Superávit primário de R$ 15 bilhões surpreende, e Ibovespa chega a subir mais de 1% no último pregão do ano; dólar cai mais de 2%, para R$ 5,57
Impulsionado pelo resultado das contas públicas em novembro, o Ibovespa recupera parte das perdas acumuladas na semana

No início do fim da última semana do ano, não restam mais dúvidas de que o Ibovespa não se classificou para participar do rali de ano novo. Na verdade, a pergunta a ser respondida durante o pregão desta quinta-feira (30) é: qual será o tamanho do tombo do principal índice acionário brasileiro em 2021?
Por enquanto, a surpresa com o superávit primário de R$ 15 bilhões nas contas públicas em novembro impulsiona o desempenho e ajuda a aliviar parte da queda anual de 12,53% acumulada até ontem. Perto das 17h, o Ibovespa avançava 0,92%, a 105.965 pontos.
O resultado acima das expectativas dos analistas também ajudou a segurar o dólar à vista, que, após iniciar o dia em alta, inverteu o sinal e recuou 2,06%, a R$ 5,5759, fechando dezembro com baixa de 1,06%, mas acumulando uma alta de 7,46% no ano.
O alívio do dólar e o otimismo com as contas públicas ajudou a tirar pressão de toda a curva de juros, que fecharam com sinais mistos nesta quinta. Ainda assim, os juros futuros, tanto os mais curtos quanto os mais longos, viram uma forte alta em 2021, o que pesou sobre a renda variável e alguns ativos de renda fixa.
Veja o desempenho dos principais vencimentos de contratos futuros de DI hoje:
- Janeiro/2023: de 11,821% para 11,795%;
- Janeiro/2025: de 10,692% para 10,60%;
- Janeiro/2027: de 10,591% para 10,61%.
O dia é novamente marcado pela alta volatilidade e ainda pesam sobre o local os mesmos dois fatores que atrapalharam o dia anterior: volumes de negociação tradicionalmente fracos em todos os mercados, como é típico desta época do ano, e a variante ômicron do coronavírus.
Leia Também
Esta última, aliás, também tem chovido nas festas pré-Réveillon de quase todas as principais bolsas mundiais. Ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a potencial piora no quadro da pandemia com a nova cepa, mais contagiosa, e o seu convívio com a variante delta.
Na Ásia, as bolsas até começaram a semana bem, mas encerraram o dia sem direção única graças às incertezas trazidas pela ômicron. Já no continente europeu as principais fecharam sem sinal único, pelo avanço da covid-19 na região, mas o índice pan-europeu Stoxx 600 conseguiu garantir uma leve alta de 0,15%.
Em Nova York, os três principais índices começaram o dia em alta, mas foram perdendo força ao longo do dia. Há pouco, o Dow Jones avançava 0,05%, o S&P 500 subia 0,08% e o Nasdaq tinha ganho de 0,31%.
Ômicron e delta: ameaças gêmeas
Às vésperas da chegada de 2022, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou o mundo que a circulação simultânea das variantes delta e ômicron podem provocar um tsunami de casos de covid-19.
“Delta e Ômicron são ameaças gêmeas que estão elevando os casos a números recordes, o que, mais uma vez, causa picos nas hospitalizações e mortes”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
A França voltou a renovar o recorde diário no volume de infecções, com 208 mil novos casos. Outros países como Estados Unidos, Itália e Reino Unido também seguem com picos na quantidade de casos, elevando o número de registros semanais da doença para 1 milhão de novas infecções em todo o mundo.
As autoridades da OMS reconheceram também que a situação da pandemia de covid-19 no Brasil está melhor, mas alertaram que o país não está livre de novas ondas de casos.
Evergrande volta a dar calote
Na China, os principais índices do país avançaram em bloco apesar de um novo calote da Evergrande, cuja dívida tem provocado um efeito em cadeia no mercado imobiliário chinês.
A incorporadora despencou 9,09% após deixar de pagar juros de dois títulos que venceram na terça-feira (28). Mas, apesar do calote, a empresa informou ter retomado 91,7% de seus projetos imobiliários na região.
Em meio à situação desafiadora, o governo chinês segue tranquilizando o mercado com garantias sobre empréstimos à economia real para apoiar o crescimento do país, o que ajuda a equilibrar o cenário e garantiu a alta das bolsas.
Debandada dos servidores
No cenário político, as discussões sobre o Orçamento, em especial no que diz respeito ao reajuste dos servidores, estão mais uma vez no foco do noticiário local.
Mesmo após o presidente Jair Bolsonaro voltar atrás em seu aceno de um possível aumento de salário aos policiais federais, uma de suas bases eleitorais, as tensões seguem em alta entre os servidores.
