O mês do desgosto para ativos de risco: em agosto, só o bitcoin e alguns ativos de renda fixa se salvaram
Com exceção da criptomoeda, todos os investimentos mais voláteis viram perdas; debêntures e renda fixa conservadora conseguiram ter desempenho positivo

Em agosto, o mar não estava para peixe para os investimentos de risco e os ativos mais voláteis em geral. No ranking dos melhores investimentos do mês elaborado pelo Seu Dinheiro, poucos foram os ativos e indicadores que terminaram o período no azul.
O campeão absoluto foi o bitcoin, que conseguiu renascer após passar por maus bocados no primeiro semestre. Em seguida, porém, apenas investimentos de renda fixa, que serviram como porto seguro para o investidor no último mês: debêntures e ativos bem conservadores, atrelados à Selic.
O desempenho negativo, por sua vez, pegou dólar (na cotação à vista), ouro, fundos imobiliários, bolsa e títulos públicos prefixados e indexados à inflação. Ninguém sujeito a um pouco mais de volatilidade escapou. E a lanterna do ranking ficou mais uma vez com os títulos públicos de longo prazo, notadamente o Tesouro IPCA+ 2045.
Veja o ranking completo:
Os melhores investimentos de agosto
Investimento | Rentabilidade no mês | Rentabilidade no ano |
Bitcoin | 12,08% | 61,68% |
Índice de Debêntures Anbima Geral (IDA - Geral)* | 0,55% | 3,90% |
Poupança antiga** | 0,50% | 4,07% |
Tesouro Selic 2024 | 0,47% | - |
Dólar PTAX | 0,44% | -1,02% |
CDI* | 0,42% | 2,04% |
Índice de Debêntures Anbima - IPCA (IDA - IPCA)* | 0,36% | 3,07% |
Poupança nova** | 0,24% | 1,36% |
Tesouro Selic 2027 | 0,20% | - |
Dólar à vista | -0,73% | -0,32% |
Tesouro IPCA+ 2026 | -1,44% | -2,97% |
Ouro | -1,81% | -5,54% |
Tesouro Prefixado 2024 | -1,87% | - |
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2030 | -2,18% | -4,84% |
Ibovespa | -2,48% | -0,20% |
IFIX | -2,63% | -4,19% |
Tesouro Prefixado 2026 | -3,29% | -9,67% |
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2040 | -4,43% | -6,70% |
Tesouro IPCA+ 2035 | -5,12% | -9,32% |
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2031 | -5,25% | -14,18% |
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055 | -5,68% | -9,53% |
Tesouro IPCA+ 2045 | -9,46% | -20,25% |
(*) Até o dia 30/08. (**) Poupança com aniversário no dia 27.
Todos os desempenhos estão cotados em real. A rentabilidade dos títulos públicos considera o preço de compra na manhã da data inicial e o preço de venda na manhã da data final, conforme cálculo do Tesouro Direto.
Fontes: Banco Central, Anbima, Tesouro Direto, Broadcast e Coinbase, Inc..
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O tal do risco-Brasil
Brasília não deu trégua aos mercados brasileiros em agosto. O risco fiscal voltou ao radar com novas ameaças ao teto de gastos. Por um lado, o governo propôs uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para parcelar quase R$ 90 bilhões em precatórios que vencem em 2022, o que foi interpretado, pelo mercado, como uma forma de calote. A cifra supera a estimativa inicial do governo para esse tipo de despesa, que era de R$ 35 bilhões, e segundo o Ministério da Economia, seu pagamento na data prevista comprometeria o funcionamento da máquina pública.
Por outro lado, o governo desejava turbinar o programa Bolsa Família, que passaria a se chamar Auxílio Brasil, e precisava de espaço no Orçamento. A conta, como se pode ver, ficou difícil de fechar. E como o novo programa social precisaria ser lançado ainda neste ano, uma vez que 2022 é ano eleitoral, o mercado voltou a temer flexibilizações no teto.
Outro ponto importante para as contas públicas, as reformas, permaneceram paradas. A reforma tributária - que agora está em sua segunda etapa, a reforma do imposto de renda - foi adiada repetidamente, e ainda não foi votada. Mais um fator a pressionar o fiscal e, consequentemente, os juros.
E a política também não está facilitando. Apesar de todos os acordos com o Centrão, o presidente Jair Bolsonaro continuou distribuindo alfinetadas ao Legislativo e, principalmente, ao Judiciário, tendo chegado a pedir o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O clima, portanto, não favorece a aprovação de pautas caras ao governo, principalmente as mais polêmicas, como a reforma do IR.
ETF vale a pena? Veja, no vídeo a seguir, por que os bancos estão oferecendo ETF quase de graça:
A crise hídrica é outro fator complicador, que vem encarecendo a energia elétrica e pesando ainda mais na já pressionada inflação. No início de agosto, o Banco Central elevou a taxa Selic em um ponto percentual, para 5,25% ao ano, mas ao longo do mês o mercado continuou aumentando suas projeções para a inflação e a taxa básica neste e no próximo ano.
Assim, os juros futuros sofreram pressão ao longo de toda a curva: os juros curtos subiram com as perspectivas de mais altas na Selic, e os juros longos subiram ainda mais com a alta do risco-país, pressionado pelo fiscal.
A escalada dos juros futuros e da taxa básica pesam negativamente sobre ações e fundos imobiliários, uma vez que aumentam o custo de oportunidade, tornando a renda fixa mais rentável e atrativa em relação aos ativos de risco. Também encarecem o crédito, dificultando os projetos de empresas e da indústria de construção civil.
