‘A batalha foi vencida, mas a luta continua’: MP da Eletrobras passa no Senado, mas obstáculos até a privatização não acabaram
O texto volta agora para a Câmara e deve ser votado na segunda-feira. Embora os analistas não vejam obstáculos nessa etapa, os próximos meses podem trazer novos atritos

Do favoritismo às cordas, seguidos de gritos de ‘já perdeu’ para, no fim, alcançar a vitória por uma margem estreita. Esse é um bom resumo da trajetória das negociações no Senado para a aprovação da Medida Provisória 1.301/2021 que abre caminho para a privatização da Eletrobras - e um resumo do desempenho das ações, que recuaram forte com os entraves em Brasília.
Os momentos finais dessa luta foram simplesmente alucinantes. O relator do tema, o senador Marcos Rogério, apresentou três versões do texto ao Senado em 24 horas. Isso porque houve grande disputa em torno dos ‘jabutis’ - emendas estranhas ao texto original e que, dentre outras coisas, poderiam levar a um aumento do custo da energia em um momento delicado, com a inflação em alta e uma crise hídrica no horizonte, o que por si só já pressiona os preços das tarifas.
A vitória foi apertada - 42 votos a favor e 37 contra, longe do amplo favoritismo mostrado na Câmara dos Deputados (313 a favor e 166 contra) - e trouxe alterações importantes ao texto original, mas o obstáculo foi vencido. Na visão dos analistas, esse é um passo “gigantesco” na caminhada até a privatização.
Para a maior parte do mercado (e até mesmo o CEO da estatal), a diluição da participação da União no capital da companhia é essencial para que a empresa se torne mais eficiente, competitiva, aumente os seus investimentos na melhoria da matriz energética e resolva questões de governança que hoje limitam a atuação da Eletrobras. É importante destacar também que a capitalização é uma importante vitória para o governo, que luta para manter viva e aprovar a sua agenda liberal.
Agora, passada a confusão no Senado, o texto será novamente encaminhado para a Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Arthur Lira, já se comprometeu a pautar a votação na próxima segunda-feira (21), véspera do prazo limite para apreciação da MP. Para João Pimentel e Gisele Gushiken, analistas do BTG Pactual, “a batalha foi vencida, mas a luta continua”, uma visão compartilhada pela grande maioria dos especialistas já que obstáculos podem aparecer nos próximos meses.
Depois de sofrer com os golpes vindos de Brasília, hoje as ações da Eletrobras sobem forte, em um movimento de recuperação. Por volta das 15h30, as ações PN (ELET6) da companhia subiam 7,14%, a R$ 46,37. Já os papéis ON (ELET3) avançavam R$ 46,61.
Leia Também
As mudanças no texto
Nos últimos dias, foram muitas idas e vindas. Para a Ajax Capital, a principal alteração do texto foi a ampliação de 6.000 para 8.000 MW do volume obrigatório de térmicas movidas a gás, que deverão ser implantadas após a privatização e a inclusão do Sudeste entre as regiões que receberão as termelétricas.
Mesmo com as mudanças propostas, alguns dos pontos mais caros ao mercado foram preservados, como o formato de capitalização, a limitação de direitos de voto e a extinção do modelo de cotas, o que mantém o viés positivo do texto.

Os analistas do Credit Suisse, Bank of America e do BTG Pactual estão otimistas e acreditam que o texto deve passar com facilidade pela Câmara. A expectativa é de que o processo seja concluído no primeiro trimestre de 2022, mas não sem mais briga. Com a proximidade das eleições de 2022, mais atritos podem surgir.
Por enquanto, o cronograma é o seguinte: depois de aprovado no Congresso, o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), que cuida do processo de capitalização, deve analisar o processo até julho. Na sequência, a capacidade das usinas hidrelétricas da Eletrobras deve ser revisada. Em setembro, o mercado deve ter uma dimensão dos números finais das taxas de concessão. As etapas finais do processo ficam para o começo de 2022.
Em janeiro, os acionistas devem votar o tema e o Tribunal de Contas da União deve aprovar a auditoria final. A oferta de ações que diluirá a participação do governo federal deve ocorrer em fevereiro.
Para o BTG, ainda existem muitas incertezas até o “Dia D da privatização", como contestações do TCU, possíveis ações judiciais e modelagem do processo. “Se houver atrasos, corremos o risco de a privatização ser aprovada no meio da corrida eleitoral", apontam os analistas.
“Apesar de alguns pontos desagradáveis na MP, como as obrigações de expansão de capacidade, vemos a privatização como um passo muito positivo já que traz uma melhor dinâmica para os preços de energia (principalmente com o mercado regulado) e menor percepção de risco para o setor.”
- Bank of America
Carolina Carneiro e Rafael Nagano, analistas do Credit Suisse, também estão otimistas, mas acreditam que os subsídios para a redução dos preços ao consumidor podem acabar tendo um impacto negativo na alocação de capital e no futuro da matriz energética, o que impactaria todos os players do segmento.
Quanto vale a ELET?
Antes de o tema ser votado no Congresso, eu consultei diversos analistas que indicavam que o papel poderia chegar à casa dos R$ 60 com a privatização. Essa parece ser uma estimativa compartilhada com os principais bancos que acompanham o papel.
Na visão do Bank of America, a privatização nos termos preliminares, como o aprovado no Senado, tem o potencial de elevar o preço-alvo da companhia dos atuais R$ 47 para R$ 64. Mesmo que a privatização não saia, o BofA ainda enxerga um potencial de alta de 10% para os papéis com base no fechamento de ontem (R$ 43,28) e tem recomendação de compra. O BTG também mantém a mesma posição, com um preço-alvo de R$ 67 para os próximos 12 meses.
Atualmente, o Credit Suisse sustenta uma recomendação neutra para os papéis, com um preço-alvo de R$ 45, mas os analistas apontam que as ações podem chegar a R$ 65 com a privatização.
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita
Guido Mantega na Eletrobras (ELET3): governo indica ex-ministro da Fazenda para conselho fiscal, dizem agências
No dia anterior, a companhia e a União assinaram um termo de conciliação que limita o poder de voto dos acionistas a 10%
Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%
O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje
Esporte radical na bolsa: Ibovespa sobe em dia de IPCA-15, relatório do Banco Central e coletiva de Galípolo
Galípolo concederá entrevista coletiva no fim da manhã, depois da apresentação do Relatório de Política Monetária do BC
Rodolfo Amstalden: Buy the dip, e leve um hedge de brinde
Para o investidor brasileiro, o “buy the dip” não só sustenta uma razão própria como pode funcionar também como instrumento de diversificação, especialmente quando associado às tecnologias de ponta
Eletrobras (ELET3) e União dão mais um passo em acordo ao assinar termo que limita poder de voto dos acionistas a 10%
O entendimento ainda será submetido à assembleia geral de acionistas, a ser convocada pela companhia, e à homologação pelo Supremo Tribunal Federal
Ato falho relevante: Ibovespa tenta manter tom positivo em meio a incertezas com tarifas ‘recíprocas’ de Trump
Na véspera, teor da ata do Copom animou os investidores brasileiros, que fizeram a bolsa subir e o dólar cair
Dólar atinge o menor patamar desde novembro de 2024: veja como buscar lucros com a oscilação da moeda
A recente queda do dólar pode abrir oportunidades estratégicas para investidores atentos; descubra uma forma inteligente de expor seu capital neste momento