Lucro do Bradesco cai 24,8% em 2020 com “efeito covid”, mas surpreende no 4º trimestre
Resultado do banco foi de R$ 19,458 bilhões, o que representa um recuo de 24,8% na comparação com o ano anterior, mas o lucro teve uma alta inesperada nos últimos três meses de 2020

O Bradesco seguiu o roteiro de queda do lucro dos grandes bancos em 2020 em consequência do "efeito Covid". O banco registrou resultado de R$ 19,458 bilhões, o que representa um recuo de 24,8% na comparação com o ano anterior.
Mas o lucro recorrente no quarto trimestre — que exclui efeitos que não se repetem em períodos seguintes — do segundo maior banco privado brasileiro acabou surpreendendo.
O resultado recorrente do Bradesco nos últimos três meses do ano passado atingiu R$ 6,801 bilhões, uma inesperada alta de 2,3% em relação ao mesmo período de 2019 e bem acima das expectativas do mercado de R$ 5,546 bilhões.
O Bradesco classificou um total de R$ 1,3 bilhão como "eventos não-recorrentes" no quarto trimestre. Entre eles estão baixas contábeis (impairment) de ativos não-financeiros e provisões cíveis. Com isso, o lucro contábil do banco foi de R$ 5,464 bilhões — mais próximo das estimativas do mercado.
“Estamos bastante satisfeitos com o resultado do quarto trimestre do ano e, claro, de todo o exercício de 2020. São números que refletem o esforço e dedicação de todas as nossas equipes, num ano reconhecidamente difícil, desafiador em todos os aspectos, no qual a palavra de ordem foi superação e humildade”, afirmou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari.
Meta cumprida
A queda no lucro derrubou a rentabilidade do banco de 20,6% em 2019 para 14,8% no ano passado, o que deixou o Bradesco atrás do Santander (19,1%), mas à frente do rival histórico Itaú Unibanco, cujo retorno foi 14,5% em 2020.
Leia Também
O agente do caos retruca: Trump diz que China joga errado e que a hora de ficar rico é agora
As únicas ações que se salvaram do banho de sangue no Ibovespa hoje — e o que está por trás disso
Apesar da queda no ano, o bom resultado recorrente no quarto trimestre levou o retorno do Bradesco de volta para a casa dos 20%. Esse foi um objetivo declarado por Lazari em entrevista concedida ao Seu Dinheiro no ano passado.
Leia também:
- Santander supera pandemia e fecha 2020 com resultado acima do esperado
- Com peso das provisões, lucro do Itaú cai 34,6% em 2020 e soma R$ 18,536 bilhões
- Acredite se quiser: lucro dos bancos vai cair em 2020; saiba o que esperar dos balanços
- ‘Impeachment não é a resposta adequada para o momento’, diz presidente do Conselho do Bradesco
O peso das provisões
As despesas com provisões contra calotes no crédito diante da crise provocada pela pandemia do coronavírus foram as principais responsáveis pela queda no lucro do Bradesco. Em 2020, elas somaram R$ 25,7 bilhões, um crescimento de 79% em relação ao ano anterior.
Até agora a inadimplência segue comportada e fechou dezembro em apenas 2,2%, uma queda de 0,1 ponto percentual em relação a setembro e bem abaixo dos 3,3% do fim de 2019. Mas a tendência é que o percentual suba daqui para frente conforme os financiamentos que tiveram as parcelas adiadas na crise deixem de ser pagos.
Ao contrário de crises passadas, quando os bancos pisaram no freio do crédito, desta vez o comportamento foi o oposto. No caso do Bradesco, a carteira encerrou o ano em R$ 687 bilhões, um avanço de 3,4% no trimestre e de 10,3% em 12 meses.
O banco aparentemente sentiu menos o aperto dos spreads de crédito do que o Itaú. A margem financeira — que inclui as receitas com a concessão de financiamentos menos os custos de captação — cresceu 7,4% no ano passado, para R$ 63,1 bilhões.
Tarifas e despesas
Não bastasse a retração econômica provocada pela pandemia, os bancos tiveram de lidar com o aumento da concorrência das novas empresas de tecnologia financeira, as fintechs.
O ponto negativo do balanço do Bradesco foi justamente a receita com prestação de serviços e cobrança de tarifas, que registrou queda de 2,6% em 2020, para R$ 32,7 bilhões.
Para se adaptar aos novos tempos, o banco com sede na Cidade de Deus, em Osasco (SP), vem promovendo um amplo corte de custos, que incluiu o fechamento ou a transformação de agências em pontos de atendimento, que têm custo de manutenção menor.
Como resultado, as despesas operacionais do Bradesco encerraram o ano em R$ 46,4 bilhões, o que representa uma queda impressionante de 5,3% na comparação com 2019.
Projeções para 2021
Junto com o balanço anual, o Bradesco divulgou a estimativa do banco (guidance) para o desempenho de algumas linhas do balanço em 2021.
Para a carteira de crédito, o banco projeta uma expansão entre 9% e 13% neste ano. A margem financeira com clientes (sem considerar o resultado da Tesouraria) deve aumentar de 2% a 6%.
O Bradesco espera uma reação das receitas com prestação de serviços, com um avanço entre 1% e 5% em 2021. O banco também deve seguir agressivo no corte de custos e projeta uma redução na mesma faixa nas despesas operacionais neste ano.
O resultado de 2021 também deve se beneficiar da queda das despesas com provisão, que devem ficar entre R$ 14 e R$ 17 bilhões, pela estimativa do Bradesco.
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
A compra do Banco Master pelo BRB é um bom negócio? Depois da Moody’s, S&P questiona a operação
De acordo com a S&P, pairam dúvidas sobre os aspectos da transação e a estrutura de capital do novo conglomerado, o que torna incerto o impacto que a compra terá para o banco público
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Cogna (COGN3) mostra ao investidor que terminou o dever de casa, retoma dividendos e passa a operar sem guidance
Em meio à pandemia, em 2020, empresa anunciou guidances audaciosos para 2024 – que o mercado não comprou muito bem. Agora, chegam os resultados
Lucro do Banco Master, alvo de compra do BRB, dobra e passa de R$ 1 bilhão em 2024
O banco de Daniel Vorcaro divulgou os resultados após o término do prazo oficial para a apresentação de balanços e em meio a um negócio polêmico com o BRB
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Banco Master: Compra é ‘operação resgate’? CDBs serão honrados? BC vai barrar? CEO do BRB responde principais dúvidas do mercado
O CEO do BRB, Paulo Henrique Costa, nega pressão política pela compra do Master e endereça principais dúvidas do mercado
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq