Texto da PEC dos precatórios tira Ibovespa das mínimas, mas bolsa segue em queda de 3%; dólar e juros seguem pressionados
Com os investidores de cabelo em pé e de olho nas contas públicas, o dia abre no vermelho no Ibovespa, com dólar e juros disparando em direção às máximas

Se você esperava uma quinta-feira (21) menos turbulenta, sinto em dizer que, pelo menos no Brasil, não vai ser esse o caso. Na verdade, o dia que não foi bom e caminha para mais uma sessão sangrenta, mas não tão ruim quanto poderia ter sido.
A leve alta do Ibovespa ontem não convenceu e hoje o cenário doméstico se encontra ainda mais deteriorado. Se a coletiva do ministro da Cidadania não trouxe detalhes sobre o que o mercado pode esperar para o Auxílio Brasil, o ministro Paulo Guedes deixou as coisas mais claras, mas passou longe de agradar.
Em participação em eventos na noite de ontem, Guedes admitiu a possibilidade de que o teto de gastos seja furado para pagar o valor de R$ 400 imposto pela ala política do governo. A ‘licença para gastar’ é a última coisa que o mercado financeiro gostaria de ouvir no pós-pandemia, principalmente em um governo que tenta contornar a queda da popularidade no ano que antecede eleições por meio de medidas populistas.
As falas do ministro Paulo Guedes ainda reverberam, mas durante a tarde quem causou mal estar foi o próprio presidente Jair Bolsonaro, ao afirmar que atenderá a demanda feita pelos caminhoneiros e ajudar a 'compensar' a alta do preço do diesel para evitar uma possível paralisação.
Também não devemos nos esquecer que a inflação dos últimos 12 meses segue em patamares elevados e que logo os Estados Unidos devem reduzir o seu programa de estímulos e, quem sabe, até mesmo elevar os juros já no próximo ano.
Leia Também
Com os investidores de cabelo em pé e de olho nas contas públicas, o dia abriu no vermelho e foi renovando seguidas mínimas. Só que a leitura do relatório da PEC dos precatórios aliviou a situação. O documento propõe uma correção no valor do teto de gastos, adiantando o que só deveria ocorrer em 2026.
A confiança do mercado segue abalada, mas a bolsa conseguiu algum respiro. Por volta das 16h, o Ibovespa recuava 2,85%, aos 107.634 pontos. O dólar à vista, que chegou a encostar em R$ 5,70, sobe 1,82%, a R$ 5,6613.
O mercado de juros futuros é um retrato do estresse e da elevação do risco Brasil nos últimos dias, com as taxas renovando máximas e pesando sobre os negócios.
O mercado entende que o Banco Central deve agir por meio da política monetária para segurar os danos, mas a medida deve ter impacto nas projeções de crescimento para os próximos anos. As Opções de Copom, negociadas na B3, mostram que muitos já esperam uma atitude mais dura já na próxima reunião.
- Janeiro de 2022: de 7,74% para 7,94%
- Janeiro de 2023: de 10,16% para 10,50%
- Janeiro de 2025: de 11,14% para 11,44%
- Janeiro de 2027: de 11,48% para 11,76%
Enrosco atrás de enrosco
As saídas para não sobrecarregar o teto de gastos são indigestas. Uma delas seria a antecipação da revisão do valor limite, que só deveria ocorrer em 2026. Para a equipe da Ajax Capital, os maiores riscos da proposta atual estão no valor maior do que o esperado, aumento das famílias atendidas acima dos 17 milhões e a exclusão do Teto além dos R$ 30 bilhões. Isso sem falar na possibilidade de que ocorram novas baixas no ministério da Economia.
Durante sua fala, Guedes também colocou na conta do impasse em torno da reforma do imposto de renda a falta de recursos. Outra saída estudada pelo governo é aproveitar a folga no orçamento que deve vir da PEC dos precatórios.
Balanço dos balanços
Enquanto isso, a temporada de balanços no exterior segue a todo vapor, com importantes empresas como AT&T, American Airlines, Intel e Whirlpool divulgando seus resultados hoje.
