Apertem os cintos: Bank of America rebaixa Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) para venda
Para o Bank of America, o valuation de Gol (GOLL4) e Azul (AZUL4) mostra pouco espaço para alta; além disso, os passivos geram preocupação

Tanto a Gol (GOLL4) quanto a Azul (AZUL4) têm se preocupado em passar uma mensagem de "normalização em curso": trimestre após trimestre, as administrações de ambas as companhias aéreas tentam imprimir um tom otimista em relação ao futuro, independente dos desafios e instabilidades. O Bank of America, no entanto, não comprou o discurso e, há pouco, rebaixou a recomendação para as duas ações, de neutro para venda.
Em relatório, os analistas Murilo Freiberger e Gustavo Tasso elogiam a atuação das aéreas brasileiras durante a pandemia, afirmando que Gol e Azul "fizeram um trabalho impressionante no ajuste das operações, na negociação dos passivos e na sustentação da liquidez".
No entanto, o banco também vê potencial limitado de ganho nas ações, considerando os níveis atuais de valuation. E, mesmo com todo o trabalho feito pelas companhias nos últimos meses, o BofA acredita que os efeitos da Covid ao setor de aviação ainda podem trazer impactos ao fluxo de caixa das aéreas.
Veja abaixo as projeções do Bank of America para as duas ações:
- Gol (GOLL4): preço-alvo de R$ 21,00 (9% de alta em potencial)
- Azul (AZUL4): preço-alvo de R$ 36,00 (2,5% de alta em potencial)
"Ainda vemos uma 'conta Covid' relevante a ser paga, com os passivos de ambas as empresas aumentando em cerca de US$ 5 bilhões em comparação com os níveis pré-pandemia", escrevem Freiberger e Tasso, ressaltando, ainda, que a recente dinâmica mais positiva para o capital de giro tem se deteriorado.
Gol e Azul: passivos subestimados?
Os analistas do Bank of America também apresentam a tese de que, considerando as normas financeiras internacionais (IFRS), o total de passivos de Gol e Azul pode estar sendo subestimado pelo mercado — o que justifica a postura mais pessimista da instituição em relação às companhias aéreas. Há dois pontos a serem considerados:
Leia Também
- As regras de renegociação de dívidas, que fizeram com que a Azul usasse uma taxa de desconto maior para os passivos de aluguel de aeronaves;
- A duração do leasing de aviões, com a idade mais elevada da frota da Gol reduzindo o volume do passivo.
"Nesse aspecto, se ajustarmos os passivos de aluguel de aeronaves para as taxas normais de desconto, a dívida líquida das companhias iria aumentar e os múltiplos de endividamento seriam de 20% a 30% maiores", escreve o Bank of America.
GOLL4 e AZUL4: sem espaço para decolar?
Para os analistas do BofA, as ações PN da Azul (AZUL4) estão sendo negociadas a um múltiplo EV/Ebitda ao redor de 7,8 vezes, enquanto os papéis da GOL (GOLL4) saem a cerca de 7 vezes — números bastante próximos às estimativas de valor justo feitas pelo banco, o que implica num potencial limitado de alta.
"Mesmo levando em conta que esperamos o Ebitda de Gol e Azul em 2022 volta aos níveis de 2019, e considerando os passivos ajustados pelas normais internacionais, ainda vemos um valuation desafiador para as aéreas brasileiras", escrevem Freiberger e Tasso.

A Gol fechou o segundo trimestre de 2021 com lucro líquido de R$ 643 milhões, enquanto a Azul teve ganho de R$ 1 bilhão no mesmo período; passada a primeira metade do ano, a Azul tem mostrado uma capacidade melhor de se ajustar durante a crise, tanto no aspecto financeiro quanto no operacional.
Abaixo, você pode conferir uma outra análise feita pela analista de investimentos e colunista do Seu Dinheiro, Maria Clara Sandrini, sobre a Azul, no nosso YouTube (aproveite para ver outras análises, notícias e oportunidades que apresentamos por lá clicando aqui):
Oportunidades em meio ao caos: XP revela 6 ações brasileiras para lucrar com as novas tarifas de Trump
A recomendação para a carteira é aumentar o foco em empresas com produção nos EUA, com proteção contra a inflação e exportadoras; veja os papéis escolhidos pelos analistas
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Itaú (ITUB4), de novo: ação é a mais recomendada para abril — e leva a Itaúsa (ITSA4) junto; veja outras queridinhas dos analistas
Ação do Itaú levou quatro recomendações entre as 12 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro; veja o ranking completo
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Onde investir em abril? As melhores opções em ações, dividendos, FIIs e BDRs para este mês
No novo episódio do Onde Investir, analistas da Empiricus Research compartilham recomendações de olho nos resultados da temporada de balanços e no cenário internacional
Minoritários da Tupy (TUPY3), gestores Charles River e Organon indicam Mauro Cunha para o conselho após polêmica troca de CEO
Insatisfeitos com a substituição do comando da metalúrgica, acionistas indicam nome para substituir conselheiro independente que votou a favor da saída do atual CEO, Fernando Rizzo
CFO da Gol (GOLL4) renuncia ao cargo em meio ao adiamento do fim do processo de recuperação judicial nos EUA
A renúncia do CFO vem acompanhada do adiamento do processo de RJ da Gol nos EUA, que estava previsto para acabar ainda neste mês
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Tupy (TUPY3): Troca polêmica de CEO teve voto contrário de dois conselheiros; entenda o imbróglio
Minoritários criticaram a troca de comando na metalúrgica, e o mercado reagiu mal à sucessão; ata da reunião do Conselho divulgada ontem mostra divergência de votos entre os conselheiros
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump