O que o Brasil pode fazer para controlar os preços dos combustíveis sem contrariar o mercado
Venda de refinarias da Petrobras e fundo de estabilização são alternativas para segurar os preços, mas com resultados apenas no médio e longo prazos, diz Pedro Rodrigues, diretor do CBIE

A alta dos preços dos combustíveis levou os Estados Unidos, a China e outras potências globais a se engajarem em uma ação coordenada destinada a atenuar o impacto do fenômeno sobre suas economias.
EUA, China, Coreia do Sul, Índia, Japão e Reino Unido concordaram em fazer uso de suas reservas estratégicas de petróleo com o objetivo de colocar um freio à alta dos preços da gasolina e de outros derivados.
O fato de a iniciativa colocar do mesmo lado os dois grandes rivais geopolíticos da atualidade é um bom termômetro da gravidade da situação.
Afinal, a alta dos preços dos combustíveis pressiona a inflação em um momento no qual a economia global ainda se esforça para deixar para trás a crise desatada pela pandemia.
Sem solução no curto prazo
O Brasil passa pelo mesmo problema com os preços dos combustíveis. Além de a cotação do barril do Brent acumular alta de mais de 50% em 2021, a permanência da taxa de câmbio em níveis elevados agrava a situação.
Ontem mesmo o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar a política de preços da Petrobras, o que costuma causar calafrios no mercado.
Leia Também
Mas há pouco a se fazer no curto prazo para reverter esse cenário sem que alguém pague essa conta: os acionistas da estatal (incluindo a União) ou o contribuinte.
“As regras de compliance da Petrobras dificultam. Ninguém duvida que o general Silva e Luna queira assinar uma redução de preços, mas ele não pode chegar lá e resolver isso com uma canetada”, diz Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
Constituir estoques estratégicos também não seria uma solução viável, diz Rodrigues. “É muito custoso manter essa estrutura física”, explica. Além disso, ainda que seja importador de derivados, o Brasil é exportador de petróleo.
Rodrigues chama ainda a atenção para as diferenças entre o Brasil e a iniciativa dos EUA e outros grandes compradores de petróleo. “O [Joe] Biden tenta interferir no preço global do petróleo. O Brasil não tem influência no mercado global”, afirma.
O que dá pra fazer
As soluções existentes para estabelecer algum controle sobre os preços dos combustíveis, levando-se em consideração a atual conjuntura do setor de óleo e gás no Brasil e sem ferir as regras de mercado, são todas de médio e longo prazos, avalia o diretor do CBIE.
Rodrigues acredita que a solução precisaria vir do mercado, uma vez que a Petrobras já não detém desde 1997 o monopólio legal sobre exploração e refino.
“No médio prazo, a Petrobras está vendendo refinarias e o aumento da concorrência pode ajudar”, afirma.
Políticas públicas
No longo prazo, além de uma discussão tributária mais ampla, Rodrigues propõe a implementação de políticas públicas para a energia e o transporte.
Entre as medidas possíveis, Rodrigues vê com bons olhos a formação de um fundo de estabilização de preços.
E quanto à solução de desvincular os preços dos combustíveis que saem das refinarias da Petrobras das cotações internacionais do petróleo, como costuma defender o presidente Jair Bolsonaro?
Para o diretor do CBIE, intervenção ou tabelamento de preços não são modelos aceitáveis, uma vez que a Petrobras é hoje uma empresa de economia mista, exposta a regras de mercado. Tais possibilidades também não se enquadram na conjuntura do setor de óleo e gás vigente no Brasil. “A não ser que se resolva reestatizar a Petrobras.”
China não deixa barato: Xi Jinping interrompe feriado para anunciar retaliação a tarifas de Trump — e mercados derretem em resposta
O Ministério das Finanças da China disse nesta sexta-feira (4) que irá impor uma tarifa de 34% sobre todos os produtos importados dos EUA
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
China lança primeiro título soberano verde em yuans no exterior
O volume total de subscrições alcançou 41,58 bilhões de yuans, superando em quase sete vezes o valor inicial da oferta
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Brava (BRAV3) despenca 10% em meio à guerra comercial de Trump e Goldman Sachs rebaixa as ações — mas não é a única a perder o brilho na visão do bancão
Ações das petroleiras caem em bloco nesta quinta-feira (3) com impacto do tarifaço de Donald Trump. Goldman Sachs também muda recomendação de outra empresa do segmento e indica que é hora de proteção
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
As tarifas de Trump: entenda os principais pontos do anúncio de hoje nos EUA e os impactos para o Brasil
O presidente norte-americano finalmente apresentou o plano tarifário e o Seu Dinheiro reuniu tudo o que você precisa saber sobre esse anúncio tão aguardado pelo mercado e pelos governos; confira
Elon Musk fora da Casa Branca? Trump teria confirmado a saída do bilionário do governo nas próximas semanas, segundo site
Ações da Tesla sobem 5% após o Politico reportar que o presidente dos EUA afirmou a aliados sobre a mudança no alto escalão da Casa Branca
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China
A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.
Petrobras faz parceria com BNDES e busca rentabilidade no mercado de créditos de carbono
Protocolo de intenções prevê compra de créditos de carbono de projetos de reflorestamento na Amazônia financiados pelo Banco
Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3
A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Drill, deal or die: o novo xadrez do petróleo sob o fogo cruzado das guerras e das tarifas de Trump
Promessa de Trump de detalhar um tarifaço a partir de amanhã ameaça bagunçar de vez o tabuleiro global
Tony Volpon: Buy the dip
Já que o pessimismo virou o consenso, vou aqui argumentar por que de fato uma recessão é ainda improvável (com uma importante qualificação final)
Agenda econômica: Payroll, balança comercial e PMIs globais marcam a semana de despedida da temporada de balanços
Com o fim de março, a temporada de balanços se despede, e o início de abril chama atenção do mercado brasileiro para o relatório de emprego dos EUA, além do IGP-DI, do IPC-Fipe e de diversos outros indicadores
Agenda econômica: últimos balanços e dados dos Estados Unidos mobilizam o mercado esta semana
No Brasil, ciclo de divulgação de balanços do 4T24 termina na segunda-feira; informações sobre o mercado de trabalho norte-americano estarão no foco dos analistas nos primeiros dias de abril.
Nova faixa do Minha Casa Minha Vida deve impulsionar construtoras no curto prazo — mas duas ações vão brilhar mais com o programa, diz Itaú BBA
Apesar da faixa 4 trazer benefícios para as construtoras no curto prazo, o Itaú BBA também vê incertezas no horizonte
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC