Incertezas fiscais se acumulam e Ibovespa emplaca quarto pregão de queda; dólar e juros sobem
PEC dos precatórios, desmanche de posições em bolsa e queda das commodities contribuíram para mais um dia negativo para a bolsa brasileira

A sessão desta quarta-feira (18) marcou o quarto pregão consecutivo de queda para o Ibovespa, mas essa não é a única estatística negativa da bolsa brasileira nos tempos recentes.
A gente nem precisa ir muito longe. É só olhar para os últimos 30 dias. O principal índice da B3 acumula uma queda de quase 14% no ano e, só no último mês, o recuo foi de 10% — dos 22 pregões que tivemos no período, apenas oito tiveram desempenho positivo.

Não tem como deixar de notar que o cataclismo foi a deterioração da saúde fiscal do país, marcada pelo andamento da PEC dos precatórios no Congresso.
Do dia 18 de outubro até agora, o texto que eleva o teto fiscal foi aprovado na Câmara, as conversas para uma possível extensão do auxílio emergencial se intensificaram, e o Senado mostrou que está longe de aprovar o texto da PEC sem alterações.
Na visão de Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, os aspectos discutidos pelos senadores são válidos — principalmente no que diz respeito à não revisão do valor do teto e à retirada dos precatórios da conta para não configurar uma “pedalada” no pagamento.
Mas caso o texto seja alterado, a tramitação da PEC será prolongada, pois ela deverá retornar à Câmara, aumentando o período de incertezas. E você já deve estar cansado de saber que o mercado odeia incertezas.
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A temporada de balanços chegou ao fim, com bons resultados para as empresas, mas o patamar atual da bolsa brasileira não reflete isso. Com as bolsas americanas próximas das máximas, às vezes o bom humor contagia os negócios na B3, mas esse não foi o caso hoje.
Em Wall Street, os principais índices fecharam mistos nesta quinta-feira; e, na China, o minério de ferro voltou a cair bruscamente, afetando o desempenho da Vale e das siderúrgicas.
O resultado foi um pregão volátil e de muitos altos e baixos. No fim, a pressão das incertezas venceu. O Ibovespa fechou em 102.426 pontos, um recuo de 0,51%.
Nesses 30 dias áridos para a bolsa brasileira, o dólar também incorporou o estresse do mercado e passou por grande volatilidade. No pior dos dias chegou a encostar nos R$ 5,70 e, agora, é cotado a R$ 5,5699, após alta de 0,83% nesta quinta.
O mercado de juros também segue precificando uma atuação mais dura do Banco Central para ancorar as expectativas de inflação dos próximos anos e também uma possível elevação antecipada das taxas nos Estados Unidos.
Para Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos, o aumento da Selic pressiona o investidor a diminuir sua exposição em bolsa, após fortes trimestres de migração para a renda variável.
Com isso, as solicitações de resgate aumentaram, obrigando fundos e gestoras, principalmente de multimercados, a venderem suas posições, contribuindo para o resultado negativo visto no momento. Confira as taxas do dia:
- Janeiro de 2022: de 8,53% para 8,56%
- Janeiro de 2023: de 12,02% para 12,17%
- Janeiro de 2025: de 11,95% para 12,05%
- Janeiro de 2027: de 11,88% para 11,93%
Sem empurrãozinho
No exterior, as preocupações com a alta da inflação global pressionaram os índices internacionais. O governo dos EUA pediu que grandes economias, como a China, passem a vender os estoques, o que deve derrubar os preços em algum grau e conter o avanço dos indicadores.
Essa não é a única preocupação do mercado internacional. Nos próximos dias, o presidente Joe Biden deve escolher o nome do novo comandante do Federal Reserve, em um momento de apreensão sobre o futuro da política monetária do país. Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação persistente deve antecipar a elevação dos juros no país.
Sobe e desce do Ibovespa
Na China, o minério de ferro caiu mais 4,18% na madrugada desta quinta-feira em Qingdao, na China. No ano, a queda é de 45,61%. Em 4 de janeiro, a commodity era cotada a US$ 160,47 e no fechamento de hoje a US$ 87,27.
Com isso, Vale e siderúrgicas tiveram um dia de fraco desempenho e pesaram sobre a bolsa brasileira. Confira as maiores quedas do dia:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
USIM5 | Usiminas PNA | R$ 12,08 | -5,70% |
CSNA3 | CSN ON | R$ 19,81 | -5,35% |
PRIO3 | PetroRio ON | R$ 22,04 | -4,42% |
BRAP4 | Bradespar PN | R$ 44,93 | -4,32% |
VALE3 | Vale ON | R$ 62,33 | -4,11% |
O principal destaque do dia ficou com a Méliuz, após o Bank of America (BofA) elevar a recomendação dos papéis da companhia para “compra”. Fora do Ibovespa, vale destacar o desempenho das ações da Alliar (AALR3), após mudanças no controle da empresa. Confira as maiores altas do dia:
CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
CASH3 | Méliuz ON | R$ 4,10 | 10,22% |
ALPA4 | Alpargatas PN | R$ 43,03 | 4,95% |
GNDI3 | Intermédica ON | R$ 72,12 | 3,77% |
HAPV3 | Hapvida ON | R$ 13,06 | 3,73% |
QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 17,52 | 3,06% |
*Colaboração Leonardo Milane, sócio e economista da VLGI
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Tony Volpon: Buy the dip
Já que o pessimismo virou o consenso, vou aqui argumentar por que de fato uma recessão é ainda improvável (com uma importante qualificação final)