‘Super Quarta’ deve aumentar cautela nas bolsas e cenário interno pesa com MP da Eletrobras e reformas
Saiba o que esperar da bolsa com a aversão ao risco nas alturas e debates importantes no Congresso Nacional

Das grandes histórias do mercado, uma das minhas preferidas é aquela de um jovem que estava cobrindo a decisão do Copom pela primeira vez e, quando foi repassar a informação de que o Comitê não havia alterado a taxa de juros e falou: “manteu!”.
A decisão desta Super Quarta de Copom e Fomc não deve contar com um “manteu”, mas com certeza deve gerar impacto nas manchetes. Há algumas semanas, os especialistas do mercado financeiro esperavam que na próxima reunião, o Comitê de Política Monetária aumentasse a Selic em 0,75 pontos percentuais, considerado agressivo pelo mercado.
Entretanto, houve uma inflação no meio do caminho, que fez o mercado estimar que a alta pode vir na casa dos 1,0 ponto porcentual a poucos dias da reunião. Essa alta agressiva (ou hawkish, como se diz no jargão do mercado) pode ser bem vista pelos investidores.
E outro BC está no radar também. O Fomc, o Copom americano, também deve divulgar hoje sua política monetária para os próximos meses. É esperado que o Federal Reserve mantenha a taxa de juros entre 0,0% e 0,25%, apesar do duplo sinal enviado pela instituição.
Por um lado, dirigentes do Fed já anunciaram que estão de olho na alta da inflação e dados do emprego, que pressionam na política de compra de ativos. Por outro, o presidente do BC americano, Jerome Powell, já afirmou que pretende manter os juros inalterados até 2023. Essa decisão é acompanhada pela Secretária do Tesouro, Janet Yellen.
Fechamento de ontem
E mesmo com o otimismo da bolsa brasileira, a cautela predominou no pregão de ontem e fez o Ibovespa encerrar em leve queda de 0,09%, aos 130.091 pontos, com o exterior ainda mais fraco. O dólar à vista, por sua vez, recuou 0,55%, a R$ 5,0428.
Leia Também
Confira o que mais deve movimentar o mercado nesta quarta-feira (16):
Copom, Fomc... E daí?
Matheus Spiess, economista da Empiricus, escreveu para o Seu Dinheiro o que esperar das decisões de política monetária para esta Super Quarta.
Para o cenário doméstico, a decisão de alta da Selic é dada como certa, e a diferença entre uma alta mais forte ou mais fraca deve dar o tom das próximas reuniões até o final do ano.
Já para o panorama internacional, a reunião de hoje do Fomc pode anunciar um momento de virada para a política monetária dos EUA. As pressões em cima do Fed podem fazer a instituição mudar o tom após a alta da inflação e dados de desemprego.
Com juros mais altos, os títulos do Tesouro americano, os Treasuries, tendem a se valorizar. Por serem ativos muito seguros, em cenários de alta rentabilidade, os investidores tendem a migrar das bolsas para esses investimentos, o que derruba as bolsas.
Powell e Yellen afirmam que o momento de alta da inflação é temporário, o que não justificaria uma alta dos juros agora. Mesmo assim, os investidores esperam uma movimentação do Federal Reserve para conter a disparada nos preços.
Congresso Nacional
Saindo um pouco das grandes decisões do dia, outras discussões que devem ficar no radar do investidor são o início do debate sobre a reforma administrativa e a MP da Eletrobras, marcadas para hoje.
O início dos trabalhos da reforma deve trazer um novo ânimo para o governo, muito pressionado pela CPI da Covid. O relator da reforma na Câmara dos Deputados, Arthur Maia (DEM-BA), deve apresentar o plano de trabalho da Casa ainda hoje.
Além disso, o avanço nos trabalhos para a privatização da Eletrobras também deve movimentar o mercado no pregão de hoje. De acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a MP pode gerar um prejuízo de R$ 400 bilhões, com o maior impacto nas contas de luz, de R$ 300 bilhões.
Por outro lado, de acordo com as cotas do secretário especial de Desestatização do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord, as projeções de alta nas tarifas não se sustentam e está comprovado, por cálculos do governo, que os preços irão cair.
Bolsas pelo mundo
Os índices asiáticos encerraram o dia em baixa, com o predomínio da cautela antes da decisão de política monetária do Federal Reserve, o BC americano, de olho na retomada da economia chinesa e americana.
De maneira semelhante, as bolsas da Europa operam mistas, mas próximas da estabilidade. Por sua vez, os futuros de Nova York também apontam para um pregão sem direção definida antes da divulgação da política monetária do Fed.
Agenda do dia
Confira os principais eventos e indicadores econômicos para esta quarta-feira (16):
- Estados Unidos: Diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, participa de evento sobre o clima (10h)
- Brasil: Monitor do PIB de abril (10h15)
- Estados Unidos: Secretária do Tesouro, Janet Yellen, testemunha sobre Orçamento (11h)
- Congresso Nacional: Comissão especial da Câmara se reúne com relator da Reforma Administrativa, Arthur Maia (DEM-BA), para apresentar plano de trabalho (14h)
- Federal Reserve divulga decisão sobre política monetária (15h)
- Federal Reserve: Presidente do Fed, Jerome Powell, participa de coletiva de imprensa (15h30)
- Congresso Nacional: Senado faz sessão em que deve ser votada MP da Eletrobras (16h)
- Copom anuncia a decisão sobre a Selic (18h30)
- Suíça: Presidente dos EUA, Joe Biden, se reúne com presidente da Rússia, Vladimir Putin
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda
Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita
Guido Mantega na Eletrobras (ELET3): governo indica ex-ministro da Fazenda para conselho fiscal, dizem agências
No dia anterior, a companhia e a União assinaram um termo de conciliação que limita o poder de voto dos acionistas a 10%
Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%
O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde
Para o investidor brasileiro, o “buy the dip” não só sustenta uma razão própria como pode funcionar também como instrumento de diversificação, especialmente quando associado às tecnologias de ponta
Eletrobras (ELET3) e União dão mais um passo em acordo ao assinar termo que limita poder de voto dos acionistas a 10%
O entendimento ainda será submetido à assembleia geral de acionistas, a ser convocada pela companhia, e à homologação pelo Supremo Tribunal Federal
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Dólar atinge o menor patamar desde novembro de 2024: veja como buscar lucros com a oscilação da moeda
A recente queda do dólar pode abrir oportunidades estratégicas para investidores atentos; descubra uma forma inteligente de expor seu capital neste momento
Selic em 14,25% ao ano é ‘fichinha’? EQI vê juros em até 15,25% e oportunidade de lucro de até 18% ao ano; entenda
Enquanto a Selic pode chegar até 15,25% ao ano segundo analistas, investidores atentos já estão aproveitando oportunidades de ganhos de até 18% ao ano
É hora de comprar a líder do Ibovespa hoje: Vamos (VAMO3) dispara mais de 17% após dados do 4T24 e banco diz que ação está barata
A companhia apresentou os primeiros resultados trimestrais após a cisão dos negócios de locação e concessionária e apresenta lucro acima das projeções
Sem sinal de leniência: Copom de Galípolo mantém tom duro na ata, anima a bolsa e enfraquece o dólar
Copom reitera compromisso com a convergência da inflação para a meta e adverte que os juros podem ficar mais altos por mais tempo
Cuidado com a cabeça: Ibovespa tenta recuperação enquanto investidores repercutem ata do Copom
Ibovespa caiu 0,77% na segunda-feira, mas acumula alta de quase 7% no que vai de março diante das perspectivas para os juros