Mais de 700 delegados do órgão entregaram seus cargos em todo o país. A ausência das chefias já é sentida em todas as áreas da Receita, mas afeta especialmente as alfândegas, portos e aeroportos. O sindicato do Banco Central também já avisou que funcionários devem começar a entregar cargos de liderança na próxima segunda-feira (3).
Além disso, o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) aprovou ontem um calendário de mobilização de servidores que inclui uma paralisação em 18 de janeiro e assembleias no mês seguinte para deliberar sobre uma greve geral.
Contas públicas
Por aqui, a agenda econômica traz apenas uma novidade para os investidores: o relatório do Banco Central com dados consolidados sobre o setor público em novembro.
E é uma novidade positiva, pois, com a ajuda dos resultados do caixa azul no governo central, estados e municípios, o superávit primário de R$ 15 bilhões superou (de longe) a previsão dos analistas. Os especialistas consultados pela Broadcast, por exemplo, previam que o saldo positivo chegaria a, no máximo, R$ 9,5 bilhões.
Esse também é o melhor resultado para um mês de novembro desde 2013, quando as contas fecharam com R$ 29,7 bilhões de sobra.
Sobe e desce
Confira as maiores altas do dia:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
CASH3 | Méliuz ON | R$ 3,27 | +8,64% |
MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 7,24 | +7,10% |
CIEL3 | Cielo ON | R$ 2,29 | +6,87% |
SULA11 | SulAmérica unit | R$ 27,39 | +6,45% |
LWSA3 | Locaweb ON | R$ 13,25 | +5,92% |
Confira também as maiores quedas do dia:
CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
MRFG3 | Marfrig ON | R$ 22,23 | -3,01% |
ITUB4 | Itaú Unibanco PN | R$ 21,04 | -1,22% |
PETR3 | Petrobras ON | R$ 30,68 | -0,87% |
SANB11 | Santander unit | R$ 30,14 | -0,82% |
ITSA4 | Itaúsa PN | R$ 8,96 | -0,78% |
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
China lança primeiro título soberano verde em yuans no exterior
O volume total de subscrições alcançou 41,58 bilhões de yuans, superando em quase sete vezes o valor inicial da oferta
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
As tarifas de Trump: entenda os principais pontos do anúncio de hoje nos EUA e os impactos para o Brasil
O presidente norte-americano finalmente apresentou o plano tarifário e o Seu Dinheiro reuniu tudo o que você precisa saber sobre esse anúncio tão aguardado pelo mercado e pelos governos; confira
Elon Musk fora da Casa Branca? Trump teria confirmado a saída do bilionário do governo nas próximas semanas, segundo site
Ações da Tesla sobem 5% após o Politico reportar que o presidente dos EUA afirmou a aliados sobre a mudança no alto escalão da Casa Branca
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Assembleia do GPA (PCAR3) ganha apoio de peso e ações sobem 25%: Casino e Iabrudi sinalizam que também querem mudanças no conselho
Juntos, os acionistas somam quase 30% de participação no grupo e são importantes para aprovar ou recusar as propostas feitas pelo fundo controlado por Tanure
Trump-palooza: Alta tensão com tarifaço dos EUA força cautela nas bolsas internacionais e afeta Ibovespa
Donald Trump vai detalhar no fim da tarde de hoje o que chama de tarifas “recíprocas” contra países que “maltratam” os EUA
O Brasil pode ser atingido pelas tarifas de Trump? Veja os riscos que o País corre após o Dia da Libertação dos EUA
O presidente norte-americano deve anunciar nesta quarta-feira (2) as taxas contra parceiros comerciais; entenda os riscos que o Brasil corre com o tarifaço do republicano
O Super Bowl das tarifas de Trump: o que pode acontecer a partir de agora e quem está na mira do anúncio de hoje — não é só a China
A expectativa é de que a Casa Branca divulgue oficialmente os detalhes da taxação às 17h (de Brasília). O Seu Dinheiro ouviu especialistas para saber o que está em jogo.
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Adeus, Ibovespa: as ações que se despedem do índice em maio e quem entra no lugar, segundo a primeira prévia divulgada pela B3
A nova carteira passa a valer a partir do dia 5 de maio e ainda deve passar por duas atualizações preliminares
Trump preocupa mais do que fiscal no Brasil: Rodolfo Amstalden, sócio da Empiricus, escolhe suas ações vitoriosas em meio aos riscos
No episódio do podcast Touros e Ursos desta semana, o sócio-fundador da Empiricus, Rodolfo Amstalden, fala sobre a alta surpreendente do Ibovespa no primeiro trimestre e quais são os riscos que podem frear a bolsa brasileira
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como