Dólar se destaca e recua mais de 2%, mas bolsa ganha no saldo do mês ao avançar 6%
Na sessão de hoje, o Orçamento de 2021 e a vacinação em solo nacional continuaram sendo os fatores mais relevantes para o mercado. A bolsa fechou no vermelho enquanto o dólar recuou mais de 2%

Dois elementos principais guiaram os negócios nesta quarta-feira (31): o texto do Orçamento de 2021, que segue para a sanção presidencial, e a perspectiva de aceleração do processo de vacinação no país.
Essa dicotomia levou os ativos a traçarem trajetórias bem específicas. Enquanto o Ibovespa passou o dia pressionado e recuou 0,18%, aos 116.633 pontos, o dólar à vista teve um forte alívio de 2,31%, a R$ 5,6286. No resultado do mês, a coisa muda de figura.
Enquanto o principal índice da bolsa brasileira acumulou uma alta de 6%, a moeda americana valorizou 0,41%, mesmo com as sinalizações fortes de que a taxa básica de juros deve subir em ritmo acelerado. No pior momento do mês, a divisa ultrapassou a casa dos R$ 5,80.
No mercado de juros, os principais contratos chegaram a acompanhar o dólar na parte da manhã, mas acabaram fechando o dia próximos da estabilidade. Além da pressão do risco fiscal, ampliada pelo texto do orçamento e pelo status da pandemia no país, o segmento também foi afetado pela alta dos juros futuros americanos mais longos. Confira as taxas de fechamento do dia:
- Janeiro/2022: de 4,66% para 4,59%
- Janeiro/2023: de 6,42% para 6,41%
- Janeiro/2025: de 8,07% para 8,06%
- Janeiro/2027: de 8,69% para 8,70%
Pressionando para baixo
Desde a sua aprovação, o texto do Orçamento de 2021 tem causado grande desconforto no mercado financeiro, por abrir margem para maquiar gastos e possibilitar as tão temidas pedaladas fiscais.
O ponto número um de preocupação é com relação às despesas obrigatórias, que sofreram um corte de R$ 26,6 bilhões. Assim como toda a equipe econômica, Bruno Funchal, Secretário do Tesouro Nacional, mostrou preocupação com o texto, afirmando que o Governo não encontrou uma solução e haveria um risco de "shutdown" da máquina pública.
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Do outro lado, estão as emendas parlamentares, orçadas em R$ 30 bilhões. Ainda que o relator da pauta, Márcio Bittar, tenha feito alterações no texto encaminhado para o presidente, retirando R$ 10 bilhões em emendas, a conta ainda não fecha e causa desconforto, afinal, são cinco possibilidades de “pedaladas” propostas.
Para o analista da Apollo Investimentos, Victor Benndorf, os problemas do Orçamento de 2021 se arrastam desde a PEC Emergencial, que, em sua opinião, foi “erroneamente aplaudida” pelo mercado financeiro já que além de de furar o teto em R$ 44 bilhões, para o pagamento do auxílio emergencial, também propôs gatilhos de contenção de despesas muito vagos.
“A PEC permitiu ao governo fazer exatamente o que eles fizeram agora com o orçamento - empurrar os gatilhos com a barriga ao reduzir os gastos obrigatórios. Se eles reduzem esses gastos, criam um colchão para manobras parlamentares e no fim das contas continua sendo uma pedalada”.
Aliviando a pressão
O alívio visto no dólar na tarde de hoje foi fruto de uma conjunção de fatores. Primeiro, os investidores reagiram de forma positiva aos sinais do comitê anticrise com relação ao andamento da vacinação contra o coronavírus no país. A notícia é bem recebida, já que no momento o ritmo de imunização no Brasil está abaixo do esperado e as mortes atingem novos recordes, acima da casa dos 3 mil mortos em 24 horas.
O ministro da Saúde afirmou que acredita que o país pode estar vacinando cerca de um milhão de pessoas em abril, mas o cronograma de vacinação proposto pelo seu ministério ainda traz muitas dúvidas. Sem uma previsão de luz no fim do túnel, o mercado reage positivamente a qualquer aceno que mostre uma articulação para melhorar o cenário - papel que vem sendo desempenhado pelos presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco.
O ritmo de vacinação é essencial para sustentar as perspectivas de crescimento para a economia brasileira, e o Congresso quer acelerar a participação da iniciativa privada na compra das doses.
