vai assumir a pasta, que é cobiçada por ser a que mais executa emendas parlamentares
Brasil não vive crise como a de 2016, mas precisa largar o ‘vício em gasto público’ se quiser que os juros caiam, diz Mansueto Almeida, do BTG
Comentários do economista-chefe do banco foram feitos durante evento promovido pelo BTG Pactual na manhã desta quarta-feira em São Paulo
Haddad apresenta nova estimativa de corte de gastos em meio a negociações para aprovar Orçamento de 2025
Nova estimativa da Junta de Execução Orçamentária agora prevê economia de R$ 34 bilhões em 2025, segundo Fernando Haddad
O polêmico veto de Lula: como a possível taxação dos fundos imobiliários pode impactar o investimento em FIIs
Em relatório, o BB Investimentos lista as possíveis consequências do dispositivo que obrigaria os FIIs a pagarem impostos de consumo; advogado critica aumento da complexidade tributária
Imposto sobre consumo: Lula sanciona regulamentação da reforma tributária, mas alguns pontos da proposta foram vetados
O texto teve votação concluída pelo Congresso Nacional no fim do ano passado e marca um momento histórico na reestruturação do sistema de impostos do país, discutida há três décadas
Vai sobrar para o Zuckerberg? Lula bate na porta do dono da Meta e dá 72 horas para esclarecer dúvidas sobre mudança na política de conteúdo
O governo vê com muita preocupação o anúncio de que a Meta não fará mais controle de conteúdo
R$ 8,7 bilhões em dinheiro esquecido: governo já começou a incorporar recursos; veja como recuperar sua parte antes que seja tarde
Banco Central revela que 44,5 milhões de pessoas físicas ainda não reivindicaram o dinheiro esquecido
Ministério Público divulga novo edital para concurso com salário de até R$ 13,9 mil; veja como participar
O concurso do Ministério Público disponibiliza 152 vagas para profissionais com nível superior; inscrições abrem em 13 de janeiro
Bitcoin (BTC) volta aos US$ 100 mil em 2025: confiança dos investidores cresce, enquanto futuro da criptomoeda está nas mãos de Donald Trump
Ainda longe de seu recorde histórico, o bitcoin mostra sinais de recuperação, após duas semanas conturbadas provocadas pela última reunião do Fed
Pressão por emendas e expectativa de reforma: como Lula começará 2025? Presidente volta ao Palácio do Planalto na segunda (6)
O chefe do governo teve alta hospitalar em 15 de dezembro, mas ficou se recuperando em sua casa em São Paulo até o dia 19. De lá para cá, esteve entre o Alvorada e a Granja do Torto, de onde realizou reuniões.