Rodrigo Barbosa, CEO da Aura Minerals: A velocidade das mudanças exige gestão e liderança descentralizadora
A discussão sobre como adaptar e preparar a governança ainda está no começo, ainda que seja uma questão de sobrevivência

Há uma série de livros e publicações sobre a estratégia das empresas para fazer frente à velocidade das mudanças impulsionadas pelo mundo digital.
Por outro lado, a discussão sobre como adaptar e preparar a governança (forma como as decisões são tomadas) das empresas para esta mudança ainda está no começo, ainda que seja uma questão de sobrevivência.
Após a revolução industrial no século XVIII, o mundo passou por uma transformação sem precedentes e grandes indústrias apresentaram crescimento exponencial, tais como têxtil, siderúrgica, ferroviária, logística, a maioria das que hoje conhecemos.
Em um certo momento, foram estabelecidas metodologias de governança corporativa para gerir tais empresas. Reuniões anuais de orçamento, cargos de Presidente, Diretor de Operação, de Finanças etc. foram criados ou ajustados.
As informações sobre clientes, produção, custos e etc. fluíam em relatórios escritos que poucos, ou apenas a alta direção, tinham acesso.
A velocidade das mudanças era morosa, novas tecnologias levavam anos para serem viabilizadas e, com isso, a diretoria tinha total condição de tomar as principais decisões da companhia em suas reuniões anuais de orçamento, enquanto, ao longo do ano, acompanhava o cumprimento das metas.
Leia Também
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde
Já no final do século XX e início XXI, veio a revolução digital e tecnológica. O surgimento dos computadores e da internet amplificou a troca e o conhecimento, e impulsionou, exponencialmente, a velocidade da inovação. A palavra “disrupção” virou frequente.
Hoje, dada a velocidade de inovação e transformação que todas as indústrias estão passando, a sobrevivência das empresas depende mais de como ela se prepara para acompanhar tais mudanças do que apenas de ideias brilhantes ou gestão de resultados eficiente.
Não há mais como um presidente acompanhar todas as mudanças e tomar todas as decisões. Agora o presidente e o conselho de administração devem focar no estabelecimento da cultura organizacional e no cumprimento de padrões operacionais, de ética e dos chamados critérios ambientais, sociais e de governança (ESG na sigla em inglês), em adição à alocação de capital e à gestão de pessoas.
Nos últimos 8 anos participei, como CEO, da reestruturação de duas empresas, onde tive contato com consultores e gestores de empresa de altíssimo nível, e, abaixo, seguem alguns pontos que aprendi para descentralizar, precisamos primeiro:
- Criar boa visibilidade do impacto das decisões para os gestores e gerentes das operações
A alta diretoria tem o privilégio de acessar todas as informações e análises dos diferentes impactos de suas decisões. Antes de descentralizá-las, é importante criar instrumentos e treinamento para que os gestores entendam o impacto de suas decisões nas diferentes áreas da empresa, desde segurança, contabilidade, fluxo de caixa, meio ambiente, produtos, clientes, e demais empregados.
- Fomentar uma maior interação e discussão entre as diversas áreas
Uma decisão completa passa não só pelo entendimento de seus impactos nas demais áreas, mas também por uma discussão entre os principais envolvidos. Por exemplo, se um comprador de matérias-primas tiver autonomia para alterar um fornecedor, mas não alinhar essa decisão com o gerente de produção e de vendas, o resultado pode ser desastroso.
Para isso, deve-se criar reuniões periódicas entre todos os gerentes com a participação de todas as áreas, e também “quebrar paredes” nos escritórios, e eliminar os sinais de hierarquia, como salas de gerentes, diretores e assistentes, de forma a promover mais leveza, interação e de forma física melhorar o fluxo de interações
- Repensar o que deve ou não ser decidido pelo presidente e pelo conselho de administração, que devem priorizar o desenvolvimento da cultura organizacional, ética, gestão de pessoas e alocação relevante de capital
Se por um lado recomendo a descentralização das decisões operacionais, de produtos e clientes, por outro a alta gestão deve intensificar o foco na cultura organizacional por meio de: (i) rigor no padrão de segurança; (ii) gestão de performance individual do time com avaliação 360, feedback e planos de desenvolvimento dos colaboradores; (iii) revisão e treinamento sobre Ética com instalação de canal de denúncias e comitê de ética; (iv) planos de atração e retenção de talentos e (v) discussão constante para alocação de capital.
Por exemplo, na Aura promovemos uma discussão ampla que envolveu as principais lideranças das operações; desenvolvemos o conceito Aura 360, incorporando nossos valores para guiar as nossas decisões e que devem ser praticados diariamente, pensando nas consequências delas sobre as comunidades/meio ambiente, demais colaboradores e empresa
Enfim, a revolução industrial já ficou para trás, mas muitos ainda usam o mesmo modelo de gestão. Adaptar a governança corporativa deve ser o foco estratégico das empresas que quiserem sobreviver, presidentes e conselhos de administração não devem tomar todas as decisões da companhia e sim prepará-la para que tenha as ferramentas e o ambiente adequado para que os colaboradores possam exercer a sua autonomia e sua criatividade.
Crie espaço para discussões construtivas dentro de um ambiente ético e diverso e não dependente do CEO. Hoje, um bom líder é aquele que torna o seu time cada vez menos dependente dele.
