Diante de tantas dúvidas, que tal pensar no que você deveria fazer com seu portfólio em vez de tentar adivinhar o que virá pela frente?
Trata-se de uma mudança de perspectiva sutil, mas que guarda um ponto importante sobre como devemos tratar nossos investimentos

O que vai acontecer com a Evergrande? A empresa dará calote ou vai ser salva pelo governo chinês? Teremos uma nova greve dos caminhoneiros em função da subida do preço do combustível? Quem serão os candidatos para a próxima eleição?
Essas são algumas das perguntas que recebi ao longo das últimas semanas no Instagram, no e-mail e nas rodas de amigos.
Para não ficar um clima chato com meu interlocutor, em vez de responder com um sonoro “não sei”, que seria a única resposta genuína, devolvo o questionamento com outra pergunta: “Dado o cenário e todas essas dúvidas, que tal pensar no que você deveria fazer com o seu portfólio em lugar de tentar adivinhar o que virá pela frente?”
Uma mudança de perspectiva sutil, mas importante
Essa é uma mudança de perspectiva sutil, mas que guarda um ponto importante sobre como devemos tratar nossos investimentos.
Mais importante do que tentar prever o desenrolar dos eventos mundo afora é posicionar o portfólio para os mais variados cenários que podem acontecer, de modo a não sofrer um revés grande quando o imponderável ocorrer e se beneficiar quando as coisas forem bem.
Para os eventos mais recentes, além do aumento das proteções, voltamos para a prancheta para avaliar se esses acontecimentos teriam reduzido de forma estrutural o valor intrínseco dos ativos que sugerimos ou se a queda das ações foi mais acentuada do que a destruição de valor – o que se traduziria em uma oportunidade de compra.
Leia Também
CFO da Gol (GOLL4) renuncia ao cargo em meio ao adiamento do fim do processo de recuperação judicial nos EUA
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
Vamos a um exercício
Compartilho a seguir o exercício realizado com a empresa NotreDame Intermédica (GNDI3), uma das várias com que o tenho feito nesses últimos dias.
Fundado há mais de 60 anos, o Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3) é uma das maiores operadoras de saúde do país, com cerca de 4,2 milhões de beneficiários de saúde e 2,9 milhões de beneficiários de assistência odontológica.
A empresa opera planos de saúde, planos odontológicos e de saúde ocupacional e possui um alcance de aproximadamente 68% dos beneficiários de planos privados no país e uma participação de mercado de aproximadamente 8%.
Ao longo de 2021, foi anunciada a proposta de fusão da NotreDame com sua principal concorrente, a Hapvida (HAPV3). Caso a transação seja aceita pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), formará a maior empresa de saúde verticalizada do país, com posição altamente complementar e infraestrutura nacional.
Sobre esse aspecto, embora a Superintendência-Geral do Cade tenha emitido um parecer no último dia 24 em que afirma que a fusão com a Hapvida é complexa e que é preciso realizar novas diligências para aprofundar a análise, não nos parece que será completamente inviabilizada.
Do nosso ponto de vista, o processo provavelmente demorará mais tempo do que o esperado (início do ano que vem) e alguns remédios deverão ser aplicados para evitar excesso de concentração em determinadas cidades.
Ainda no campo do M&A, a NotreDame anunciou a aquisição de outras três companhias entre junho e julho deste ano.
Ponderações
O leitor atento pode argumentar, com razão, que houve um aumento importante da sinistralidade para a companhia neste ano.
É verdade, ao contrário do ocorrido no ano passado, em que o menor fluxo de pessoas na rua e o receio de sair de casa provocou uma melhoria substancial nos resultados da NotreDame, a segunda onda de Covid ocorrida no início do ano e a retomada das cirurgias eletivas provocou um aumento da sinistralidade que afetou substancialmente os resultados da companhia nos dois primeiros trimestres deste ano.
