Noticiário negativo tira folga e bolsa aproveita para subir 1,5%, mas cautela com covid-19 persiste no dólar
A votação do Orçamento de 2020 e a ampliação da vacinação nos Estados Unidos foram duas das notícias que ajudaram a impulsionar os mercados nesta quinta-feira

Na falta de notícias que agravassem o delicado cenário político, fiscal e sanitário brasileiro, o mercado financeiro aproveitou a folga para pegar carona na recuperação vista em Nova York e reverter parte das perdas da semana.
Enquanto em Wall Street os principais índices tiveram altas modestas, o Ibovespa conseguiu registrar uma alta de 1,50%, a 113.749 pontos. Mas as coisas não caminharam dessa forma ao longo de todo o dia e a bolsa chegou a recuar mais de 1%.
Pela manhã, o cenário crítico herdado da pandemia e uma agenda econômica recheada de divulgações trouxe grande volatilidade ao mercado. Foi só após o encaminhamento da votação do Orçamento de 2021 (que está atrasado) e o avanço da vacinação dos Estados Unidos que o caminho ficou aberto para uma recuperação mais forte.
A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, explica que a magnitude da alta brasileira é maior porque os tombos sofridos recentemente por aqui também foram maiores. “No Ibovespa nós temos companhias muito boas e sólidas. Quando não tem um noticiário tão negativo, a tendência é que a gente tenha uma recuperação, ainda que o dólar vá em uma tendência distinta.”
E de fato foi isso que ocorreu nesta quinta-feira. Enquanto a bolsa aproveitou para se recuperar, o dólar à vista, como de costume, refletiu a percepção de risco do mercado - e esse movimento foi global. Com a pandemia no radar, a moeda americana subiu 0,55%, a R$ 5,6705.
No mercado de juros também teve um empurrãozinho. Após uma alta acentuada no começo da manhã, os contratos de DI passaram a operar em forte queda. Segundo o analista técnico da Ativa Investimentos, Marcio Lórega, além do noticiário mais ameno, isso ocorre após as taxas atingirem pontos importantes de resistência. Confira as taxas de hoje:
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- Janeiro/2022: de 4,73% para 4,66%
- Janeiro/2023: de 6,62% para 6,40%
- Janeiro/2025: de 8,15% para 8,05%
- Janeiro/2027: de 8,70% para 8,70%
Digerindo números
A movimentação da agenda brasileira começou logo cedo, com a divulgação do IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial. Conforme esperado, o índice avançou 0,93% em março - o maior patamar desde março de 2015. Uma das contribuições mais significativas para a alta do índice foi a alta dos combustíveis, que pressionou o setor de transportes. A pressão inflacionária segue sendo um termômetro para as próximas atuações do Banco Central.
Tivemos também a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação (RTI). No documento, o Banco Central reduziu suas projeções para o Produto Interno Bruto deste ano, passando de 3,8% para 3,6%. No entanto, a expectativa para a inflação foi elevada para 5% em 2021.
De certa forma, os novos números tiveram pouco reflexo no mercado, já que reforçaram as mensagens passadas pela ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, e já estavam precificadas.
Correndo atrás
Com os dados econômicos vindo perto do esperado pelo mercado, o foco em Brasília acabou ficando ainda mais forte. O momento é de tensão: o país ultrapassou a marca oficial de 300 mil mortos pela pandemia do coronavírus e o breve sinal de união entre os Poderes para enfrentar a crise não colou no entre os agentes financeiros.
Algumas declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira, causaram desconforto pela manhã, indicando um possível desalinhamento com o governo federal e a falta de ações concretas. No entanto, o princípio de crise política foi amenizado pelo presidente Jair Bolsonaro.
Mais cedo, o ministro da Economia Paulo Guedes voltou a reforçar a importância da vacinação para a recuperação econômica - ainda que o país sofra com um ritmo lento de imunização e falta de doses.
