Eduardo Ragasol, da Neogrid: Se o consumidor final não comprou, ninguém vendeu
Segundo pesquisa da Neogrid, quando o consumidor não encontra determinado produto, quase um terço (32%) opta por comprar algo similar de outra marca

A indisponibilidade de produtos nas gôndolas e prateleiras dos estabelecimentos comerciais pode acarretar grandes prejuízos para as partes envolvidas nessa cadeia logística. Porém, o que caracteriza a indisponibilidade? Trata-se da falta da mercadoria no momento em que a venda seria realizada. O consumidor quer adquirir um item, mas não encontra o que deseja.
Há vários motivos pelos quais um produto pode estar indisponível na gôndola em um ponto de venda (PDV). Pode ser um desajuste na relação entre indústria, distribuidores e varejo. Ou problemas de reposição, que deixam o estabelecimento sem estoque.
Pode ser ainda insuficiência de mão de obra para reabastecer o PDV. Há até a possibilidade de o produto estar fora de lugar. O desafio está em como identificar, e antecipar, as causas da indisponibilidade.
Para que não se torne um problema crônico, se faz necessário acompanhar de perto todas as etapas do processo, desde a produção até o consumo final, e identificar onde está ocorrendo a quebra. Só assim é possível evitá-la.
É preciso investigar se há o devido cuidado em todas as operações, se há verificação constante nos estoques. As prateleiras devem ser sempre reabastecidas com eficiência. A mercadoria existente na loja não pode ficar longe da vista do comprador.
Além disso, o fluxo de produtos deve ser organizado. O lojista deve entender a dinâmica de compra do consumidor: quais produtos têm maior giro? Quais têm menor saída? O fator sazonalidade influencia? O que os novos comportamentos dos clientes finais dizem? As respostas vão garantir a disponibilidade deles.
Leia Também
É essencial buscar estratégias para ter uma cadeia de suprimentos eficiente, funcional e contar com equipes e parceiros competentes para garantir o sucesso das operações.
O prejuízo sempre é compartilhado entre a indústria e o varejo. Segundo pesquisa da Neogrid, quando o consumidor não encontra determinado produto, quase um terço (32%) opta por comprar algo similar de outra marca.
Nesse caso, quem perde é o fabricante, pois permite que o seu cliente conheça um produto concorrente. Como diz o ditado: “Quem não dá assistência abre espaço para a concorrência”.
O prejuízo pode ser também do varejista, uma vez que pouco mais de um quinto dos consumidores (21%) opta por comprar o mesmo produto em outra loja. Mais da metade dos clientes finais, portanto, troca de loja ou de produto quando não encontra o que deseja onde deseja.
Alguns se mantêm fiéis à marca, adquirindo um artigo do mesmo fabricante (17%), mas outros 19% deixam de comprar, de acordo com a pesquisa da Neogrid.
Então, quem mais sofre com a indisponibilidade? Todas as partes são afetadas nessa cadeia: o lojista perde oportunidades de venda e a indústria vê a cobertura de mercado diminuir. E perde o cliente, claro, que fica insatisfeito com sua experiência de compra.
Com a pandemia da Covid-19, houve mudanças na forma como o consumidor faz suas compras. Com as medidas de segurança de isolamento e distanciamento social, ocorreu provavelmente um adiantamento de transformações que levariam mais tempo para serem adotadas pela população. As pessoas, por exemplo, optaram muitas vezes pelas compras online, sem sair de casa.
Segundo a Nielsen, houve aumento de 41% nas vendas no e-commerce. Outro dado que mostra essa mesma tendência é que, em 2020, 13 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra pela internet.
Nesse contexto, as empresas devem refletir se estão utilizando toda a tecnologia disponível de forma adequada para aumentar os próprios resultados. Elas devem também pesquisar se há softwares mais modernos e inteligentes que possam ajudar na logística e calcular fluxo, quantidades e quais iniciativas poderiam aumentar seus lucros.
O mundo vive um momento instável e de incertezas. A pandemia teve um impacto geral negativo sobre os negócios de 70% das empresas brasileiras, segundo o IBGE, o que reforça que fabricantes e lojistas precisam investir em novas e mais modernas ferramentas para se manterem da melhor forma no mercado.
Ninguém quer perder receita por erros evitáveis ou por não apresentar uma alternativa de compra aos seus clientes. Afinal, se o consumidor final não comprou, ninguém vendeu. Só houve uma transferência de produtos entre empresas.