Acreditamos que tal movimento seja excepcional, um acontecimento conjuntural, e não estrutural para a companhia, que verá seus índices de sinistralidade voltarem ao patamar anterior à medida que a vida voltar ao normal.
Passados dez meses do início do ano, a companhia está sendo avaliada em R$ 44 bilhões (R$ 4 bilhões a menos do que em janeiro), mesmo com todos os avanços operacionais e aquisições realizadas.
Se considerarmos um crescimento de receita orgânica da ordem de 12% ao ano pelos próximos quatro anos e a manutenção do crescimento inorgânico através da aquisição de players estratégicos, teremos um crescimento de receita anual médio (CAGR) de 19% ao ano pelos próximos quatro anos – abaixo dos 32% ao ano reportados nos últimos três anos.
Além disso, considerando-se que o aumento da sinistralidade foi conjuntural e que a companhia retornará para o patamar de sinistralidade caixa de 68% entre 2022 e 2023, teríamos uma recuperação do Ebitda (que foi duramente afetado nos últimos dois trimestres) também entre 2022 e 2023.
Upside é estimado em 40%
Aplicando-se o método de fluxo de caixa descontado, com crescimento de 6% na perpetuidade, estimamos que a companhia tenha um upside superior a 40%.
Veja, a despeito do momento turbulento de mercado, dos riscos fiscais, políticos, da subida da taxa de juros norte-americana, dos receios com inflação, da crise energética e dos resgates que os fundos de ações estão sofrendo por aqui, os fundamentos da companhia seguem sólidos, impulsionados pela demografia brasileira, o aumento do desejo de possuir um plano de saúde privado e o seu posicionamento de modo a combater as ineficiências e fraudes do setor de saúde, fatores estruturais que seguirão evoluindo ao longo dos anos.
Voltando ao bate-papo com meus interlocutores, não sei qual será o desenrolar de cada um dos eventos detalhados acima nem quando o mercado enxergará todo esse valor em GNDI, mas, ao estudar os fundamentos da companhia e do setor em que está inserida, acredito que, no patamar atual, a margem de segurança encontra-se bastante grande. Sob outra perspectiva, dado o cenário atual, a chance de perda permanente de capital é bastante baixa.
Forte abraço,
Fernando Ferrer
Não fique aí esperando: Agenda fraca deixa Ibovespa a reboque do exterior e da temporada de balanços
Ibovespa interrompeu na quinta-feira uma sequência de seis pregões em alta; movimento é visto como correção
Hapvida (HAPV3) abre em forte queda, depois vira e opera em alta; entenda o que motivou esta montanha-russa
Papéis caíram mais de 8% nos primeiros momentos do pregão, mas no começo da tarde subiam 3,5%
Dinheiro é assunto de mulher? A independência feminina depende disso
O primeiro passo para investir com inteligência é justamente buscar informação. Nesse sentido, é essencial quebrar paradigmas sociais e colocar na cabeça de mulheres de todas as idades, casadas, solteiras, viúvas ou divorciadas, que dinheiro é assunto delas.
