Ainda tímido, investimento no exterior ganha espaço nas carteiras dos fundos no 1º tri
Alta do dólar levou investimentos no exterior a crescerem 45% nas carteiras dos fundos até fevereiro; multimercados investimento no exterior tiveram, no trimestre, melhor retorno dos últimos dois anos

A recuperação dos mercados externos desde o início da pandemia de coronavírus, em março de 2020, junto com a alta do dólar fizeram com que os fundos multimercados que podem investir mais de 40% do seu patrimônio no exterior tivessem, no primeiro trimestre, a melhor rentabilidade da categoria nos últimos dois anos.
Segundo levantamento sobre a indústria de fundos divulgado pela Anbima nesta sexta-feira (09), os fundos multimercados investimento no exterior renderam, nos três primeiros meses de 2021, 2,7%, ante um retorno de apenas 1,0% no primeiro trimestre de 2020.
Foi um dos melhores retornos entre as categorias de fundos mais representativas da indústria (excluindo-se também fundos setoriais e de uma única ação). Em seguida, vieram os fundos de ações investimento no exterior, aqueles que também podem investir mais de 40% do seu patrimônio lá fora, com rentabilidade de 2,6% nos três primeiros meses do ano. No primeiro trimestre de 2020, com o início da crise do coronavírus nos mercados, tais fundos haviam despencado 33,7%.
Rentabilidade acumulada no ano dos tipos de fundos que representam 43% da indústria
Classificação do fundo | No que investe | 2021 até março | 2020 até março |
Multimercados investimento no exterior | Quaisquer classes de ativos, podendo investir mais de 40% do patrimônio no exterior | 2,7% | 1,0% |
Ações investimento no exterior | Principalmente ações, podendo investir mais de 40% do patrimônio no exterior | 2,6% | -33,7% |
Multimercados livre | Quaisquer classes de ativos, quaisquer estratégias | 0,5% | -3,5% |
Multimercados macro | Quaisquer classes de ativos, estratégia que toma como base cenário macroeconômico | 0,5% | -4,8% |
Renda fixa duração baixa soberano | Principalmente títulos públicos de curto prazo, fundo mais conservador | 0,3% | 0,8% |
Renda fixa simples | Principalmente títulos públicos de curto prazo, fundo mais conservador | 0,3% | 0,8% |
Ações small caps | Principalmente ações de empresas de baixo valor de mercado na bolsa brasileira | 0,2% | -39,4% |
Ações livre | Principalmente ações de empresas de qualquer porte na bolsa brasileira | -0,2% | -33,6% |
Renda fixa duração livre crédito livre | Títulos de renda fixa de qualquer prazo, podendo manter mais de 20% da carteira em títulos de médio e alto risco de crédito (títulos privados) nos mercados doméstico e externo | -0,3% | -1,3% |
Renda fixa duração alta soberano | Principalmente títulos públicos de prazos mais longos, notadamente prefixados e com remuneração atrelada à inflação | -1,2% | -4,3% |
Fonte: Anbima
Das categorias acima, todas as que apanharam no primeiro trimestre do ano passado, com o início da crise, apresentaram recuperação no primeiro trimestre deste ano, mas muitas das que investem principalmente no mercado doméstico ainda acumulam retornos negativos no ano.
Infelizmente, os fundos que investem a maior parte do patrimônio (ou sua totalidade) no exterior ainda são pouco acessíveis ao investidor pessoa física, sendo restritos a investidores qualificados (com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras) ou profissionais (com mais de R$ 10 milhões em aplicações financeiras).
Leia Também
No entanto, tornam-se cada vez mais comuns no mercado os fundos acessíveis a investidores em geral e que investem menos de 40% do patrimônio no exterior, o que já contribui para aumentar a diversificação geográfica das carteiras das pessoas físicas.
O mesmo levantamento da Anbima mostrou que, nos dois primeiros meses do ano, os investimentos no exterior ganharam espaço nas carteiras dos fundos em geral, com crescimento de 45% ante os dois primeiros meses do ano passado. A Anbima atribui o crescimento principalmente à alta do dólar no período. A moeda americana acumulava ganho de 8% no ano até o fim de fevereiro.
Porém, em termos absolutos, os fundos brasileiros ainda investem pouco no exterior. O patrimônio líquido investido no exterior passou de R$ 44 bilhões em fevereiro de 2020 para R$ 64 bilhões em fevereiro de 2021.
A título de comparação, os títulos públicos federais - classe de ativo com maior participação nas carteiras dos fundos brasileiros - atingiram um PL de R$ 2,6 trilhões em fevereiro de 2021, e a renda variável local atingiu um PL de R$ 729 bilhões no mesmo mês.