O cavalo de Tróia está de volta: golpes bancários com o malware disparam no mundo em 2024; saiba como se proteger
No Brasil, os fraudadores utilizam programas maliciosos, os chamados malwares, para simular transações de pagamentos
Computação na nuvem pode gerar lucro de até US$ 1,2 trilhão para as empresas nos próximos anos — ETF do setor entra no radar do BTG Pactual
Apesar de o segmento estar crescendo, não são todos os ETFs que brilham na bolsa, mas há um fundo que chamou a atenção do banco de investimentos
SXSW 2025: única empresa latina premiada no ‘Oscar da inovação’ é brasileira
Premiação do South by Southwest reconhece em áreas como inteligência artificial (IA), saúde e biotecnologia e empoderamento comunitário
Decisão polêmica: Ibovespa busca recuperação depois de temor de recessão nos EUA derrubar bolsas ao redor do mundo
Temores de uma recessão nos EUA provocaram uma forte queda em Wall Street e lançaram o dólar de volta à faixa de R$ 5,85
Essa nova tecnologia chinesa muda tudo o que sabemos até agora sobre inteligência artificial — e não é o DeepSeek
Criada pela startup chinesa Monica, a nova IA está disponível apenas para convidados no momento
Dinheiro é assunto de mulher? A independência feminina depende disso
O primeiro passo para investir com inteligência é justamente buscar informação. Nesse sentido, é essencial quebrar paradigmas sociais e colocar na cabeça de mulheres de todas as idades, casadas, solteiras, viúvas ou divorciadas, que dinheiro é assunto delas.
Como acompanhar o SXSW 2025, o maior evento de inovação do mundo — de graça, traduzido e sem estar no Texas
Michelle Obama é uma das palestrantes mais esperadas da programação; veja como acessar os painéis com tradução em português
Mata-mata ou pontos corridos? Ibovespa busca nova alta em dia de PIB, medidas de Lula, payroll e Powell
Em meio às idas e vindas da guerra comercial de Donald Trump, PIB fechado de 2024 é o destaque entre os indicadores de hoje
SXSW 2025, um guia de sobrevivência: IA, psicodelia e a deep tech além do hype
A convite do Seu Dinheiro, Diego Aristides, que acompanha a SXSW há anos, comenta os principais temas e painéis para ficar de olho no maior encontro de inovação do mundo; no centro do debate, o impacto real da deep tech para além do hype
Polêmico leilão de arte com inteligência artificial (IA) da Christie’s arrecada mais do que o projetado; veja a obra mais cara
Por bem ou por mal, a IA invadiu até mesmo o mundo da arte de “alto calibre”
Os carros e as inovações que você precisa conhecer: 10 destaques automobilísticos da maior feira de tecnologia do mundo
Carros voadores, painel com holografia e até uma cidade que parece saída de uma história de ficção científica foram as atrações do segmento automotivo da CES 2025
Nada de ‘xing ling’: Xiaomi lança novo smartphone para bater de frente com a Samsung em meio à alta de 300% das suas ações
Empresa chinesa está ingressando no segmento mais premium de celulares e visa a tirar participação de mercado da concorrente coreana
Entre a crise e a oportunidade: Prejuízo trimestral e queda no lucro anual da Petrobras pesam sobre o Ibovespa
Além do balanço da Petrobras, os investidores reagem hoje à revisão do PIB dos EUA e à taxa de desemprego no Brasil
Do varejo à nuvem: como o Magazine Luiza (MGLU3) quer diversificar seus negócios e crescer em um mercado dominado por big techs
Em entrevista ao Seu Dinheiro, Christian “Kiko” Reis, diretor do Magalu Cloud, afirma que a empresa quer capturar oportunidades no setor em expansão com serviços mais baratos que os das empresas tradicionais
Um olhar pelo retrovisor: Ibovespa tenta manter alta com investidores de olho em balanços e Petrobras em destaque
Além dos números da Petrobras, investidores repercutem balanços da Ambev, do IRB, da Klabin e da WEG, entre outros
Procuramos independência: Ibovespa tenta se recuperar de queda em dia de IPCA-15, balanços e Haddad
IRB e Vivo divulgam resultados por aqui; lá fora, investidores concentram o foco no balanço da Nvidia
O urso de hoje é o touro de amanhã? Ibovespa tenta manter bom momento em dia de feriado nos EUA e IBC-Br
Além do índice de atividade econômica do Banco Central, investidores acompanham balanços, ata do Fed e decisão de juros na China
Adeus, ChatGPT? Elon Musk anuncia novo chatbot de IA e promete ser o ‘mais inteligente do mundo’
O anúncio acontece em uma crescente concorrência de empresas no mercado de tecnologia, também de olho no ChatGPT, da Open IA, e na chinesa DeepSeek
Totvs (TOTS3) impressiona com salto de 42% do lucro no 4T24 — mas a joia da coroa é outra; ação sobe forte após o balanço
Os resultados robustos colocaram os holofotes na Totvs nesta quinta-feira (13): os papéis da companhia figuram entre as maiores altas do dia, mas quem roubou a cena foi um segmento da companhia
Da ficção científica às IAs: Ibovespa busca recuperação depois de tropeçar na inflação ao consumidor norte-americano
Investidores monitoram ‘tarifas recíprocas’ de Trump, vendas no varejo brasileiro e inflação do produtor dos EUA