Procuramos independência: Ibovespa tenta se recuperar de queda em dia de IPCA-15, balanços e Haddad
IRB e Vivo divulgam resultados por aqui; lá fora, investidores concentram o foco no balanço da Nvidia
De onde não se espera nada: Ibovespa repercute balanços e entrevista de Haddad depois de surpresa com a Vale
Agenda vazia de indicadores obriga investidores a concentrarem foco em balanços e comentários do ministro da Fazenda
Sinal verde a negócio bilionário: superintendência do Cade aprova aquisição do Novo Atacarejo pelo Grupo Mateus
Negócio foi aprovado sem restrições e tem receita bruta anual estimada em R$ 10 bilhões
JP Morgan recomenda distância de Oncoclínicas (ONCO3), mas revela duas ações atraentes no setor de saúde
Os analistas não veem gatilhos de curto prazo para impulsionar a ONCO3 — mas destacam uma dupla de ações com lucros crescentes e preços atraentes na B3
Depois do bombardeio: Ibovespa repercute produção da Petrobras enquanto mundo se recupera do impacto da DeepSeek
Petrobras reporta cumprimento da meta de produção e novo recorde no pré-sal em 2024; Vale divulga relatório hoje
Saúde financeira e vida longa: os planos da rede Mater Dei (MATD3) para cuidar da classe média em grandes cidades do país
Rede Mater Dei (MATD3), que anunciou uma recente recompra de ações na B3, conta sobre a estratégia para expansão dos negócios, que inclui uma empresa de IA em saúde
Vai decolar? Desconfiança de aprovação da fusão da Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) pelo Cade faz ações caírem nesta manhã; confira
Durante o dia, ações da GOLL4 e da AZUL4 caíram na bolsa. Já no fim do pregão, os papéis da Gol haviam se recuperado, fechando o dia estáveis. As ações da Azul encerraram com queda de 1,15%, a R$ 4,30
A Nova Zelândia é aqui: Ibovespa tenta manter recuperação em dia de IBC-Br e varejo nos EUA depois de subir quase 3%
Enquanto a temporada de balanços começa em Wall Street, os investidores buscam sinais de desaquecimento econômico no Brasil e nos EUA
Ações da Petz (PETZ3) saltam quase 9% com expectativa renovada de aval do Cade para fusão com a Cobasi
No fim de semana, o noticiário foi dominado por rumores de que a aprovação do Cade para a combinação de negócios das gigantes do mercado pet está próxima de sair do papel
CSN (CSNA3) fecha o ano com aquisição de 70% de uma das maiores operadoras logísticas do Brasil por mais de R$ 742 milhões
A operação já era esperada pelo mercado, já que a CSN (CSNA3) havia anunciado proposta vinculante de compra no início de dezembro
Nem tudo está perdido na bolsa: Ibovespa monitora andamento da pauta econômica em Brasília enquanto o resto do mercado aguarda o Fed
Depois de aprovar a reforma tributária, Congresso dá andamento ao trâmite do pacote fiscal apresentado pelo governo
Hapvida (HAPV3) na enfermaria: ação chega a cair quase 20% na mínima do dia. O que provoca essa hemorragia dos papéis da bolsa?
Ativos amargam queda de 50% no ano e a tendência, segundo grandes bancos, é de que não haja uma recuperação tão rápida; entenda os motivos
Mesmo em semana turbulenta, algumas ações se destacam no Ibovespa: confira as maiores altas e baixas dos últimos 5 dias
Ações da Marfrig, da Braskem e da Natura caíram mais de 10% no acumulado da semana, mas alguns papéis de destacaram positivamente no Ibovespa
Caça ao tesouro (Selic): Ibovespa reage à elevação da taxa de juros pelo Copom — e à indicação de que eles vão continuar subindo
Copom elevou a taxa básica de juros a 12,25% ao ano e sinalizou que promoverá novas altas de um ponto porcentual nas próximas reuniões
Hapvida (HAPV3) sobe na B3 em meio a estimativas sobre novos reajustes nos planos de saúde — mas esse bancão ainda prefere outras duas ações do setor
Em contas preliminares do BTG Pactual, os planos de saúde individuais devem passar por um aumento de cerca de 5,6% nos preços para o ciclo 2025-26
Um conto de Natal na bolsa: Ibovespa aguarda dados de produção industrial no Brasil e de emprego nos EUA antes de discurso de Powell
Bolsa busca manter recuperação apesar do dólar na casa dos R$ 6 e dos juros projetados a 15% depois do PIB forte do terceiro trimestre
Hapvida (HAPV3) blindada do caos do Brasil: CEO revela por que está animado com plano ambicioso de R$ 2 bilhões apesar do cenário macro deteriorado
Do investimento total, a companhia arcará com apenas R$ 630 milhões. Já o R$ 1,37 bilhão restante deve ser financiado por parceiros externos