Mas a única frente que de fato mostrou avanço na capital federal foi a votação do aguardado Orçamento de 2021. A pauta está bem atrasada e está pressionada pela piora da pandemia, mas um acordo provocou a desobstrução do texto na Comissão Mista. A expectativa é que os destaques sejam apreciados e votados ainda hoje e, com a sinalização de poucas obstruções, o mercado passa a ficar mais otimista com o texto final.
Dobrando a meta
A terceira onda do coronavírus que parece ter atingido a Europa foi um fator de influência negativa na primeira metade do pregão. Com mais restrições anunciadas, as bolsas do continente operaram boa parte do dia no vermelho, mas acabaram reduzindo a queda na reta final das negociações.
Em Wall Street, o dia também começou tenso, passou por um período de intensa volatilidade, mas as bolsas conseguiram se firmar em alta após a entrevista coletiva do presidente Joe Biden. O democrata, que tinha como meta aplicar 100 milhões de doses nos seus 100 primeiros dias de governo, anunciou que irá dobrar a meta, já que a previsão inicial já foi batida. Agora o país espera aplicar 200 milhões de doses no mesmo prazo, o que permite que muitos estados iniciem a vacinação de adultos maiores de 18 anos já em abril.
O Dow Jones fechou o dia com alta de 0,62%, o S&P 500 avançou 0,52% e o Nasdaq encerrou o dia com leve avanço de 0,12%. Antes da “injeção de ânimo” dada por Biden, os investidores estavam atentos não só ao desdobramento da terceira onda do coronavírus, mas também a uma deterioração nas relações entre Estados Unidos e China e preocupações com a interrupção na cadeia global de abastecimento. Ontem, um navio gigantesco, do tamanho aproximado do Empire State Building, encalhou no Canal de Suez, uma das principais passagens comerciais do planeta. No momento, mais de 180 navios estão esperando a resolução do problema para seguir viagem.
Sobe e desce
Ao contrário do inicialmente esperado, a indicação de Rodrigo Limp Nascimento para substituir Wilson Ferreira Júnior na Eletrobras não pesou sobre as ações da companhia. Muito pelo contrário. A escolha foi bem recebida pelo mercado, que embora veja problemas na forma como a indicação foi feita, também vê a seleção com bons olhos, já que Nascimento aparenta ter um currículo técnico e perfil pró-privatizações.
O setor elétrico, que subiu em bloco na sessão de hoje, também repercutiu o balanço do quarto trimestre de 2020 da Equatorial. Além de números fortes, o mercado também se empolgou com a perspectiva de uma forte atuação no setor de fusões e aquisições. Confira as maiores altas do dia:
CÓDIGO | NOME | VALOR (R$) | VARIAÇÃO |
EQTL3 | Equatorial ON | 22,48 | 6,95% |
PCAR3 | GPA ON | 29,66 | 5,25% |
VVAR3 | Via Varejo ON | 12,04 | 5,24% |
ENGI11 | Engie units | 44,00 | 5,11% |
ELET3 | Eletrobras ON | 33,89 | 4,96% |
Com a recuperação do Ibovespa, poucas empresas ficaram no vermelho na sessão desta quinta-feira (25). O setor de commodities teve mais um dia negativo para a conta, puxado pelo minério de ferro na China. O pior desempenho ficou com as ações da SulAmérica (SULA11). A companhia vem de uma semana de queda, com o peso do agravamento da pandemia no país e um movimento de realização de lucros. Confira as maiores quedas do índice:
CÓDIGO | NOME | VALOR (R$) | VARIAÇÃO |
SULA11 | SulAmérica units | 36,91 | -2,82% |
CCRO3 | CCR ON | 12,04 | -2,11% |
BEEF3 | Minerva ON | 9,80 | -1,51% |
ECOR3 | Ecorodovias ON | 11,14 | -1,42% |
VALE3 | Vale ON | 92,44 | -0,76% |
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