Recuperação da captação
O levantamento da Anbima mostrou que, em comparação ao primeiro trimestre de 2020, houve uma recuperação da captação da indústria de fundos brasileira no primeiro trimestre de 2021.
Nos três primeiros meses do ano passado, quando teve início a crise do coronavírus nos mercados, a captação dos fundos foi positiva em apenas R$ 38,1 bilhões; já entre janeiro e março deste ano, a captação foi positiva em R$ 83,8 bilhões. Trata-se de um aumento de quase 120% no período e da segunda maior captação líquida para um primeiro trimestre desde 2017.
O patrimônio líquido da indústria de fundos passou de R$ 5,3 trilhões no primeiro trimestre de 2020 para R$ 6,3 trilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 18,2%.
Houve recuperação também nos aportes feitos por pessoas físicas em fundos. No primeiro trimestre do ano passado, as pessoas físicas retiraram R$ 4,8 bilhões dos fundos de investimento, enquanto nos primeiros três meses deste ano, aportaram R$ 7,7 bilhões.
O destaque positivo de captação no trimestre foram os fundos de renda fixa, com captação positiva de R$ 61,4 bilhões. No primeiro trimestre do ano passado, houve uma captação negativa nesses fundos, com resgates líquidos que totalizaram R$ 62,3 bilhões.
Segundo a Anbima, nos dois casos, os desempenhos foram muito influenciados pela movimentação em fundos de baixa duração de aplicações automáticas, sobretudo de recursos do poder público.
Ainda segundo a entidade, a captação positiva de fundos de renda fixa ligados a estados e municípios no início do ano, como ocorreu em 2021, é normal, devido a captação de impostos. No ano passado é que o desempenho negativo teria sido atípico, provavelmente dada a uma necessidade de aumento dos gastos públicos com o início da pandemia.
Já o destaque negativo de captação ficou por conta dos fundos de ações, que viram um resgate líquido de R$ 11,2 bilhões no primeiro tri de 2021, ante uma captação positiva de R$ 46,1 bilhões no mesmo período de 2020.
Segundo a Anbima, porém, tal movimento neste ano foi atípico, pois sofreu forte impacto negativo de um único fundo de pensão que amortizou R$ 43,9 bilhões. Houve ainda um impacto positivo na classe de ações por causa de um fundo de investimento em participações (FIP) de aproximadamente R$ 20 bilhões que mudou de classificação e se tornou um fundo de ações.
Sem o efeito desses dois eventos, porém, a categoria de fundos de ações teria tido uma captação positiva de R$ 14 bilhões no trimestre.
Mais renda variável, menos renda fixa
O aumento da participação dos investimentos no exterior nas carteiras dos brasileiros faz parte de um movimento de diversificação que se intensificou com a queda dos juros locais para patamares mais "civilizados". O mesmo se pode dizer da migração mais intensa para a renda variável, com redução da participação da renda fixa nas carteiras.
Apesar dos movimentos pontuais que resultaram numa forte captação líquida positiva para os fundos de renda fixa e negativa para os fundos de ações neste primeiro trimestre, a participação dos ativos de renda fixa nas carteiras dos fundos de investimento brasileiros continuou recuando no período, ao passo que a participação da renda variável continuou aumentando.
Em março de 2020, a renda fixa respondia por 39,5% do patrimônio líquido dos fundos; em março deste ano, respondia por apenas 36,3%, mesmo percentual de dezembro do ano passado.
Já a participação da renda variável caiu para apenas 6,7% do patrimônio líquido dos fundos ao final de março de 2020, após a grande desvalorização das ações vista após o estouro da pandemia. Em março de 2020, a renda variável já respondia por 10,0% do PL dos fundos, percentual superior ao de dezembro de 2019 e estável em relação ao fim do ano passado.
