Esquenta dos mercados: bolsas pelo mundo buscam recuperação após apagão de redes sociais; cenário doméstico conta com números da produção industrial
O Facebook segue sob pressão com a denúncia de uma ex-funcionária sobre a política de conteúdo da empresa, enquanto bolsa brasileira mira Guedes e Campos Neto

Depois do detox forçado de redes sociais na última segunda-feira (04), quem não gostou nada desse apagão foram os investidores. O setor de tecnologia seguiu pressionado na bolsa americana de Nasdaq, e as quedas nos índices internacionais afetaram o Ibovespa, que registrou queda de 2,22%, aos 110.393 pontos.
Já a moeda norte-americana, usada como refúgio pelos investidores em momentos de turbulência, subiu 1,44%, a R$ 5,4465. A curva de juros também pressionou a bolsa brasileira, além do cenário externo negativo, o panorama doméstico também não colaborou.
O pregão desta terça-feira (05) deve ser de recuperação do exterior, após o susto com o Facebook — mas a empresa ainda enfrenta uma denúncia de uma ex-funcionária, o que deve pressionar ainda mais as ações da gigante de tecnologia.
Já no panorama doméstico, o escândalo do Pandora Papers deve manter Paulo Guedes, ministro da Economia, e Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, na mira dos investidores. Por fim, os números do IBGE sobre produção industrial devem dar o tom dos negócios hoje.
As offshores de Guedes e Campos Neto
Na noite da última segunda-feira (04), o procurador-geral da República, Augusto Aras, abriu uma apuração preliminar sobre a atividade em empresas no exterior (offshores) do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Essa ação pode ser considerada o início de uma investigação, que deve apurar se ambos mantiveram movimentações no exterior, o que é proibido pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal e a Lei de Conflito de Interesses.
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A lei permite o investimento em empresas do exterior, desde que declaradas à Receita Federal. Entretanto, o cargo que Guedes e Campos Neto ocupam pode gerar um conflito de interesses, como a desvalorização do real frente ao dólar, por exemplo: se a moeda americana se valorizar, o investimento no exterior segue o mesmo caminho.
A divulgação dos “Pandora Papers” contribuiu para o mal estar doméstico no início da semana e deve repercutir no pregão de hoje. Paulo Guedes e Roberto Campos Neto afirmam que declararam os investimentos no exterior e estão em dia com o fisco.
Produção industrial e PMI
No pregão desta terça-feira, o investidor deve ficar atento aos dados de produção industrial de setembro, divulgados pelo IBGE. De acordo com a mediana das expectativas de especialistas ouvidos pelo Broadcast, a pesquisa deve apontar para uma redução das atividades em 0,4% na base mensal, após recuar 1,3% em julho deste ano. Na base anualm a mediana é de 0,1%.
Além disso, o índice do gerente de compras (PMI, em inglês) deve registrar expansão em setembro. O PMI de serviços deve ficar em 54,6 e o PMI composto em 55,1.
O PMI mede a atividade econômica dos países. Quando registra um número acima de 50, indica expansão das atividades e, abaixo, retração.
Por fim, o cenário doméstico deve contar com a participação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em um painel da Febraban e da CNI sobre a reforma tributária.
Bug do milênio atrasado
Foram mais de 7 horas sem Whatsapp e 6 horas sem Instagram e Facebook logo no início da semana. Para além das piadas envolvendo a resiliência do Twitter nesse cenário (alguns chamaram de “bug do milênio atrasado”), é preciso olhar com mais cautela para o setor de tecnologia.
Para os especialistas da área, o apagão das redes sociais da última segunda-feira colocou em cheque alguns pontos caros para o Facebook enquanto empresa, o que foi precificado pelos investidores com a queda de 4,89% no último pregão.
Mas as atenções estão voltadas para dois pontos importantes. Em primeiro lugar, uma avaliação de certo “amadorismo” do Facebook em permitir um apagão das redes sociais por tanto tempo, o que pode fazer os investidores dos Estados Unidos e do mundo olharem com ainda mais cautela para o setor de tecnologia.
Outro ponto é a denúncia de uma ex-funcionária do Facebook, que deve falar hoje ao Congresso noter-americano. Frances Heugen alega que a rede social engana os investidores sobre sua política contra o discurso de ódio e desinformação na plataforma.
Teto da dívida e PMI
Os investidores internacionais devem ficar de olho no setor de tecnologia, apesar da recuperação das bolsas hoje. No radar, Janet Yellen, Secretária do Tesouro dos Estados Unidos, deve falar sobre o teto da dívida fiscal, em entrevista à CNBC.
Um possível apagão dos serviços públicos segue abaixo do radar dos investidores, com uma série de acordos sendo costurados para evitar a todo o custo que o pagamento de funcionários seja suspenso.
Por fim, os PMIs dos Estados Unidos também devem movimentar o dia. O PMI composto de setembro deve ficar em 55,4, o PMI de serviços em 54,4 e o PMI de serviços de setembro, medido por outro instituto, deve ficar em 60.
Bolsas pelo mundo
Sem as principais praças da China continental, as bolsas asiáticas sentiram o peso do fechamento em baixa de Nova York e também recuaram na manhã de hoje. Além do setor de tecnologia pesar nos índices pelo mundo, o caso de Evergrande pressiona os índices da região.
Na Europa, os investidores buscam se recuperar do apagão de ontem nas principais redes sociais do mundo, o que afetou o setor de tecnologia em todas as partes do globo. Somado a isso, a decisão da Opep+ de manter a produção de petróleo deve beneficiar empresas petrolíferas.
Já os futuros de Nova York apontam para uma abertura em alta, em busca da recuperação do dia anterior. Os investidores ainda seguem de olho nas falas de Janet Yellen e dados do PMI dos EUA.
Agenda do dia
- Estados Unidos: Secretária do Tesouro Janet Yellen, fala sobre teto da dívida à CNBC (8h30)
- IBGE: Pesquisa industrial mensal de agosto (9h)
- Estados Unidos: Balança comercial de agosto (9h30)
- Economia: PMI composto e de serviços em setembro (10h)
- Estados Unidos: PMI composto e de serviços em setembro (10h45)
- Congresso Nacional: Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, relator da PEC 110, senador Roberto Rocha, e relator da reforma do IR no Senado, Angelo Coronel, participam de painel da Febraban e da CNI sobre reforma tributária (10h)
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