Segredos da bolsa: Powell e Campos Neto testam a fé dos investidores nos banqueiros centrais
Testemunhos do presidente do Fed perante a Câmara e o Senado dos EUA e coletiva de Campos Neto tendem a inspirar cautela entre os investidores

A convivência entre dinheiro e crença no nosso cotidiano vai muito além de qualquer discussão sobre a atuação dos mercadores da fé e a isenção de impostos para igrejas. A gente só não para muito pra pensar nisso.
O que determina o valor de uma cédula de R$ 2, R$ 20 ou R$ 200? A Casa da Moeda certamente não gasta além de alguns poucos centavos para imprimir cada uma delas.
Além das cores, dos tamanhos, da presença ou não de zeros e dos animais nelas retratados, há pelo menos um quinto fator – e é certamente o mais importante de todos eles: nossa fé coletiva no valor de troca de cada uma dessas cédulas.
Seja no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa, na China ou no pequenino Butão, o valor do dinheiro e o valor das coisas são ilusões coletivas sustentadas por pactos sociais.
A mesma fé aplica-se a ativos financeiros mais complexos. Eles valem o quanto os agentes do mercado acreditam que valem – ou imaginam que virão a valer.
Tais crenças entram em pauta agora porque a fé dos investidores nos banqueiros centrais passará por uma semana de intensa provação nos Estados Unidos e no Brasil.
Leia Também
Presidente do Fed depõe perante diferentes comissões do Congresso
Apenas alguns dias depois de o Federal Reserve Bank (Fed, o banco central dos EUA) ter desencadeado uma ressaca nos mercados financeiros do mundo todo ao lançar luz sobre os limites da política monetária para a superação da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, o presidente da autoridade monetária norte-americana, Jerome Powell, testemunhará perante diferentes comissões do Congresso do Tio Sam na terça, na quarta e na quinta-feiras.
E os testemunhos regulares do dirigente máximo do Fed à Câmara e ao Senado dos EUA costumam ser tensos e demorados, até por transcorrerem com os mercados abertos em Wall Street.
Em todo o mundo, os agentes do mercado apegam-se a cada vírgula, analisam minúcias semânticas, auscultam cada respiração de Powell para verificar o dito e o não dito, na expectativa de sinais sobre os passos seguintes da política monetária norte-americana.
No momento, enquanto buscam uma melhor compreensão sobre a pausa na ampliação de medidas de estímulo, tudo o que os investidores mais querem é uma sinalização por parte de Powell de que o recente vício dos mercados financeiros na liquidez abundante despejada pelos bancos centrais para fazer frente à pandemia não será apenas sustentado, mas ampliado.
E foi justamente a diferença entre o que o Fed sinaliza e o que os investidores gostariam que ele sinalizasse que provocou a ressaca da semana passada nos mercados financeiros internacionais – e que castigou o Ibovespa e o real por tabela.
A bolsa brasileira acumulou perda de 0,07%, voltando a fechar abaixo dos 100 mil pontos, e o dólar avançou 0,83% sobre o real no acumulado de uma semana extremamente volátil, com altas e baixas igualmente vertiginosas.
Os depoimentos de Powell perante o Congresso marcam uma semana relativa fraca de indicadores econômicos no exterior. Quase só dá Fed lá fora no decorrer dos próximos dias.
Também seguem no radar as negociações entre democratas e republicanos para a aprovação de um novo pacote de ajuda econômica à população norte-americana e as tratativas para a consumação do divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia, mais conhecido como Brexit.
Veja a seguir os principais indicadores e eventos previstos para esta semana no exterior
Segunda-feira: a semana começa com o Fed divulgando os dados do índice de atividade econômica nacional referentes a agosto às 9h30. Ainda pela manhã, o Conselho do Fed realiza reunião aberta.
Terça-feira: Powell depõe perante a Comissão de Assuntos Financeiros da Câmara dos Representantes dos EUA a partir das 11h30. Também serão dados a conhecer os números da sondagem industrial do Fed de Richmond e os dados sobre a confiança dos consumidores na zona do euro.
Quarta-feira: o dia começa com os dados da confiança do consumidor alemão. Nas horas seguintes, a Markit divulga os índices de gerentes de compra composto, da indústria e do setor de serviços para Alemanha, zona do euro e EUA. A partir das 11h, Powell toma os holofotes no testemunho perante a subcomissão da Câmara para o combate à pandemia.
Quinta-feira: o presidente do Fed depõe perante a Comissão de Assuntos Bancários, Habitacionais e Urbanos do Senado a partir das 11h sobre a resposta ao coronavírus.
Sexta-feira: a semana internacional termina com a divulgação das encomendas de bens duráveis em agosto nos EUA.
