Ibovespa emplaca alta de 2% em semana dominada por Copom, juros e inflação; dólar recua a R$ 5,61
Ainda não acabou! O olhar dos investidores deve seguir focado nas decisões de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos, mas com o noticiário mais calmo, o Ibovespa continua se recuperando do mergulho recente

Na semana em que o Banco Central brasileiro elevou o tom para mostrar compromisso na perseguição da meta de inflação do próximo ano, mesmo diante de uma atividade econômica mais fraca, os juros futuros terminaram a sexta-feira em queda.
A razão para a virada de mão rápida por parte dos investidores está nos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje. A inflação oficial veio abaixo das expectativas do mercado e deu sinais de que está, de fato, engatando uma desaceleração. Em novembro, o índice avançou 0,95%, contra as estimativas de alta de 1,10%, registrando um acúmulo de 10,74% em 12 meses.
Segundo Alexandre Almeida, economista da CM Capital, o IPCA de novembro mostra que houve uma desaceleração maior em itens mais correlacionados com a atividade econômica e que componentes menos impactados pela política monetária - como combustíveis e o grupo de transporte - atuam como vilões. A expectativa é de que a inflação acumulada comece a ter uma queda mais acentuada em dezembro.
Embora o tom mais duro do Copom no comunicado da última quarta-feira ainda reverbere, os investidores já começam a apostar que é possível encerrar o ciclo de alta antes do previsto inicialmente.
O fechamento da curva de juros influenciou a bolsa, e o Ibovespa conseguiu emplacar uma alta de 1,38% hoje, aos 107.758 pontos. Na semana, o avanço foi de 2,56%.
Se por aqui a surpresa com a inflação foi positiva, nos Estados Unidos o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) superou as projeções, indo ao nível mais alto em quase 40 anos e reforçando as apostas para uma elevação de juros no país já nos primeiros meses de 2022.
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Ainda que as bolsas em Wall Street tenham fechado o dia em alta, a busca por dólar e ativos do Tesouro americano foi impulsionada. O dólar à vista avançou 0,72%, a R$ 5,6140 hoje, mas acumulou queda de 1,16% na semana.
A atenção aos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos não é página virada. Na semana que vem os investidores terão três eventos importantes.
A ata da última reunião do Copom deve dar mais detalhes sobre a condução da política monetária brasileira, enquanto a decisão do Federal Reserve trará as projeções dos dirigentes para juros e dados macroeconômicos para os próximos anos. Para finalizar, temos o Relatório Trimestral de Inflação no Brasil.
De olho no Fed
Na semana que vem acontece a reunião do Fomc nos EUA, o equivalente ao Copom no Brasil, em que o Federal Reserve deve dar maiores detalhes sobre o tapering, a retirada de estímulos da economia dos Estados Unidos.
A expectativa é de que o presidente do Banco Central americano, Jerome Powell, anuncie não apenas a redução de estímulos, mas também uma possível alta nos juros ainda no primeiro semestre de 2022. Hoje o CPI, um dos indicadores de inflação observados pela autoridade monetária, mostrou avanço de 0,8%, ligeiramente acima da projeção de 0,7%.
Powell dispensou o discurso de inflação transitória nos EUA e já considera tomar medidas mais duras para conter a alta de preços, e os investidores devem acompanhar e ajustar suas carteiras ao novo momento de retirada de estímulos e juros mais elevados.
A última reunião do ano também trará a divulgação do famoso gráfico de projeções dos membros votantes do Fed, o que deve dar mais sinais sobre o que esperar de 2022.
Luz no fim do túnel?
A variante ômicron do coronavírus já foi identificada em mais de 50 países, mas os mercados globais estão mais tranquilos quanto ao impacto da nova mutação, já que, até o momento, os estudos preliminares indicam que ela é menos letal, ainda que mais transmissível.
A tranquilidade dos investidores ganhou força com as palavras de executivos da Pfizer e da Moderna, que afirmaram que doses adicionais dos seus imunizantes contra a covid-19 conseguem neutralizar a nova variante.
Sobe e desce do Ibovespa
Com as notícias mais positivas sobre a variante ômicron, as ações ligadas ao setor de aviação encontraram forças para recuperar parte das perdas recentes.
O alívio nos juros futuros abriu espaço para que empresas do setor de tecnologia também passassem por correção. O Banco Pan (BPAN4), no entanto, contou com um empurrãozinho do IPO do Nubank. Com o banco digital avaliado em mais de US$ 40 bilhões, outros players do setor também passam por uma reprecificação.
Confira as maiores altas da semana:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO SEMANAL |
GOLL4 | Gol PN | R$ 19,20 | 26,57% |
COGN3 | Cogna ON | R$ 2,90 | 16,94% |
BPAN4 | Banco Pan PN | R$ 13,48 | 16,61% |
LWSA3 | Locaweb ON | R$ 14,86 | 16,55% |
AZUL4 | Azul PN | R$ 25,88 | 15,38% |
O ambiente desfavorável para as empresas de varejo eletrônico continua, e o Magazine Luiza ficou mais uma vez com a lanterna da tabela. Confira também as maiores quedas da semana:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO SEMANAL |
MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 6,37 | -9,65% |
CPFE3 | CPFL Energia ON | R$ 26,48 | -5,06% |
SANB11 | Santander Brasil units | R$ 31,96 | -5,05% |
TIMS3 | Tim ON | R$ 13,24 | -3,85% |
ITUB4 | Itaú Unibanco PN | R$ 22,16 | -3,57% |
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