🔴 AÇÕES, FIIs, DIVIDENDOS, BDRs: ONDE INVESTIR EM ABRIL? CONFIRA +30 RECOMENDAÇÕES AQUI

Ivan Ryngelblum

Ivan Ryngelblum

Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.

entrevista exclusiva

Para Figueiredo, da Mauá e ex-BC, as ações no Brasil estão baratas

Sócio fundador da Mauá Capital diz que economia deve se recuperar e a Bolsa terá bom desempenho em 2021, desde que não haja descuido do lado fiscal

Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
18 de janeiro de 2021
5:57 - atualizado às 6:47
Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Capital
Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Capital e ex-diretor do Banco Central - Imagem: Reprodução YouTube

Depois da tempestade, a bonança. Isso se a situação fiscal não se deteriorar ainda mais. Assim, de maneira bem simplista, podemos resumir a visão de Luiz Fernando Figueiredo, sócio fundador da Mauá Capital e ex-diretor do Banco Central (BC), para 2021.

Para ele, tudo aponta que este ano será marcado pela recuperação e pelo bom desempenho dos mercados financeiros, com a Bolsa brasileira pegando carona no excesso de liquidez gerado por governos e bancos centrais para dar suporte às economias.

Só que ele alerta que a nossa situação fiscal permanece frágil. A pandemia forçou a paralisação da agenda de consolidação fiscal para dar suporte às pessoas e empresas, resultando em um salto do endividamento, que passou de 75% para quase 90% do PIB.

Este ano terá de ser de retomada do controle das contas públicas. Isso significa respeitar o teto de gastos, o que torna muito difícil estender o auxílio emergencial às pessoas.

Figueiredo alerta que descuidar deste ponto pode ter consequências sérias, revertendo a tendência positiva da economia para este ano.

“O que ficou claro é que furar o teto de gastos pode custar muito caro. A não ser que a gente veja uma segunda onda, eu não acho que o Brasil vai furar o teto, e se isso acontecer será muito ruim, dramático”, disse ele em entrevista exclusiva ao Seu Dinheiro. “O [efeito] mais relevante é um ambiente conturbado, abortando a recuperação econômica.”

Leia Também

Recuperação em V

Figueiredo voltou a conversar conosco quase sete meses após a última vez que nos concedeu uma entrevista, em junho. Naquele mês, por conta da covid-19, o País teve a maior média de mortes diárias já registrada em um mês – foram cerca de 125 mil óbitos no período, o que significa em torno de 4.190 a cada 24 horas.

A economia também sofria. O PIB do segundo trimestre recuou 9,7% em relação aos primeiros três meses do ano e 11,4% ante igual período de 2019. Foram as quedas mais intensas desde o início da pesquisa, iniciada em 1996.

Desde então, o cenário mudou. A pandemia não acabou, mas a quantidade de mortes recuou (mesmo que esteja dando sinais de repique). A economia, por sua vez, apresentou uma recuperação robusta, crescendo 7,7% no terceiro trimestre.

Ainda que parte desta alta tenha sido influenciada pela baixa base de comparação do segundo trimestre, o CEO da Mauá Capital vê a economia registrando uma retomada robusta, mesmo que algumas áreas, principalmente no setor de serviços, enfrentem dificuldades.

“Não é um crescimento linear, porque tem coisas que estão andando rápido e coisas que não estão podendo andar rápido”, disse. “Como você não está com a economia funcionando completamente por conta da própria pandemia, com restrições para reabertura de restaurante e coisas deste tipo, o que você tem é um setor de serviços com áreas que estão funcionando muito bem e áreas funcionando quase nada.”

Assim como a maioria dos economistas, ele vê boas chances de o Brasil crescer de forma robusta em 2021, com a combinação de vacina no horizonte e liquidez elevada.

“Se você não considerar uma segunda onda do coronavírus muito forte, eu acho que o cenário não será muito diferente disso [recuperação em 2021]. Eu acho que pode ter um crescimento de pouco mais de 3,5%, talvez de 4,0%, até 5,0%. Vai ser um ano de menos incerteza, provavelmente com menos surpresas do que tivemos em 2020, que foi realmente um caos”, afirmou.