Sem exceções: Ibovespa reage à guerra comercial de Trump em dia de dados de inflação no Brasil e nos EUA
Analistas projetam aceleração do IPCA no Brasil e desaceleração da inflação ao consumidor norte-americano em fevereiro
PGBL ou VGBL? Veja quanto dinheiro você ‘deixa na mesa’ ao escolher o tipo de plano de previdência errado
Investir em PGBL não é para todo mundo, mas para quem tem essa oportunidade, o aporte errado em VGBL pode custar caro; confira a simulação
É o fim da “era de ouro” da renda fixa? Investidores sacam quase R$ 10 bilhões de fundos em fevereiro — mas outra classe teve performance ainda pior, diz Anbima
Apesar da performance negativa no mês passado, os fundos de renda fixa ainda mantêm captação líquida positiva de R$ 32,2 bilhões no primeiro bimestre de 2025
De Minas para Buenos Aires: argentinos são a primeira frente da expansão do Inter (INBR32) na América Latina
O banco digital brasileiro anunciou um novo plano de expansão e, graças a uma parceria com uma instituição financeira argentina, a entrada no mercado do país deve acontecer em breve
XP Malls (XPML11) é desbancado por outro FII do setor de shopping como o favorito entre analistas para investir em março
O FII mais indicado para este mês está sendo negociado com desconto em relação ao preço justo estimado para as cotas e tem potencial de valorização de 15%
Mata-mata ou pontos corridos? Ibovespa busca nova alta em dia de PIB, medidas de Lula, payroll e Powell
Em meio às idas e vindas da guerra comercial de Donald Trump, PIB fechado de 2024 é o destaque entre os indicadores de hoje
Debêntures da Equatorial se destacam entre as recomendações de renda fixa para investir em março; veja a lista completa
BB e XP recomendaram ainda debêntures isentas de IR, CRAs, títulos públicos e CDBs para investir no mês
Vencimento de Tesouro Selic paga R$ 180 bilhões nesta semana; quanto rende essa bolada se for reinvestida?
Simulamos o retorno do reinvestimento em novos títulos Tesouro Selic e em outros papéis de renda fixa
Estrangeiro “afia o lápis”, mas ainda aguarda momento ideal para entrar na bolsa brasileira
Segundo o Santander, hoje, os investidores gringos mantêm posições pequenas na bolsa, mas mais inclinados a aumentar sua exposição, desde que surja um gatilho apropriado
Em raro comentário, Warren Buffett critica as tarifas de Trump e diz que “não é a Fada do Dente que pagará”
Trata-se do primeiro comentário público de Warren Buffett acerca das políticas comerciais de Trump; veja o que o bilionário disse
Entre a crise e a oportunidade: Prejuízo trimestral e queda no lucro anual da Petrobras pesam sobre o Ibovespa
Além do balanço da Petrobras, os investidores reagem hoje à revisão do PIB dos EUA e à taxa de desemprego no Brasil
A culpa é da Selic: seca de IPOs na B3 deve persistir em 2025, diz Anbima
Enquanto o mercado brasileiro segue sem nenhuma sinalização de retomada dos IPOs, algumas empresas locais devem tentar a sorte lá fora
Procuramos independência: Ibovespa tenta se recuperar de queda em dia de IPCA-15, balanços e Haddad
IRB e Vivo divulgam resultados por aqui; lá fora, investidores concentram o foco no balanço da Nvidia
Anbima coloca ESG ‘na régua’ e anuncia regras para títulos de renda fixa sustentáveis
Instituições emissoras precisarão seguir uma série de padrões, incluindo um reporte periódico para os investidores; normas passam a valer no dia 24 de março
No país da renda fixa, Tesouro Direto atinge recorde de 3 milhões de investidores; ‘caixinhas’ e contas remuneradas ganham tração
Os números divulgados pela B3 mostram que o Tesouro IPCA e o Tesouro Selic concentram 75% do saldo em custódia em títulos públicos federais
Banco de investimentos antecipa pagamento de precatórios para até 5 dias úteis; veja como sair da fila de espera
Enquanto a fila de espera dos precatórios já registrou atraso de até 30 anos, um banco de investimentos pode antecipar o pagamento para até 5 dias úteis; veja como
Duas faces de uma mesma moeda: Ibovespa monitora Galípolo para manter recuperação em dia sem Trump
Mercados financeiros chegam à última sessão da semana mostrando algum alívio em relação à guerra comercial norte-americana
6 em cada 10 reais dos brasileiros foi investido em renda fixa em 2024 — e 2025 deve repetir o mesmo feito, diz Anbima
Brasileiros investiram 12,6% mais no ano passado e a renda fixa é a ‘queridinha’ na hora de fazer a alocação, segundo dados da associação
A queda da Nvidia: por que empresas fantásticas nem sempre são os melhores investimentos
Por mais maravilhosa que seja uma empresa — é o caso da Nvidia —, e por mais que você acredite no potencial de longo prazo dela, pagar caro demais reduz drasticamente as chances de você ter um bom retorno
Onde investir R$ 10 mil? Simulador de investimentos indica as melhores oportunidades de acordo com o seu perfil
Seja você conservador, moderado ou arrojado, saiba onde investir com a ajuda do simulador de investimentos da EQI Research