Uma catástrofe à vista? Por que o presidente do JP Morgan está preocupado com o teto da dívida dos EUA
Para além do ‘fechamento do governo’, com a suspensão dos serviços públicos, o teto da dívida pode levar a um calote da dívida pública norte-americana

O multitrilionário teto de endividamento dos Estados Unidos foi durante muito tempo uma abstração.
Depois da crise financeira de 2008, entretanto, volta e meia o teto da dívida dos EUA retorna ao noticiário, com republicanos e democratas se alternando na tentativa de tirar proveito das estreitas margens de maioria no Congresso para constranger o governo do partido rival.
Como o teto da dívida só pode ser suspenso com a autorização do Congresso, a situação transforma o presidente de turno em uma espécie de refém da oposição. Os republicanos usaram o teto da dívida contra Barack Obama. Os democratas deram o troco quando o presidente era Donald Trump. Agora o refém é Joe Biden.
Catástrofe e politicagem
Depois de o Partido Republicano, mesmo em minoria, ter obstruído a suspensão do teto da dívida no Senado, a ausência de acordo sobre o tema a poucos dias do encerramento do ano-fiscal norte-americano levou o presidente do JP Morgan Chase a qualificar os riscos envolvidos como “potencialmente catastróficos”.
Numa entrevista à agência de notícias Reuters, Jamie Dimon admitiu que o JP Morgan já começou a se preparar para a possibilidade de os EUA atingirem o teto da dívida, atualmente estipulado em US$ 28,4 trilhões, e ficarem sem dinheiro para o financiamento de suas operações. “É a terceira vez que temos que fazer isso. Trata-se de um evento potencialmente catastrófico”, disse ele.
“Toda vez que isso acontece acaba aparecendo uma solução na última hora, mas nunca deveríamos chegar tão perto. Eu só acho que tudo isso está errado e um dia deveríamos simplesmente ter uma lei com apoio bipartidário para acabar com o teto da dívida. É tudo politicagem!”
Jamie Dimon, presidente do JP Morgan ChaseLeia Também
O mais provável é que Dimon tenha razão. Originalmente implementado com a intenção de impor disciplina fiscal aos deputados e senadores norte-americanos, o teto de endividamento já precisou ser elevado 98 vezes desde o fim da Segunda Guerra Mundial até hoje - uma vez a cada pouco mais de dez meses -, na maioria delas sem alarde.
Em anos recentes, a politização do teto de gastos levou à paralisação do governo em 2011, sob Obama, e 2017, sob Trump. Em nenhum dos casos, entretanto, chegou a haver calote na rolagem da dívida norte-americana.
De acordo com Dimon, o JPMorgan Chase, maior credor privado dos EUA, já tenta projetar como um potencial default de crédito dos EUA afetaria os mercados de recompra de títulos, a oferta de dinheiro, os contratos dos clientes, os índices de capital do banco e a reação das agências de classificação de risco de crédito.
O 1º default da história dos EUA?
Ontem, a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, disse que os recursos do governo para o cumprimento de suas obrigações provavelmente se esgotarão até 18 de outubro e advertiu para o risco real de um calote.
"Sem a elevação do teto, os EUA terão limitação de recursos em 18 de outubro e terão o primeiro default de sua história, o que gerará crise e recessão", comentou Yellen, ontem, em depoimento perante o Senado.
Se isso acontecer, prosseguiu ela, "os juros vão subir e elevar despesas" federais e o pagamento do serviço da dívida pública.
Lembrando ainda que o elevado endividamento norte-americano é uma espécie de construção bipartidária, a secretária reforçou: "É necessário evitar um evento catastrófico. Minha esperança é que vamos trabalhar junto com o Congresso para evitar um desastre."
O líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, pretende tentar uma solução parcial para o tema ainda esta semana, já que amanhã termina o ano-fiscal nos EUA. A ideia de Schumer é segregar as discussões e aprovar um projeto de lei para manter o financiamento às operações do governo a partir de sexta-feira. Com isso, o debate sobre a suspensão do teto de endividamento deve ficar para outubro.
