Fusão de Hapvida e Intermédica deve revolucionar setor de saúde, apontam analistas; ações sobem mais de 5%
Para analistas, união das companhias não deve encontrar grandes dificuldades para conseguir aprovação do Cade, com o ponto mais crítico sendo, possivelmente, Minas Gerais, onde ambas concentram 16% do mercado

Depois de alguns meses de noivado e grande expectativa do mercado, NotreDame Intermédica e Hapvida finalmente disseram sim uma para outra e anunciaram um acordo para a combinação dos negócios, em transação que deve criar a maior operadora de saúde do país.
O anúncio foi feito durante o fim de semana, a proposta ainda deve passar pelas assembleias de acionistas das companhias no próximo mês e a operação deve ser fechada até o início de 2022. No entanto, o mercado financeiro reage com otimismo à notícia. Afinal, este deve ser o nascimento de uma gigante que pode transformar completamente o setor de saúde.
Depois de terem subido forte com a divulgação dos estudos de combinação, as ações das companhias passaram por algumas correções, mas hoje voltam a se valorizar.
As ações da Hapvida (HAPV3) fecharam hoje em alta de 5,29%, a R$ 16,32, enquanto as da NotreDame Intermédica avançaram 3,41%, a R$ 89,68. Na máxima do dia, os papéis chegaram a bater mais de 10%.
O acordo
Inicialmente, cada acionista da NotreDame receberá 5,2490 ações ordinárias da Hapvida por papel da empresa, além do valor de R$ 6,45. Na nova companhia, acionistas da Hapvida passariam a deter 53,6% do capital social, enquanto os da Intermédica terão 46,4%.
Em teleconferência para apresentar a operação para analistas, o CEO da NotreDame Intermédica, Irlau Machado, afirmou que essa é uma mudança transformacional para o setor de saúde suplementar do país, o que foi complementado pelo CEO da Hapvida, Jorge Pinheiro, que lembrou que a crise sanitária só aumenta desejo da população de adquirir um plano de saúde.
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Na visão dos analistas, as companhias não devem encontrar grandes dificuldades para a aprovação da operação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), com o ponto mais crítico sendo possivelmente Minas Gerais, onde as companhias possuem cerca de 16% do mercado.
A nova operadora de saúde deverá contar com 84 hospitais, 280 clínicas e 257 unidades de diagnóstico, além de 8,4 milhões de vidas em sua carteira de clientes - sendo 4,6 milhões delas do segmento odontológico. Também deverá manter os dois CEOs em seu quadro.
Como arroz e feijão
Únicas representantes do segmento de operadoras verticalizadas listadas na bolsa (companhias com uma rede própria de atendimento, com hospitais, clínicas e laboratórios), Hapvida e NotreDame Intermédica são as grandes protagonistas do setor de saúde nos últimos anos.
Desde a estreia na bolsa, em 2018, as companhias adotaram uma estratégia agressiva de crescimento, baseada na compra de players verticalizados menores, em regiões estratégicas.
Enquanto a Hapvida tem foco e presença marcante no Norte e Nordeste, o GNDI tem como destaque a presença na região Sul e Sudeste. O território onde as duas companhias compartilham mercado de forma mais significativa é Minas Gerais, um alvo mútuo recente da estratégia de expansão. Por isso, elas são vistas como "complementarmente perfeitas" e os analistas veem um verdadeiro potencial transformacional na fusão.
Os analistas Samuel Alves e Yan Cesquim, do BTG Pactual, estimam que a nova empresa deve concentrar cerca de 18% da participação de mercado e deve ter um custo total de R$ 116 milhões, valor insignificante perto da sua avaliação de R$ 112 bilhões, com grande capacidade de sinergia entre as empresas, o que deve impulsionar a venda de planos individuais e de cobertura nacional - com a ampliação da escala geográfica de atuação.
Um anúncio já era esperado e antecipado para o fim de fevereiro. Nas últimas semanas, os papéis da companhia exibiram uma tendência de correção. O BTG Pactual afirma que essa queda pode ser explicada pela inquietação dos investidores com relação ao acordo - o que agora pode se transformar em uma oportunidade ainda mais interessante de entrada nesses papéis.
“O passo de hoje significa xeque-mate no altamente segmentado setor de saúde brasileiro. A fusão desses dois gigantes, com um histórico de enorme sucesso, deve garantir força suficiente para manter uma posição de liderança clara no mercado.” - BTG Pactual
O analista Roberto Otero, do Bank of America, enxerga o momento dessa forma e vê as companhias com potencial para atingir um valor de mercado superior a R$ 120 bilhões após as devidas sinergias e crescimento, mesmo que uma preocupação com a sinistralidade venha pesando sobre os papéis desde dezembro de 2020. Os analistas Mauricio Cepeda e William Barranjard, do Credit Suisse, apontam que a duplicação de estruturas pode acabar atrasando esse processo, mas essa visão pode mudar ao longo do tempo.
Os analistas do Credit Suisse e do BTG Pactual destacam também o sistema de governança que deve ser adotado. A nova empresa irá manter os dois CEOs, Jorge Pinheiro e Irlau Machado, e um conselho com nove membros: dois indicados pelo GNDI, cinco apontados pela Hapvida e dois membros independentes.
A XP Investimentos aproveitou a oportunidade para iniciar a sua cobertura tanto de Hapvida (com preço-alvo de R$ 21 para o final de 2021) como de GNDI (com preço-alvo de R$ 117 para o final de 2021) , com recomendação de compra para os dois papéis. Os analistas Vitor Pini e Matheus Soares enxergam as operadoras verticalizadas favorecidas com relação aos outros players do setor, como a Rede D’Or.
Os analistas avaliam a operação também do ponto de vista ESG (Meio Ambiente, Social e Governança), uma tendência que deve seguir em alta nos próximos anos. Para a corretora, o pilar Social deve ser o ponto mais forte dos três, com a NotreDame já bem posicionada dentro dessa agenda, enquanto a Hapvida mostra espaço para melhorias.
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