Outros artigos de CEOs no Seu Dinheiro:
Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital
O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online
CEO da Americanas vê mais 5 trimestres de transformação e e-commerce menor, mas sem ‘anabolizantes’; ação AMER3 desaba 25% após balanço
Ao Seu Dinheiro, Leonardo Coelho revelou os planos para tirar a empresa da recuperação e reverter os números do quarto trimestre
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Natura (NTCO3) faz reunião para explicar próximos passos e consegue “vender” tese para analistas
CEO, João Paulo Ferreira, e CFO, Silvia Vilas Boas, convocaram analistas para amenizar preocupação dos investidores após 4T24 fraco e reestruturação organizacional
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Azzas cortadas? O que está por trás da disputa que pode separar o maior grupo de moda da América Latina
Apesar da desconfiança sobre o entrosamento entre os líderes, ninguém apostava num conflito sem solução para a Azzas 2154, dona de marcas como Hering e Arezzo
Não é só o short squeeze: Casas Bahia (BHIA3) triplica de valor em 2025. Veja três motivos que impulsionam as ações hoje
Além do movimento técnico, um aumento da pressão compradora na bolsa e o alívio no cenário macroeconômico ajudam a performance da varejista hoje; entenda o movimento
Eles perderam a fofura? Ibovespa luta contra agenda movimentada para continuar renovando as máximas do ano
Ata do Copom, balanços e prévia da inflação disputam espaço com números sobre a economia dos EUA nos próximos dias
Após semanas de short squeeze em Casas Bahia, até onde o mercado terá espaço para continuar “apertando” as ações BHIA3?
A principal justificativa citada para a performance de BHIA3 é o desenrolar de um short squeeze, mas há quem veja fundamentos por trás da valorização. Saiba o que esperar das ações
CEO da Lojas Renner aposta em expansão mesmo com juro alto jogando contra — mas mercado hesita em colocar ações LREN3 no carrinho
Ao Seu Dinheiro, o presidente da varejista, Fabio Faccio, detalhou os planos para crescer este ano e diz que a concorrência que chega de fora não assusta
Vem divórcio? Azzas 2154 (AZZA3) recua forte na B3 com rumores de separação de Birman e Jatahy após menos de um ano desde a fusão
Após apenas oito meses desde a fusão, os dois empresários à frente dos negócios já avaliam alternativas para uma cisão de negócios, segundo a imprensa local
Magazine Luiza (MGLU3) salta 17% e lidera ganhos do Ibovespa após balanço — mas nem todos os analistas estão animados com as ações
A varejista anunciou o quinto lucro trimestral consecutivo no 4T24, com aumento de rentabilidade e margem, mas frustrou do lado das receitas; entenda
Frenetic trading days: Com guerra comercial no radar, Ibovespa tenta manter bom momento em dia de vendas no varejo e resultado fiscal
Bolsa vem de alta de mais de 1% na esteira da recuperação da Petrobras, da Vale, da B3 e dos bancos
“A Selic vai aumentar em 2025 e o Magazine Luiza (MGLU3) vai se provar de novo”, diz executivo do Magalu, após 5º lucro consecutivo no 4T24
A varejista teve lucro líquido de R$ 294,8 milhões no quarto trimestre de 2024, um avanço de 38,9% no comparativo com o ano anterior
Ação da Casas Bahia (BHIA3) tomba 13% após prejuízo acima do esperado: hora de pular fora do papel?
Bancos e corretoras reconhecem melhorias nas linhas do balanço da varejista, mas enxergam problemas em alguns números e no futuro do segmento
Da explosão do e-commerce à recuperação extrajudicial: Casas Bahia (BHIA3) deixou o pior para trás? Prejuízo menor no 4T24 dá uma pista
As ações da varejista passam por um boom na bolsa, mas há quem diga que esse movimento não está ligado diretamente com a recuperação do setor; confira o desempenho da companhia entre outubro e dezembro deste ano
Ações da Casas Bahia dobram de valor antes do balanço do 4T24 — e short squeeze pode estar por trás do salto de BHIA3
Segundo analistas da Genial Investimentos, houve um aumento dos custos para manter posição vendida em papéis da Casas Bahia e do Magalu desde fevereiro
Bateu Azzas (AZZA3) e não voou: ações lideram perdas do Ibovespa após balanço fraco. O que desagradou o mercado?
A varejista registrou uma queda de 35,8% no lucro líquido do quarto trimestre de 2024 na comparação anual, para R$ 168,9 milhões. Veja os destaques do balanço