De acordo com a Bloomberg, 79% das empresas do S&P 500 que reportaram os seus números mostraram um resultado acima do esperado até agora. No Nasdaq, esse índice é de 72%.
O saldo é positivo, mas os investidores seguem de olho nos desdobramentos do caso Evergrande, que fracassou em vender a fatia de uma de suas subsidiárias, a Evergrande Property Services.
Sobe e desce do Ibovespa
Sem fôlego, nenhuma ação sobe neste momento.
Confira também as maiores quedas:
CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
BIDI11 | Banco Inter unit | R$ 44,43 | -7,73% |
GETT11 | Getnet units | R$ 7,74 | -7,31% |
BIDI4 | Banco Inter PN | R$ 15,09 | -7,25% |
AMER3 | Americanas S.A | R$ 36,97 | -6,85% |
CMIG4 | Cemig PN | R$ 13,91 | -6,08% |
Carrefour Brasil (CRFB3): controladora oferece prêmio mais alto em tentativa de emplacar o fechamento de capital; ações disparam 10%
Depois de pressão dos minoritários e movimentações importantes nos bastidores, a matriz francesa elevou a oferta. Ações disparam na bolsa
Um café e um pão na chapa na bolsa: Ibovespa tenta continuar escapando de Trump em dia de payroll e Powell
Mercados internacionais continuam reagindo negativamente a Trump; Ibovespa passou incólume ontem
Cardápio das tarifas de Trump: Ibovespa leva vantagem e ações brasileiras se tornam boas opções no menu da bolsa
O mais importante é que, se você ainda não tem ações brasileiras na carteira, esse me parece um momento oportuno para começar a fazer isso
Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) perdem juntas R$ 26 bilhões em valor de mercado e a culpa é de Trump
Enquanto a petroleira sofreu com a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, a mineradora sentiu os efeitos da queda dos preços do minério de ferro
Bitcoin (BTC) em queda — como as tarifas de Trump sacudiram o mercado cripto e o que fazer agora
Após as tarifas do Dia da Liberdade de Donald Trump, o mercado de criptomoedas registrou forte queda, com o bitcoin (BTC) recuando 5,85%, mas grande parte dos ativos digitais conseguiu sustentar valores em suportes relativamente elevados
Obrigado, Trump! Dólar vai à mínima e cai a R$ 5,59 após tarifaço e com recessão dos EUA no horizonte
A moeda norte-americana perdeu força no mundo inteiro nesta quinta-feira (3) à medida que os investidores recalculam rotas após Dia da Libertação
O Dia depois da Libertação: bolsas globais reagem em queda generalizada às tarifas de Trump; nos EUA, Apple tomba mais de 9%
O Dia depois da Libertação não parece estar indo como Trump imaginou: Wall Street reage em queda forte e Ibovespa tem leve alta
Trump Day: Mesmo com Brasil ‘poupado’ na guerra comercial, Ibovespa fica a reboque em sangria das bolsas internacionais
Mercados internacionais reagem em forte queda ao tarifaço amplo, geral e irrestrito imposto por Trump aos parceiros comerciais dos EUA
Tarifas de Trump levam caos a Nova York: no mercado futuro, Dow Jones perde mais de 1 mil pontos, S&P 500 cai mais de 3% e Nasdaq recua 4,5%; ouro dispara
Nas negociações regulares, as principais índices de Wall Street terminaram o dia com ganhos na expectativa de que o presidente norte-americano anunciasse um plano mais brando de tarifas
Rodolfo Amstalden: Nos tempos modernos, existe ERP (prêmio de risco) de qualidade no Brasil?
As ações domésticas pagam um prêmio suficiente para remunerar o risco adicional em relação à renda fixa?
Efeito Trump? Dólar fica em segundo plano e investidores buscam outras moedas para investir; euro e libra são preferência
Pessimismo em relação à moeda norte-americana toma conta do mercado à medida que as tarifas de Trump se tornam realidade
Brasil não aguarda tarifas de Trump de braços cruzados: o último passo do Congresso antes do Dia da Libertação dos EUA
Enquanto o Ibovespa andou com as próprias pernas, o Congresso preparava um projeto de lei para se defender de tarifas recíprocas
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária