Ibovespa ignora bom humor internacional e cede com cenário político-fiscal tumultuado; dólar sobe e juros disparam
O dia pode até ser de recuperação em Wall Street, mas o Ibovespa cede com o peso dos problemas domésticos

A semana que passou ficou marcada pela cautela tanto no Brasil quanto no exterior. Mas enquanto a segunda-feira (23) começa em tom de recuperação lá fora, o Ibovespa segue sentindo a pressão do complicado cenário doméstico.
Por volta das 16h30, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,35%, aos 117.633 pontos. O dólar à vista também vai na contramão do movimento visto no exterior e tem alta de 0,04%, a R$ 5,3870.
Embora a sexta-feira tenha terminado em um tom positivo na B3, as coisas devem esquentar nos próximos dias. O mercado financeiro deve repercutir hoje a intensificação da crise política em Brasília e a tensão antes de uma nova tentativa de aprovar a reforma do imposto de renda.
A semana passada terminou com o presidente Jair Bolsonaro realizando mais uma ofensiva contra o Judiciário. Dessa vez, o presidente encaminhou ao Senado um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
E nesta manhã um novo elemento adicionou ainda mais cautela ao cenário. Em reunião realizada nesta manhã, cerca de 20 governadores, liderados por João Doria, do estado de São Paulo, buscam criar uma frente em defesa da democracia. O objetivo é se colocar contra as frequentes ameaças feitas pelo presidente Jair Bolsonaro.
Já a reforma do imposto de renda, que vem sendo adiada há quase três semanas, deve ter um novo parecer apresentado amanhã. A expectativa é que a votação ocorra nos próximos dias. Com a crise institucional falando mais alto, o mercado de juros também fica pressionado e opera em alta. Confira:
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- Janeiro/22: de 6,69% para 6,74%
- Janeiro/23: de 8,40% para 8,54%
- Janeiro/25: de 9,56% para 9,76%
- Janeiro/27: de 10,01% para 10,20%
Mercado em recuperação
Em Wall Street, o dia é de recuperação. As bolsas americanas renovaram suas máximas após dados divulgados pela manhã mais uma vez descartarem a possibilidade de um superaquecimento da economia.
Englobando os setores industrial e de serviços, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto caiu de 59,9 em julho para 55,4 em agosto. Esse é o menor nível do indicar em oito meses, bem abaixo do esperado pelos analistas.
O PMI industrial recuou de 63,4 para 61,2. Já o setor de serviços caiu de 59,4 para 55,2, bem abaixo dos 59,4 projetados.
Sobe e desce do Ibovespa
As ações da Embraer são o grande destaque do dia, após a companhia firmar mais um acordo com a sua subsidiária Eve, de mobilidade urbana.
Depois dos deslizes da semana passada, o petróleo opera em alta, o que beneficia os papéis das petroleiras brasileiras. Confira as maiores altas do dia:
CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
EMBR3 | Embraer ON | R$ 21,01 | 5,74% |
PRIO3 | PetroRio ON | R$ 18,78 | 4,16% |
CVCB3 | CVC ON | R$ 20,53 | 3,53% |
PETR3 | Petrobras ON | R$ 28,01 | 3,17% |
AZUL4 | Azul PN | R$ 37,24 | 3,07% |
Confira também as maiores quedas:
CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
LAME4 | Lojas Americanas PN | R$ 5,32 | -4,83% |
LCAM3 | Locamérica ON | R$ 25,22 | -4,03% |
ENEV3 | Eneva ON | R$ 15,73 | -3,97% |
RENT3 | Localiza ON | R$ 56,58 | -3,66% |
MRVE3 | MRV ON | R$ 12,42 | -3,42% |
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Não dá pra saber exatamente quando vai se dar o movimento. O que temos de informação neste momento é que há uma enorme demanda reprimida por Brasil. E essa talvez seja uma informação suficiente.