Auxílio Brasil fora do teto de gastos apavora Ibovespa, e índice perde quase 4 mil pontos; dólar e juros disparam
O ministério da Cidadania chegou a anunciar um evento para lançar o novo programa social, mas com a bolsa indo abaixo dos 110 mil pontos, a festa não teve clima para continuar. O anúncio foi cancelado por ora, mas vai ser preciso mais do que isso para tranquilizar o mercado

Hoje o Ibovespa viveu um dia sangrento, muito semelhante aos jogos macabros da série-fenômeno que turbinou o balanço da Netflix no terceiro trimestre - e o saldo foi uma queda de quase quatro mil pontos em uma única rodada.
No exterior, o dia foi ameno, mas dentro de casa a coisa complicou antes mesmo de o pregão começar. A notícia de que o governo federal encontrou uma manobra para fazer o Auxílio Brasil, pretenso substituto do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial, caber no Orçamento irritou bastante os investidores.
Diferentemente do que era esperado pelo mercado, o pagamento do novo programa seria de R$ 400 por mês, sendo que R$ 100 de cada parcela ficariam fora do teto de gastos. Os recursos extras viriam dos R$ 89 bilhões que devem sobrar após a aprovação da PEC dos precatórios e da aprovação da reforma do imposto de renda.
Um desfecho para a PEC dos precatórios era esperado para hoje, mas foi adiado. O relator da proposta do imposto de renda, Angelo Coronel, avisou que não dá para fazer o relatório sob pressão e “na pressa que eles querem”. Ou seja: o dia se passou com o temor de que o governo arrumasse mais uma dívida sem ter como se financiar.
O ministério da Cidadania chegou a anunciar um evento para lançar o novo programa social, mas com a bolsa indo abaixo dos 110 mil pontos, a festa não teve clima para continuar. O anúncio foi cancelado por ora, mas vai ser preciso mais do que isso para o mercado se tranquilizar.
O Ibovespa se afastou das mínimas, mas ainda fechou o dia em queda de 3,28%, aos 110.672 pontos. O dólar à vista subiu 1,33%, a R$ 5,5938, mais uma vez passando imune aos esforços do Banco Central, que vem atuando no mercado de câmbio. A deterioração da confiança também foi sentida nos juros futuros, que dispararam durante a sessão.
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As contas públicas são monitoradas, assim como a movimentação no ministério da Economia, já que o mercado teme novas baixas na equipe técnica do ministro Paulo Guedes.
O Banco Central segue tentando segurar o câmbio, mas até agora a estratégia não tem surtido o efeito desejado. Enquanto a maior parte das moedas de países emergentes continuam se apreciando, o real segue com performance negativa ante a moeda americana.
Os leilões de dólares, no entanto, ainda estão na mesa. E amanhã serão mais três: um tradicional de swap cambial, um de rolagem para overhedge e um extra. Desses, dois são para injetar recursos novos no mercado. Confira os fechamentos dos principais contratos de DI:
- Janeiro de 2022: de 7,39% para 7,57%
- Janeiro de 2023: de 9,44% para 9,80%
- Janeiro de 2025: de 10,36% para 10,82%
- Janeiro de 2027: de 10,71% para 11,14%
Futuro incerto
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já se declarou favorável aos gastos em detrimento das regras fiscais, o que pode facilitar os planos de Bolsonaro para as eleições do ano que vem. Por outro lado, o mercado deve seguir pressionado com as constantes ameaças ao teto de gastos.
Para Alexandre Almeida, economista da CM Capital, a perspectiva para os próximos meses segue bem ruim, principalmente quando o principal projeto do governo federal segue sem uma clareza. Almeida aposta que a incerteza e a volatilidade devem seguir em alta enquanto não for apresentado um projeto concreto, com valores, montantes, possíveis fontes de financiamento e se o auxílio emergencial, atualmente em vigor, seguirá existindo.
Sem carona
Enquanto os ativos domésticos sucumbiram com o peso de mais incertezas fiscais, o exterior viveu mais um dia positivo. Ontem os investidores olharam para dados macroeconômicos piores do que o esperado, mas hoje o foco voltou a ser a temporada de balanços.
As companhias americanas seguiram apresentando resultados acima do esperado, indicando uma recuperação mais robusta no terceiro trimestre, o que levou as bolsas americanas a apresentarem ganhos, se refletiu na Europa e fez com que os índices asiáticos fechassem em alta durante a madrugada.
- Nasdaq: 0,71% - 15.129 pontos
- S&P 500: 0,74% - 4.519 pontos
- Dow Jones: 0,56% - 35.480 pontos.
Sobe e desce do Ibovespa
Com o mau humor generalizado, apenas a Getnet (GETT11) conseguiu um desempenho positivo expressivo nesta terça-feira (19) - e com louvor. Ainda repercutindo as perspectivas positivas do mercado para a companhia após a cisão do Santander (SANB11), a empresa subiu mais 17%. Confira as duas únicas altas do dia:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VAR |
GETT11 | Getnet units | R$ 9,10 | 17,88% |
AMER3 | Americanas S.A | R$ 39,16 | 0,23% |
Enquanto a Getnet disparava, a Cielo tinha mais um dia complicado. Para Marcio Lórega, gerente de research do Pagbank, a chegada da Getnet à bolsa também aprofunda uma precificação dos problemas enfrentados pela Cielo. E isso já é feito há algum tempo. Em 2021, a ação da companhia acumula queda de quase 40%. Confira as maiores quedas do dia:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
AZUL4 | Azul PN | R$ 31,08 | -9,55% |
CIEL3 | Cielo ON | R$ 2,38 | -8,81% |
CASH3 | Méliuz ON | R$ 4,43 | -8,47% |
YDUQ3 | Yduqs ON | R$ 25,00 | -7,44% |
CYRE3 | Cyrela ON | R$ 16,95 | -6,92% |
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