Bolsa em alta

A recuperação do Brasil está inserida em um mundo com volume elevado liquidez no mercado. Para conter os efeitos da pandemia, os governos e os bancos centrais das principais economias globais injetaram recursos para dar partida nos motores do crescimento.

Recentemente, o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que pretende enviar ao Congresso um pacote de estímulos fiscais na casa de US$ 1,9 trilhão. Um aporte robusto de dinheiro, que se soma à iniciativa do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de continuar com uma política monetária expansionista, mantendo a compra de ativos e os juros baixos por um longo tempo, como sinalizou o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell.

Com tanto dinheiro circulando e os juros dos países desenvolvidos em patamares baixos, a tendência é os investidores procurarem oportunidades pelo mundo. E nisso o Brasil se beneficia, uma vez que as ações e outros ativos financeiros estão baratos.

“Os ativos brasileiros devem performar bem neste ano, parecido com que está acontecendo no resto do mundo. Eles ficaram muito defasados, muito atrasados em relação aos ativos do mundo, principalmente por conta do risco fiscal”, disse Figueiredo. “Os estrangeiros, que há anos vinham vendendo ativos no Brasil, principalmente ações, de outubro para frente mudaram de direção.”

Além de estarem com os preços baixos, as ações devem ganhar sustentação com os resultados das empresas. Com a temporada de balanços do quarto trimestre prestes a começar, o CEO da Mauá Capital acredita que as companhias de capital aberto devem apresentar bons resultados. “As empresas estão chegando muito melhor do que se imaginava. Tirando alguns setores mais afetados, as empresas conseguiram se adaptar a este momento”, disse.

A expectativa da Mauá é de que o Ibovespa feche 2021 com alta de mais de 10%, o que levaria sua pontuação para acima de 130 mil. Para Figueiredo, as principais oportunidades da Bolsa estão nas áreas de energia, por ser um mercado regulado e que acaba protegido da situação atual, e de commodities, diante das expectativas de aumento das exportações.

Ele citou ainda o setor financeiro e bancário, que sofreu nos últimos anos com a concorrência aberta pelas fintechs, mas que sai da pandemia fortalecido. “Isso acalmou [concorrência no setor financeiro], primeiro porque a inadimplência ficou menor do que o imaginado. Segundo, as fintechs, não todas, mas várias delas perderam espaço, porque foi um ambiente mais difícil, crédito mais apertado”, disse.

Mas tudo depende do lado fiscal

Tudo conspira em favor de 2021. Mas para que este ano seja melhor que o anterior é fundamental que a situação fiscal não piore, de acordo com Figueiredo – veja bem, não piore. Isso quer dizer que o governo terá de voltar a apertar o cinto e controlar a trajetória das despesas públicas, respeitando o teto de gastos.

Um aumento de gastos nesta situação, segundo Figueiredo, resultará em graves prejuízos econômicos, como perda do controle do câmbio, inflação elevada e piora do perfil da dívida pública, uma vez que os agentes econômicos perderão a confiança na capacidade do governo de impedir a insolvência do País.  

O Brasil deve fechar o ano com um déficit fiscal de quase 4%. E, neste cenário, fica inviável estender o auxílio emergencial à população.

“Quando nós tivemos esta discussão [extensão do auxílio], que aconteceu entre agosto e dezembro, isso acabou trazendo um estresse muito grande ao mercado, porque não dá para ficar aumentando a dívida desta forma. A verdade é que não dá para brincar com isso. Nós tivemos até uma dificuldade para rolar a nossa dívida”, afirmou. “Não adianta você dar o 'coronavaucher' e, por outro lado, ter um aumento do custo da dívida de cinco a dez vezes acima do gasto que você acabou estendendo.”

A trajetória da dívida e dos gastos públicos somente começarão a cair de forma sustentável quando o País realizar reformas. Não só para isto, como também para garantir que a economia volte a crescer depois de uma década perdida.

O CEO da Mauá não está muito confiante na capacidade do governo de Jair Bolsonaro em tomar medidas duras, porém necessárias, para lidar com estas questões. Ele admite que pode ocorrer algum avanço, mas nada muito relevante.