Ata do Copom e RTI são destaques por aqui
Não é apenas lá fora que a fé dos investidores nos banqueiros centrais será testada.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) divulgará na manhã de terça-feira a ata da reunião da semana passada. Dois dias depois, a autoridade monetária colocará na roda o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). A divulgação deste documento será seguida por uma entrevista coletiva com o presidente do BCB, Roberto Campos Neto.
Na última quarta-feira, o Copom decidiu pela manutenção da taxa básica de juros a 2% ano. Trata-se de um recorde histórico de baixa. Ao manter os juros, porém, o Copom interrompeu uma sequência de nove cortes da taxa Selic.
A interrupção ocorre em um momento no qual os agentes do mercado avaliam a recente alta nos preços de alimentos e de alguns insumos e tentam determinar se o movimento foi pontual ou veio para ficar.
Pelo momento, a maioria dos analistas afirma tratar-se apenas de um repique e acredita – mais uma vez a fé – que em breve a inflação estará sob controle. Ganha corpo, entretanto, a percepção de que o Banco Central estaria prestes a reverter a estratégia de juro baixo e iniciar um ciclo de alta da Selic - em breve, mas não já – em meio aos crescentes riscos inflacionários e fiscais.
Para melhor avaliar a situação, os investidores ganharão na manhã de quarta-feira a ajuda dos dados do IPCA-15, o índice preliminar oficial da inflação ao consumidor no Brasil. A expectativa é de que o indicador aponte para uma aceleração devido ao aumento no preço de alguns alimentos, à queda na produção de insumos e à recuperação do setor de serviços.
Coletiva de Campos sob escrutínio
Na quinta-feira, o RTI será seguido de uma entrevista coletiva com Roberto Campos Neto. Caso mantenha o tom ‘dovish’ observado no comunicado que acompanhou a decisão do Copom na semana passada, a capacidade da autoridade monetária de manter o cenário de juro baixo por muito mais tempo pode começar a ser desafiada pelos investidores.
No radar político, o julgamento do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a forma como o presidente Jair Bolsonaro deve prestar depoimento no inquérito sobre a denúncia de interferência pessoal na Polícia Federal pode ser pautado a qualquer momento.
O ministro Celso de Mello, relator do caso, determinou que Bolsonaro deponha pessoalmente, mas o ministro Marco Aurélio de Mello suspendeu o processo para que o plenário decida se o presidente deve depor pessoalmente ou se pode responder às perguntas por escrito.
A semana reserva ainda outros indicadores sobre o andamento da atividade econômica nacional em tempos de uma pandemia que já deixou mais de 135 mil mortos entre 4,5 milhões de infectados apenas no Brasil.
Veja a seguir quais indicadores e eventos devem agitar a semana no Brasil
Segunda-feira: para não perder o hábito, a semana começa com o boletim Focus e a atualização semanal dos dados da balança comercial; ao longo do dia, a FGV e a CNI divulgam suas respectivas sondagens sobre o setor industrial.
Terça-feira: o dia começa com a ata da mais recente reunião do Copom; mais tarde, o Tesouro Nacional publica relatório bimestral sobre receitas e despesas referente a julho e agosto.
Quarta-feira: o IBGE divulga o IPCA-15, com os dados oficiais preliminares da inflação de setembro; pela tarde, o BCB divulga os números semanais de fluxo cambial.
Quinta-feira: logo cedo, o Banco Central publica o Relatório Trimestral de Inflação; em seguida, Campos Neto concede entrevista coletiva; às 11h30, o Tesouro promove leilão tradicional de LTN, LTF e NTN-F.
Sexta-feira: a semana de indicadores se encerra com levantamento da FGV sobre a confiança do setor de construção civil.