No caso dos títulos públicos prefixados e atrelados à inflação, a alta dos juros futuros aumenta suas taxas e, consequentemente, reduz seus preços no mercado. Assim, na marcação a mercado, os papéis se desvalorizam.
Para quem deseja adquirir esse tipo de título público e carregá-lo ao vencimento, porém, o momento se mostra propício, pois os retornos estão historicamente elevados. Independentemente do que ocorre com esses papéis no meio do caminho, eles sempre pagam no vencimento a rentabilidade contratada. E em agosto, vimos o prefixado mais longo do Tesouro Direto voltar a pagar 10% ao ano; já o Tesouro IPCA+ mais longo está remunerando quase 5% ao ano mais inflação.
Os investimentos atrelados à Selic, por sua vez, se beneficiaram da alta da taxa para entregarem um retorno positivo no mês e atuarem como o porto seguro dos investidores. É o caso do título público Tesouro Selic, da caderneta de poupança e de boa parte das debêntures. Mesmo as debêntures atreladas à inflação, porém conseguiram se sair bem no mês.
As commodities perderam o brilho?
Outro fator que pesou na bolsa brasileira em agosto foi a queda dos preços das commodities. Enquanto as bolsas americanas renovavam recordes - com a recuperação ainda imperfeita da economia dos EUA, que ainda deve manter os juros do país baixos por um bom tempo -, o mundo se preocupava com o avanço da variante delta do coronavírus e seus possíveis impactos na economia, caso ela viesse a obrigar os países a fecharem novamente suas economias.
Ao mesmo tempo, a China divulgou números que sugeriram uma desaceleração no seu crescimento e continuou interferindo no mercado de minério de ferro, a fim de evitar especulação com seus preços. Essa mistura de incerteza quanto à força da economia chinesa, a ameaça de uma nova queda na demanda por causa da variante delta e contenção dos preços do minério de ferro derrubaram os preços das commodities, o que naturalmente afetou as empresas brasileiras do setor.
Como a composição do Ibovespa é intensiva em empresas exportadoras desse tipo de produto, este foi outro fator a pesar negativamente sobre o índice, que na metade do mês zerou os ganhos do ano. O índice bem que tentou seguir o bom humor de Wall Street em vários pregões, mas terminou o mês com queda de 2,48%, a 118.781 pontos, mesmo depois de as empresas brasileiras terem entregado belos resultados referentes ao segundo trimestre.
Melhores ações de agosto
Ação | Código | Desempenho no mês |
Embraer | EMBR3 | 25,55% |
CPFL | CPFE3 | 14,93% |
Braskem | BRKM5 | 14,01% |
Cemig | CMIG4 | 12,81% |
Suzano | SUZB3 | 12,54% |
Totvs | TOTS3 | 11,90% |
Copel | CPLE6 | 11,60% |
TIM | TIMS3 | 9,63% |
EDP Brasil | ENBR3 | 7,76% |
Klabin | KLBN11 | 7,56% |
Piores ações de agosto
Ação | Código | Desempenho no mês |
CSN | CSNA3 | -23,44% |
Ultrapar | UGPA3 | -18,11% |
Via | VIIA3 | -17,79% |
Qualicorp | QUAL3 | -17,13% |
Lojas Americanas | LAME4 | -16,22% |
Iguatemi | IGTA3 | -16,07% |
Americanas S.A. | AMER3 | -15,38% |
Bradespar | BRAP4 | -14,72% |
Cielo | CIEL3 | -14,58% |
Cosan | CSAN3 | -14,25% |
O dólar se segura nos juros mais altos
Em agosto, vimos o dólar PTAX - cotação calculada pelo Banco Central - ainda registrar uma ligeira alta de 0,44%, fechando a R$ 5,14. Enquanto isso, a cotação à vista da moeda americana terminou o mês com leve queda de 0,73%, a R$ 5,17, acumulando agora perda de 0,32% no ano. O movimento modesto resulta de uma espécie de queda de braço.
Por um lado, a queda nos preços das commodities, a crise política, a pressão inflacionária e o aumento do risco fiscal contribuem para o real permanecer desvalorizado; já a sinalização do Federal Reserve, o banco central americano, de que os estímulos monetários devem começar a ser retirados ainda neste ano, contribui para o fortalecimento do dólar - e de fato a moeda americana subiu ante outras divisas fortes em agosto.
Por outro lado, a alta na Selic vem segurando o real. Afinal, juros mais altos no país tornam a renda fixa brasileira mais atrativa para os gringos, ao passo em que os juros, nos países ricos, permanecem baixos ou zerados.
Bitcoin em franca recuperação
Em agosto, as proibições da China à mineração de bitcoin completaram seis meses, e o mercado cripto mostrou que superou a investida do gigante asiático contra seu principal representante. Com a realocação dos mineradores pelo mundo, o bitcoin continuou a se recuperar e voltou a ultrapassar os US$ 50 mil pela primeira vez desde maio. Em 31 de agosto, porém, a cotação da criptomoeda já havia voltado para a casa dos US$ 47 mil, ou R$ 243 mil.
Entre os fatos importantes para a institucionalização das criptomoedas em agosto, vimos a PayPal permitindo a operação desses ativos na sua plataforma a usuários do Reino Unido, o anúncio de que a exchange Coinbase investiria parte do seu caixa e lucro em criptomoedas, a criação de um índice de DeFis (finanças descentralizadas) pela agência Bloomberg e a criação de uma vaga para especialista em criptomoedas e blockchain pela varejista Walmart.
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