Comissão confirma votação do Orçamento na próxima semana depois de suposto adiamento; entenda o que causou a confusão
Congresso vem sendo criticado pela demora na votação; normalmente, o orçamento de um ano é votado até dezembro do ano anterior
Haddad apresenta nova estimativa de corte de gastos em meio a negociações para aprovar Orçamento de 2025
Nova estimativa da Junta de Execução Orçamentária agora prevê economia de R$ 34 bilhões em 2025, segundo Fernando Haddad
O polêmico veto de Lula: como a possível taxação dos fundos imobiliários pode impactar o investimento em FIIs
Em relatório, o BB Investimentos lista as possíveis consequências do dispositivo que obrigaria os FIIs a pagarem impostos de consumo; advogado critica aumento da complexidade tributária
Imposto sobre consumo: Lula sanciona regulamentação da reforma tributária, mas alguns pontos da proposta foram vetados
O texto teve votação concluída pelo Congresso Nacional no fim do ano passado e marca um momento histórico na reestruturação do sistema de impostos do país, discutida há três décadas
Bitcoin (BTC) volta aos US$ 100 mil em 2025: confiança dos investidores cresce, enquanto futuro da criptomoeda está nas mãos de Donald Trump
Ainda longe de seu recorde histórico, o bitcoin mostra sinais de recuperação, após duas semanas conturbadas provocadas pela última reunião do Fed
Ministro Flávio Dino libera parte dos R$ 4,2 bilhões em emendas parlamentares bloqueadas
Em nova decisão, ministro Flávio Dino liberou pagamento de recursos empenhados até 23 de dezembro, data em que havia suspendido a liberação das emendas
Pacote fiscal: o último apelo de Lula para Haddad sobre os cortes de gastos
O presidente recebeu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em sua residência nesta segunda-feira (16) para tratar das medidas fiscais
Os juros vão subir ainda mais? Quando a âncora fiscal falha, a âncora monetária precisa ser acionada com mais força
Falta de avanços na agenda fiscal faz aumentar a chance de uma elevação ainda maior dos juros na última reunião do Copom em 2024
Tudo que você precisa saber — e o que está em jogo — sobre PEC que quer acabar com a escala 6×1
O movimento começou com o então tiktoker Rick Azevedo, em um post de desabafo nas redes sociais e ganhou força durante o fim de semana
Lula fala em aceitar cortes nos investimentos, critica mercado e exige que Congresso reduza emendas para ajuda fazer ajuste fiscal
O presidente ainda criticou o que chamou de “hipocrisia especulativa” do mercado, que tem o aval da imprensa brasileira
Eleições EUA: Por que a votação é sempre na terça? Trump e Kamala podem empatar? Saiba a resposta para essas e mais 8 perguntas
O intrincado funcionamento do Colégio Eleitoral é apenas uma das muitas peculiaridades das eleições presidenciais nos EUA; confira este guia rápido com tudo o que você precisa saber
Vale virar a chavinha? Em dia de agenda fraca, Ibovespa repercute PIB da China, balanços nos EUA e dirigentes do Fed
PIB da China veio melhor do que se esperava, assim como dados de vendas no varejo e produção industrial da segunda maior economia do mundo
Greve volta a paralisar venda de títulos públicos do Tesouro Direto nesta terça-feira (15); resgates serão mantidos?
Esta é a terceira vez que a greve dos servidores do Tesouro Nacional paralisa as operações do Tesouro Direto em menos de um mês
Felipe Miranda: Não estamos no México, nem no Dilma 2
Embora algumas analogias de fato possam ser feitas, sobretudo porque a direção guarda alguma semelhança, a comparação parece bastante imprecisa
Último confronto em SP: debate de hoje na Globo terá direita dividida entre Nunes e Marçal, em empate triplo com Boulos; veja o que esperar
Marcado para às 22h, o evento poderá ser acompanhado em cobertura ao vivo realizada pelo Estadão, bem como pelos canais da emissora e o portal de notícias G1
Cuidado com o celular: golpes digitais atingiram 24% da população brasileira no último ano, revela DataSenado
De acordo com o estudo “Panorama Político 2024: apostas esportivas, golpes digitais e endividamento”, a distribuição dos golpes é uniforme em todas as regiões do país
Confira as mudanças que o Congresso quer fazer na Lei das Bets para limitar as apostas
Inadimplência das famílias e problemas com vícios em apostas online levaram deputados e senadores a reverem a lei das bets – veja o que muda
Câmara aprova reoneração gradual da folha de pagamento; veja como vai funcionar
A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base que determina a reoneração da folha de pagamento, mas texto-base foi alterado e a decisão final da proposta foi adiada para hoje (12)
Liderados por aliados de Bolsonaro, 150 deputados e senadores entregam hoje pedido de impeachment de Alexandre de Moraes
Deputados e senadores que subscrevem a denúncia atribuem ao ministro suposto “abuso de poder” e também “violação de direitos constitucionais e negligência”
Supensão das ‘emendas pix’: por unanimidade, STF mantém decisão de Flávio Dino
Além das ‘emendas pix’, decisão do STF suspende as emendas impositivas do Congresso ao Orçamento da União