“Eu não sou muito otimista de achar que vai ter muito avanço, mas eu acho que vai, sim, ter uma reforma tributária de alcance menor, algum avanço na reforma administrativa”, disse. “E algum avanço também na questão fiscal, porque, independente dessas reformas, a gente precisa continuar reduzindo o déficit fiscal para que a gente, no futuro não muito distante, tenha a dívida PIB mais estabilizada. “

Inflação e BC

Conversar com Luiz Fernando Figueiredo e não tratar de inflação e política monetária seria um enorme desperdício. De 1999 a 2003, ele compôs a diretoria do Banco Central (BC), sendo responsável pelos departamentos Mercado Aberto, Bancário, Sistema de Pagamentos e Câmbio da instituição.

Sobre a atuação da instituição na crise da pandemia, ele acredita que ela atuou corretamente ao reduzir ao máximo a taxa básica de juros – a Selic, atualmente em 2% ao ano – e adotar o chamado forward guidance, instrumento em que a autoridade monetária descreve como ficará a política monetária no futuro próximo.

“Eu gostei bastante da atuação do Banco Central. O BC não ficou tentando defender a taxa de câmbio, a taxa de câmbio ficou muito pressionada por bastante tempo ao longo do ano, o BC deixou acontecer. A gente estava com uma inflação muito abaixo da meta. O que acabou acontecendo é que a inflação acabou indo para a meta”, disse.

Para ele, a disparada dos preços na segunda metade do ano, que levou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ao maior patamar desde 2016, foi uma situação pontual e não sinaliza a trajetória da inflação em 2021.

“A gente tem muito hiato, muita ociosidade na economia, principalmente no setor de serviços. Nós tivemos muitos choques, do lado cambial, um aumento muito forte das commodities em 2020. A inflação veio muito em função disso”, afirmou. “Enquanto você tiver este hiato de desemprego, é muito difícil você ter, mesmo com choques, um processo inflacionário mais forte.”

A expectativa dele é que o BC já comece a se movimentar para ajustar a política monetária, primeiramente abandonando o forward guidance já na reunião desta semana, que começa na terça-feira (19).

O aumento dos juros deve vir a partir do quarto encontro, programado para os dias 15 e 16 de junho. A expectativa de Figueiredo é que a Selic feche 2021 entre 3,0% e 3,25% ao ano. Ele não quis dizer se os ajustes serão suaves, espaçados ao longo do tempo, ou intensos, feitos de uma vez.

“Se começar mais cedo [a subir juros], ele pode começar com 0,25 ponto percentual, se for um pouco depois começa com 0,50 ponto percentual. Temos que ver qual vai ser o sentido do BC, mas ele vai estar num processo de voltar a taxa de juros para uma taxa mais neutra”, afirmou.

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
AJUSTANDO A CARTEIRA

Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump 

3 de abril de 2025 - 11:27

A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais

3 de abril de 2025 - 8:14

Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA

AÇÃO DO MÊS

Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas

3 de abril de 2025 - 6:10

Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo

DERRETENDO

Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara

2 de abril de 2025 - 20:10

Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?

2 de abril de 2025 - 20:00

As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?

ONDE INVESTIR

Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês

2 de abril de 2025 - 19:30

No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional

CADEIRA NO CONSELHO

Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO

2 de abril de 2025 - 18:57

Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo

NOVA CHAPA

Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho

2 de abril de 2025 - 11:21

Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure

O DIA DA LIBERTAÇÃO

O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China

2 de abril de 2025 - 6:01

A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.

DIA 72

Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA

1 de abril de 2025 - 19:32

Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas

NOVA ERA

Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio

1 de abril de 2025 - 18:08

Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros

AÇÕES EM QUEDA FORTE

Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano

1 de abril de 2025 - 17:29

No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa

ACORDO ELETRIZANTE

Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos

1 de abril de 2025 - 14:35

Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%

TOUROS E URSOS #217

Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos

1 de abril de 2025 - 14:05

No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira

MUDANÇAS NO CONSELHO

Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3

1 de abril de 2025 - 11:49

Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista

APÓS O ROMBO

Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária

1 de abril de 2025 - 9:51

Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump

1 de abril de 2025 - 8:13

Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump

BULL & BRISKET MARKET

Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado

31 de março de 2025 - 18:50

Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq

DESTAQUES DA BOLSA

Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações

31 de março de 2025 - 16:35

O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024

NO BANCO DOS RESERVAS

Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan

31 de março de 2025 - 14:49

O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar