Inflação nos EUA coloca Fed contra a parede e mantém mercado na defesa
Alívio pode vir de resultados trimestrais e expectativa com balanço da Petrobras

Nem sempre é bom estar certo. A gente avisou aqui ontem sobre o potencial de danos dos dados de inflação ao consumidor norte-americano em abril caso eles viessem muito fora da curva. Pois eles não apenas mostraram uma forte aceleração como vieram bem mais fortes que o esperado.
A reação dos investidores foi fechar na retranca e minimizar os danos. O dólar, que vinha caindo em relação ao real nas últimas semanas, voltou à faixa dos R$ 5,30 depois de subir 1,57%. Já o Ibovespa, que tanto patinou para retornar à faixa dos 120 mil pontos e almejar novos recordes históricos, recuou 2,65% e fechou em 119.710 pontos.
Tendência ou pressão
A aceleração da inflação nos EUA ocorre em um momento no qual investidores e analistas de mercado estão em busca de sinais de superaquecimento na economia norte-americana. A intenção deles é tentar antecipar quando o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) começará a reverter sua política de juro básico perto de zero, bem como seu programa de compra de ativos.
A autoridade monetária norte-americana mantém a posição baseada na insistência – há quem chame de teimosia – de seus diretores no argumento de que a pressão inflacionária é um fenômeno transitório. As atenções se voltam para o Fed justamente pelo fato de autoridade monetária norte-americana ter liderado a reação à pandemia. Presume-se agora que outros importantes bancos centrais aguardarão sinalizações do Fed antes de agir.
Como o nível da inflação é um dos principais parâmetros do Fed para pautar suas ações de política monetária, a reação dos investidores aos dados de inflação nos EUA é compreensível, já que, se não fosse a colossal liquidez injetada pelos bancos centrais logo aos primeiros impactos da pandemia, o rali observado desde então nos mercados financeiros nem teria ocorrido.
E como notícia ruim raramente vem sozinha, é bom ficar de olho no PPI, o índice preços ao produtor nos EUA. Talvez ajude a saber se uma mudança de tendência já está em andamento ou se o mercado está apenas tentando pressionar o Fed a manter o alívio monetário custe o que custar. Seja como for, o cenário externo não é nada alentador.
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Pesquisa, CPI e balanços
No cenário local, a situação não traz alívio. Enquanto os investidores olham de soslaio para a pesquisa Datafolha indicando o pior momento da resiliente aprovação ao presidente Jair Bolsonaro desde o início do mandato – além de uma derrota por 55% x 32% para o ex-presidente Lula se um segundo turno fosse disputado hoje –, a CPI da Pandemia ouvirá hoje o ex-CEO da Pfizer, Carlos Murillo, em busca de detalhes sobre a recusa do governo à compra de vacinas contra a covid-19.
Na véspera, o ex-secretário de Comunicação do Palácio do Planalto, Fabio Wajngarten, só não saiu preso da audiência com os senadores porque o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, Omar Aziz (PSD-AM), alivou para ele.
Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) retomará na parte da tarde o julgamento do ICMS e PIS/Cofins.
Diante de tanta imprevisibilidade, enquanto o IBC-Br talvez permita ajustes às projeções para o PIB brasileiro em 2021, alguma esperança pontual pode vir dos resultados trimestrais divulgados entre ontem e hoje - ViaVarejo, Suzano, Eletrobras, Equatorial Energia, MRV, Eneva, Locaweb, BRF, Natura e Hapvida - e aqueles previstos para mais.
Para depois do fechamento, o balanço mais esperado do dia certamente é o da Petrobras, mas não é o único. Além da companhia estatal de petróleo, divulgam resultados hoje Bradespar, BR Malls, CCR, Cyrela, EcoRodovias, IRB Brasil, Light, Magalu e Sabesp.
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