Natura &Co é avaliada em mais de R$ 15 bilhões, em mais um passo no processo de reestruturação — ações caem 27% no ano
No processo de simplificação corporativa após massacre na bolsa, Natura &Co divulgou a avaliação do patrimônio líquido da empresa
Vale (VALE3) garante R$ 1 bilhão em acordo de joint venture na Aliança Energia e aumenta expectativa de dividendos polpudos
Com a transação, a mineradora receberá cerca de US$ 1 bilhão e terá 30% da nova empresa, enquanto a GIP ficará com 70%
Dólar dispara com novas ameaças comerciais de Trump: veja como buscar lucros de até dólar +10% ao ano nesse cenário
O tarifaço promovido por Donald Trump, presidente dos EUA, levou o dólar a R$ 5,76 na última semana – mas há como buscar lucros nesse cenário; veja como
Michael Klein de volta ao conselho da Casas Bahia (BHIA3): Empresário quer assumir o comando do colegiado da varejista; ações sobem forte na B3
Além de sua volta ao conselho, Klein também propõe a destituição de dois membros atuais do colegiado da varejista
Ex-CEO da Americanas (AMER3) na mira do MPF: Procuradoria denuncia 13 antigos executivos da varejista após fraude multibilionária
Miguel Gutierrez é descrito como o principal responsável pelo rombo na varejista, denunciado por crimes como insider trading, manipulação e organização criminosa
Em busca de proteção: Ibovespa tenta aproveitar melhora das bolsas internacionais na véspera do ‘Dia D’ de Donald Trump
Depois de terminar março entre os melhores investimentos do mês, Ibovespa se prepara para nova rodada da guerra comercial de Trump
Tarifaço de Trump aciona modo cautela e faz do ouro um dos melhores investimentos de março; IFIX e Ibovespa fecham o pódio
Mudanças nos Estados Unidos também impulsionam a renda variável brasileira, com estrangeiros voltando a olhar para os mercados emergentes em meio às incertezas na terra do Tio Sam
Trump Media estreia na NYSE Texas, mas nova bolsa ainda deve enfrentar desafios para se consolidar no estado
Analistas da Bloomberg veem o movimento da empresa de mídia de Donald Trump mais como simbólico do que prático, já que ela vai seguir com sua listagem primária na Nasdaq
Mais valor ao acionista: Oncoclínicas (ONCO3) dispara quase 20% na B3 em meio a recompra de ações
O programa de aquisição de papéis ONCO3 foi anunciado dias após um balanço aquém das expectativas no quarto trimestre de 2024
Ainda dá para ganhar com as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e BTG Pactual (BPAC11)? Não o suficiente para animar o JP Morgan
O banco norte-americano rebaixou a recomendação para os papéis BBAS3 e BPAC11, de “outperform” (equivalente à compra) para a atual classificação neutra
Casas Bahia (BHIA3) quer pílula de veneno para bloquear ofertas hostis de tomada de controle; ação quadruplica de valor em março
A varejista propôs uma alteração do estatuto para incluir disposições sobre uma poison pill dias após Rafael Ferri atingir uma participação de cerca de 5%
Tanure vai virar o alto escalão do Pão de Açúcar de ponta cabeça? Trustee propõe mudanças no conselho; ações PCAR3 disparam na B3
A gestora quer propor mudanças na administração em busca de uma “maior eficiência e redução de custos” — a começar pela destituição dos atuais conselheiros
Vale tudo na bolsa? Ibovespa chega ao último pregão de março com forte valorização no mês, mas de olho na guerra comercial de Trump
O presidente dos Estados Unidos pretende anunciar na quarta-feira a imposição do que chama de tarifas “recíprocas”
Protege contra a inflação e pode deixar a Selic ‘no chinelo’: conheça o ativo com retorno-alvo de até 18% ao ano e livre de Imposto de Renda
Investimento garimpado pela EQI Investimentos pode ser “chave” para lucrar com o atual cenário inflacionário no Brasil; veja qual é
O e-commerce das brasileiras começou a fraquejar? Mercado Livre ofusca rivais no 4T24, enquanto Americanas, Magazine Luiza e Casas Bahia apanham no digital
O setor de varejo doméstico divulgou resultados mistos no trimestre, com players brasileiros deixando a desejar quando o assunto são as vendas online
Nova York em queda livre: o dado que provoca estrago nas bolsas e faz o dólar valer mais antes das temidas tarifas de Trump
Por aqui, o Ibovespa operou com queda superior a 1% no início da tarde desta sexta-feira (28), enquanto o dólar teve valorização moderada em relação ao real
Não é a Vale (VALE3): BTG recomenda compra de ação de mineradora que pode subir quase 70% na B3 e está fora do radar do mercado
Para o BTG Pactual, essa mineradora conseguiu virar o jogo em suas finanças e agora oferece um retorno potencial atraente para os investidores; veja qual é o papel
Nem tudo é verdade: Ibovespa reage a balanços e dados de emprego em dia de PCE nos EUA
O PCE, como é conhecido o índice de gastos com consumo pessoal nos EUA, é o dado de inflação preferido do Fed para pautar sua política monetária
Não existe almoço grátis no mercado financeiro: verdades e mentiras que te contam sobre diversificação
A diversificação é uma arma importante para qualquer investidor: ajuda a diluir os riscos e aumenta as chances de você ter na carteira um ativo vencedor, mas essa estratégia não é gratuita
Tarifas de Trump derrubam montadoras mundo afora — Tesla se dá bem e ações sobem mais de 3%
O presidente norte-americano anunciou taxas de 25% sobre todos os carros importados pelos EUA; entenda os motivos que fazem os papéis de companhias na América do Norte, na Europa e na Ásia recuarem hoje