Rodrigo Esper, Chefe da Mesa de Câmbio da Vero Investimentos, aponta que com a visão pessimista que imperou nas últimas semanas, todo mundo que vinha comprando dólar aproveitou esse momento de maior perspectiva para recuar, sendo influenciado também pelo mercado internacional.
Benndorf, da Apollo Investimentos, aponta também que as declarações dadas ontem pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reforçam a leitura de que o Banco Central vai ter que aumentar a Selic a um nível maior do que o anteriormente projetado, já que ele mostrou preocupação com um quadro inflacionário mais elevado. “Um aperto da Selic traz capital estrangeiro e eleva a força do Real, mas ainda não precifica o risco-Brasil, que é alto”.
Pesando os dramas
O Orçamento, sem dúvidas, é um fator de preocupação, já que pressiona o deteriorado quadro fiscal brasileiro. Mas está longe de ser a única pauta a pressionar o risco-Brasil.
Os investidores parecem otimistas com o fortalecimento de Jair Bolsonaro com o Centrão, após a reforma ministerial que mexeu com seis pastas. A leitura é que as pautas relativas à economia, como privatizações e reformas, consigam ganhar o debate nacional. O analista da Apollo Investimentos, no entanto, não vê as coisas dessa forma, já que o movimento mostra um cenário político instável, “bagunçado e fora de controle”.
Outro ponto que acabou sendo coadjuvante na sessão de hoje, mas que tem o seu impacto, foi a repercussão dos novos números sobre o mercado de trabalho brasileiro. Ontem os dados do Caged animaram, mas nesta quarta-feira Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostrou uma taxa de desocupação na casa dos 14,2% no trimestre encerrado em janeiro. Um ano antes, o índice era de 11,2%.
Pacote Biden 2.0
No exterior, a expectativa ficou por conta do pacote de US$ 3 trilhões para o setor de infraestrutura, anunciado pelo presidente Joe Biden no fim da tarde. O tema é polêmico já que para financiar o projeto, o presidente americano espera aumentar os impostos corporativos. Enquanto esperavam, as bolsas americanas oscilaram próximas da estabilidade.
O objetivo é aquecer a economia por meio de obras para a construção de estradas e pontes, ampliação do acesso à internet banda larga, linhas de financiamento para carros elétricos e modernização das redes elétrica e de saneamento básico. Países exportadores de matéria-prima, como o Brasil, devem se beneficiar dessa medida.
As bolsas americanas acabaram tendo um dia misto, pesando também um terceiro lockdown anunciado pelo governo francês. O S&P 500 subiu 0,36% e o Nasdaq 1,54%, mas o Dow Jones recuou 0,26%. Na Europa, o dia também não se firmou em um único sentido.
Sobe e desce
As ações da Equatorial despontam como o principal destaque do dia, após a companhia ganhar o leilão de privatização da distribuidora gaúcha CEEE-D, por R$ 100 milhões.
Já as ações da Cielo dispararam após a aprovação do WhatsApp Pay no país, que terá todas as transações processadas pela companhia. As ações da Cogna chegaram a abrir o dia entre as maiores quedas, mas os papéis inverteram o sinal após o mercado analisar melhor o plano de reestruturação proposto. Confira as maiores altas:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
EQTL3 | Equatorial ON | R$ 24,85 | 8,61% |
CCRO3 | CCR ON | R$ 12,92 | 6,34% |
CIEL3 | Cielo ON | R$ 3,72 | 3,91% |
COGN3 | Cogna ON | R$ 3,99 | 3,37% |
ELET3 | Eletrobras ON | R$ 34,00 | 2,56% |
Depois de um dia de forte alta, as ações das companhias aéreas tiveram um dia de realização de lucros. Enquanto a Cogna ficou com o destaque positivo, os papéis da Yduqs tiveram forte recuo. Confira as maiores quedas do dia:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
YDUQ3 | Yduqs ON | R$ 26,74 | -4,64% |
GOLL4 | Gol PN | R$ 21,54 | -3,54% |
AZUL4 | Azul PN | R$ 37,90 | -2,85% |
SUZB3 | Suzano ON | R$ 68,65 | -2,79% |
LREN3 | Lojas Renner ON | R$ 42,75 | -2,66% |
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