Seguros atrapalham, e ações do Bradesco (BBDC3/BBDC4) caem forte após balanço; veja o que disseram o CEO e analistas
Mesmo depois de apresentar crescimento superior a 60% no lucro em relação ao ano passado, investidores se concentram nos obstáculos que aguardam o banco

O Bradesco sempre teve como diferencial a grande participação do segmento de seguros no lucro líquido. Mas a pandemia de covid-19 provocou uma mudança brusca e importante nesse histórico, e por isso, as ações do banco estão em queda, diferente do que aconteceu ontem com seu concorrente Itaú Unibanco.
As ações do Bradesco ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa no dia. Os papéis preferenciais (BBDC4) fecharam em baixa de 4,36%, a R$ 23,45, enquanto os ordinários (BBDC3) recuaram 3,53%, a R$ 20,20.
Durante conversa com jornalistas na manhã desta quarta-feira, o CEO do banco, Octavio de Lazari Júnior, que inclusive já esteve no comando da Bradesco Seguros, fez questão de ressaltar que o aumento das despesas da seguradora, com origem nos sinistros relacionados à covid-19, é algo temporário, e os próximos trimestres já devem mostrar uma recuperação.
“Acredito que a participação dos negócios de seguros no lucro voltará a subir já no segundo semestre deste ano. Ainda não nos patamares históricos, próximos de 30%, mas haverá uma recuperação gradual”
Octávio de Lazari Júnior, CEO do Bradesco
O lucro da operação de seguros caiu quase 52% em relação ao segundo trimestre do ano passado, para R$ 655 mihões. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, o tombo foi ainda maior, de quase 60%.
Assim, a participação da Bradesco Seguros no lucro consolidado, que já havia recuado de 35% no segundo trimestre de 2020 para 25% nos três primeiros meses de 2021, despencou para 10% entre abril e junho deste ano.
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A sinistralidade geral, que indica a proporção do faturamento direcionado para atender os segurados, saiu de 58,4% no ano passado para 67,4% no segundo trimestre de 2021. No caso dos sinistros relacionados à pandemia, o cenário foi ainda pior, saindo de 62,4% para 85,5%.
Por isso, o Bradesco resolveu rever seu guidance para a seguradora, deixando para trás a projeção de crescimento nos resultados entre 2% e 6% em 2021, para uma queda esperada entre 15% e 20%.
Durante a teleconferência, Lazari Júnior disse que neste terceiro trimestre, já há sinais de recuperação nos seguros, e ressaltou o sucesso de vendas nos canais digitais.
“Foram 1 milhão de itens vendidos no primeiro semestre, com um faturamento adicional de R$ 700 milhões. Isso nos dá confiança de que os números vão melhorar”.
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Mas e os analistas?
De modo geral, quem acompanha de perto o Bradesco apontou que as atividades bancárias trouxeram bons números, com lucro próximo (mas pouco abaixo) do Itaú, e bom crescimento da carteira de crédito. Mas demonstraram preocupação com a seguradora.
Na visão do Credit Suisse, o desempenho da seguradora acabou ofuscando totalmente o crescimento dos serviços bancários. Os analistas ressaltam que sem os efeitos da covid-19, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês), indicador de rentabilidade dos bancos, ficaria entre 19% e 20%, ante os 17,1% registrados no período.
O Credit Suisse manteve a recomendação de compra para a ação e preço-alvo em R$ 30,90, o que indica um potencial de valorização próximo de 30% em 12 meses para as ações. Mas entre os grandes bancos, a preferência os analistas está com Itaú.
O BTG Pactual fez uma análise específica sobre Bradesco Saúde, que teve o maior impacto sobre o resultado final da seguradora.
Os analistas ressaltam que houve expansão de 37 mil beneficiários de planos de saúde no segundo trimestre, em relação ao final de março. Foram 40 mil contratações de planos corporativos, contra uma saída de 3 mil clientes nos individuais.
Os sinistros, medidos pela utilização de serviços médicos pelos beneficiários, chegou a 95%, uma alta de 25 pontos percentuais em 12 meses. Além da pandemia, houve uma retomada dos atendimentos eletivos.
O BTG afirma que os números da Bradesco Saúde antecipam um cenário bem difícil para operadoras de planos de saúde, caso, por exemplo, de Hapvida e NotreDame Intermédica, e mais positivo para provedores, como é o caso da Qualicorp.
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